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Ainda Estou Aqui brilha e eleva cinema brasileiro com Grand Prix da Fipresci

Ainda estou aqui
Foto: Ainda estou aqui - Foto: Divulgação

O filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, conquistou mais um marco histórico para o cinema brasileiro ao vencer o Grand Prix da Federação Internacional dos Críticos de Cinema (Fipresci), sendo eleito o filme do ano. A premiação, anunciada em 03 de setembro de 2025, reforça a trajetória de sucesso da produção que, há um ano, levou o primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional para o Brasil. Rodado com sensibilidade, o longa retrata a luta de Eunice Paiva, vivida por Fernanda Torres, contra as injustiças da ditadura militar. A cerimônia de entrega do troféu ocorrerá no Festival de San Sebastián, no dia 19 de setembro. O reconhecimento consolida a força do cinema nacional, que também teve O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, entre os cinco finalistas do mesmo prêmio. A conquista destaca a relevância global de narrativas brasileiras, impulsionando o país em premiações internacionais.

Essa vitória chega após um ano de celebrações para Ainda Estou Aqui, que já acumula 38 prêmios e se tornou um fenômeno cultural. A produção não apenas emocionou plateias, mas reacendeu debates sobre memória e resistência.

  • Impacto global: O filme foi exibido em mais de 50 festivais, como Veneza, Toronto e São Paulo.
  • Bilheteria expressiva: No Brasil, atraiu 5,2 milhões de espectadores, arrecadando R$ 159 milhões.
  • Reconhecimento múltiplo: Ganhou prêmios como Globo de Ouro, Goya e 13 troféus Grande Otelo.
Ainda Estou Aqui
Ainda Estou Aqui – Foto: Divulgação/Sony Pictures

Novo marco para o cinema brasileiro

A escolha de Ainda Estou Aqui como filme do ano pela Fipresci marca a primeira vez em 25 anos que o Brasil conquista esse prestigiado troféu. O recorte da premiação, que considera filmes lançados entre julho de 2024 e junho de 2025, favoreceu a coincidência de ter dois filmes brasileiros entre os finalistas. O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, também foi destaque, mostrando a potência do cinema nacional. A decisão da Fipresci reflete a qualidade técnica e narrativa de Ainda Estou Aqui, que combina atuações marcantes, roteiro sólido e uma mensagem universal sobre resiliência.

O longa de Walter Salles se destacou frente a concorrentes como O Brutalista (EUA), Pecadores (EUA) e Sirât (Espanha). A vitória reforça a capacidade do Brasil de produzir obras que dialogam com questões globais, como autoritarismo e justiça. Para críticos, a força do filme está na forma como retrata a dor pessoal de Eunice Paiva aliada a um contexto político ainda relevante.

Trajetória de sucesso desde Veneza

A jornada de Ainda Estou Aqui começou no Festival de Veneza, em setembro de 2024, onde o roteiro, assinado por Murilo Hauser e Heitor Lorega, foi premiado. A partir daí, o filme acumulou elogios em festivais internacionais, como Toronto, San Sebastián e Nova York. No Brasil, a produção dominou o Prêmio Grande Otelo, levando 13 estatuetas, incluindo melhor filme, direção e atuações para Fernanda Torres e Selton Mello.

  • Festivais internacionais: Participou de mais de 50 eventos, com destaque em Roterdã e Vancouver.
  • Prêmios de público: Venceu em São Paulo, Roterdã e Miami, conectando-se com plateias diversas.
  • Reconhecimento ibero-americano: Levou três Prêmios Platino, incluindo melhor filme e direção.
  • Globo de Ouro: Fernanda Torres venceu como melhor atriz dramática, superando nomes como Angelina Jolie.

O impacto do filme foi além das premiações. No Brasil, a obra reacendeu discussões sobre a ditadura militar (1964-1985), com exibições lotadas e debates em universidades e espaços culturais. A bilheteria global, que ultrapassou US$ 27,4 milhões, reflete o alcance da história de Eunice Paiva, uma advogada que enfrentou a perda do marido, Rubens Paiva, e se tornou ícone da luta por direitos humanos.

Fernanda Torres: uma estrela em ascensão global

Fernanda Torres, que interpreta Eunice Paiva, foi peça-chave na campanha do filme. Sua atuação, descrita como visceral e emocionante, rendeu prêmios como o Globo de Ouro e o Satellite Awards. Apesar de não ter vencido o Oscar de Melhor Atriz, sua indicação marcou um momento histórico, ecoando a nomeação de sua mãe, Fernanda Montenegro, em 1999. A campanha de Torres nas redes sociais mobilizou brasileiros, com apoio orgânico que incluiu memes, fantasias carnavalescas e hashtags virais.

A atriz, fluente em várias línguas, conquistou a imprensa internacional com carisma e presença em eventos. Sua performance no filme, que alterna força e vulnerabilidade, foi elogiada por publicações como The New York Times e Variety. Para críticos, Torres trouxe humanidade a uma figura histórica, tornando a narrativa acessível a públicos de diferentes culturas.

O Agente Secreto e o momento do cinema nacional

A presença de O Agente Secreto entre os finalistas da Fipresci reforça o bom momento do cinema brasileiro. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme venceu em Cannes os prêmios de melhor diretor e melhor ator para Wagner Moura. A produção, que aborda temas de espionagem e política, é vista como forte candidata a representar o Brasil no Oscar 2026. A Academia Brasileira de Cinema anunciará o escolhido em 15 de setembro, após reduzir a lista de 16 filmes inscritos para seis.

  • Destaques em Cannes: O filme quebrou protocolo ao vencer dois prêmios importantes.
  • Elenco de peso: Wagner Moura lidera, com atuações elogiadas em festivais internacionais.
  • Potencial para o Oscar: A imprensa especializada já aponta o filme como favorito para 2026.
  • Outros concorrentes: O Último Azul e Vitória também estão na disputa pela indicação.

A força de O Agente Secreto em Cannes, aliada ao sucesso de Ainda Estou Aqui, sinaliza um renascimento do cinema brasileiro no cenário global. Festivais como Berlim e Veneza têm destacado produções nacionais, como O Último Azul, que venceu o Urso de Prata em 2025.

Repercussão cultural e política

Ainda Estou Aqui transcendeu as telas, influenciando debates sobre memória e justiça. No Brasil, o filme inspirou exposições, documentários e discussões no Supremo Tribunal Federal sobre a Lei da Anistia. A história de Eunice Paiva, que lutou incansavelmente por respostas sobre o destino do marido, ressoa em um momento de preocupação global com o autoritarismo. Críticos destacam que a obra combina um drama pessoal com reflexões universais, o que explica sua aceitação em mercados como Estados Unidos e Europa.

A produção também impulsionou o turismo cinematográfico no Brasil. Locais de filmagem no Rio de Janeiro, como a casa da família Paiva, tornaram-se pontos de visitação. Escolas e universidades incorporaram o filme em currículos, usando-o como ferramenta para ensinar sobre o período ditatorial.

Preparação para o Oscar 2026

Com a vitória na Fipresci, Ainda Estou Aqui reforça sua influência, mas o foco agora se volta para a próxima edição do Oscar. A Academia Brasileira de Cinema já iniciou o processo de seleção para 2026, com O Agente Secreto e O Último Azul entre os favoritos. O sucesso de Ainda Estou Aqui elevou as expectativas, mas especialistas alertam que repetir a façanha exige estratégia. Cannes, por exemplo, tem sido uma vitrine crucial para indicados ao Oscar, como visto com Parasita e Anatomia de uma Queda.

  • Seleção brasileira: A lista de 16 filmes será reduzida a seis em 8 de setembro.
  • Favoritismo: O Agente Secreto é cotado por sua força em Cannes e elenco estelar.
  • Histórico: O Brasil já teve 22 indicações ao Oscar, mas apenas uma vitória até 2025.
  • Estratégia: Campanhas robustas, como a de Torres, são essenciais para o sucesso.

O cinema brasileiro vive um momento de ouro, com produções que equilibram qualidade artística e apelo comercial. A vitória de Ainda Estou Aqui na Fipresci e no Oscar abriu portas para que outros filmes nacionais ganhem visibilidade.

Legado de Eunice Paiva nas telas

A história de Eunice Paiva, eternizada por Ainda Estou Aqui, continua a inspirar. O filme, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, trouxe à tona a força de uma mulher que enfrentou um regime opressivo. A atuação de Fernanda Torres, aliada à direção sensível de Walter Salles, transformou a narrativa em um símbolo de resistência. A produção também destacou outros talentos, como Selton Mello, que interpreta Rubens Paiva, e Fernanda Montenegro, em participação especial.

O impacto do filme é mensurável: além dos 5,2 milhões de espectadores no Brasil, a obra foi exibida em 700 salas nos Estados Unidos. Publicações internacionais, como The Guardian e Time, elogiaram a capacidade do longa de conectar passado e presente, tornando-o relevante em um contexto de tensões políticas globais.