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Bruno Henrique julgamento: STJD pune com 12 jogos e multa por cartão forçado

Bruno Henrique
Foto: Bruno Henrique - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com

Bruno Henrique, atacante do Flamengo, foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta quinta-feira, 4 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro, a 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil por manipulação de apostas em um jogo contra o Santos, em novembro de 2023. O julgamento, que durou mais de oito horas, analisou a acusação de que o jogador forçou um cartão amarelo para beneficiar apostadores, incluindo seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior. A decisão, passível de recurso, baseou-se em investigações da Polícia Federal e relatórios da International Betting Integrity Association (IBIA). O Flamengo, que defende a inocência do atleta, planeja recorrer e solicitar efeito suspensivo para mantê-lo em campo. O caso reacende debates sobre a integridade no futebol brasileiro em meio ao crescimento do mercado de apostas esportivas.

A denúncia contra Bruno Henrique ganhou força após alertas de movimentações atípicas no mercado de apostas, identificadas por empresas como Betano e KTO. O jogador, que participou do julgamento por videoconferência desde a Bahia, negou as acusações, afirmando nunca ter cometido infrações. A defesa, liderada por advogados como Michel Assef Filho, vice-presidente do Flamengo, argumentou que o cartão foi aplicado em um lance comum, sem intenção de manipulação.

  • Principais pontos da acusação:
    • Cartão amarelo recebido em 1º de novembro de 2023, contra o Santos.
    • Suspeita de comunicação prévia com o irmão do jogador, Wander Nunes.
    • Movimentações financeiras atípicas reportadas por casas de apostas.
    • Lucro de cerca de R$ 11 mil em apostas, considerado baixo pelo STJD inicialmente.

Detalhes do julgamento no STJD

O julgamento, conduzido pela Primeira Comissão Disciplinar do STJD, analisou evidências coletadas no inquérito 107/2025, incluindo mensagens de WhatsApp entre Bruno Henrique e seu irmão. O relator Alcino Guedes absolveu o jogador no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de ações deliberadamente prejudiciais à equipe, mas o condenou no artigo 243-A, por conduta contrária à ética desportiva. Por quatro votos a um, a pena mínima de 12 jogos de suspensão foi aplicada, junto com a multa de R$ 60 mil.

A sessão, transmitida ao vivo, contou com a participação virtual de três outros denunciados: Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos, amigos do irmão de Bruno Henrique. Wander Nunes foi representado por um advogado. A Procuradoria do STJD utilizou um vídeo em que Douglas Barcelos admite ter conhecimento prévio do cartão, reforçando a acusação.

A defesa de Bruno Henrique, representada por Alexandre Vitorino, questionou a validade das provas e defendeu a prescrição do caso, alegando que o prazo de 60 dias para denúncia, previsto no artigo 165-A do CBJD, expirou em dezembro de 2023. O auditor Alcino Guedes rejeitou a tese, argumentando que novas provas apresentadas em junho de 2025 suspenderam o prazo.

  • Desdobramentos do julgamento:
    • Absolvição no artigo 243 do CBJD, por falta de prejuízo à equipe.
    • Condenação no artigo 243-A, por manipulação antiética.
    • Multa de R$ 60 mil e suspensão de 12 jogos, passível de recurso.
    • Possibilidade de efeito suspensivo até julgamento no Pleno do STJD.

Contexto da investigação policial

A investigação começou em agosto de 2023, após alertas da IBIA e da Sportradar, parceira da CBF, sobre apostas atípicas no cartão amarelo de Bruno Henrique. Em novembro de 2024, a Operação Spot-Fixing resultou em buscas e apreensões, com a Polícia Federal extraindo 3.989 conversas do celular de Wander Nunes. As mensagens sugeriam que Bruno Henrique informou previamente sobre o cartão, enquanto estava pendurado com dois cartões amarelos.

Em abril de 2025, a Polícia Federal indiciou Bruno Henrique por fraude esportiva, enquadrado no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê pena de dois a seis anos de prisão. O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) aceitou a denúncia em julho de 2025, tornando o jogador réu na Justiça Comum. O processo criminal tramita na 7ª Vara Criminal de Brasília, mas a acusação de estelionato foi rejeitada por falta de provas.

  • Cronologia da investigação:
    • Agosto de 2023: Início das investigações após alertas de casas de apostas.
    • Novembro de 2024: Operação Spot-Fixing com mandados de busca.
    • Abril de 2025: Indiciamento de Bruno Henrique pela Polícia Federal.
    • Julho de 2025: Aceitação da denúncia na Justiça Comum.

Reação do Flamengo e próximos passos

O Flamengo, que manteve Bruno Henrique em campo durante a investigação, com atuações destacadas como na goleada de 8 a 0 contra o Vitória, planeja recorrer da decisão. O clube acredita na possibilidade de obter efeito suspensivo, permitindo que o jogador atue até o julgamento no Pleno do STJD. A estratégia da defesa inclui reforçar a tese de prescrição e questionar a gravidade do lance que resultou no cartão.

Michel Assef Filho criticou a dependência do STJD em provas da Polícia Federal, argumentando que o tribunal deveria conduzir investigações próprias. O advogado também destacou que o status de “pendurado” do jogador era público, o que poderia explicar o volume de apostas. A diretoria rubro-negra monitora o mercado, considerando nomes como Marcos Leonardo para reforçar o elenco caso a suspensão seja mantida.

  • Ações do Flamengo:
    • Recurso ao Pleno do STJD para reverter a suspensão.
    • Pedido de efeito suspensivo para manter Bruno Henrique em campo.
    • Reforço na defesa da prescrição do caso.
    • Planejamento de contratações para suprir eventual ausência.

Debate sobre apostas no futebol

O caso de Bruno Henrique reacende discussões sobre a regulamentação das apostas esportivas no Brasil, um mercado que movimenta cerca de R$ 100 bilhões anuais, segundo a Lei 14.790/2023. A Sportradar identificou 50 alertas de manipulação no Brasileirão de 2023, enquanto a IBIA reportou 50 casos globais em 2024. A falta de programas de educação ética em 80% dos clubes brasileiros, conforme especialistas, agrava o problema.

A CBF intensificou o monitoramento com parcerias com a Sportradar e a Conmebol, enquanto clubes como Flamengo e Palmeiras discutem programas internos para orientar atletas. A CPI das Apostas Esportivas, em curso no Senado, busca restringir a publicidade de casas de apostas, que sofreram prejuízos de R$ 2 milhões em 2024 devido a apostas suspeitas.

  • Medidas preventivas no futebol:
    • Monitoramento em tempo real por CBF e Sportradar.
    • Treinamentos éticos obrigatórios para atletas.
    • Bloqueio de contas suspeitas em casas de apostas.
    • Atualização do CBJD para casos de manipulação.

Impacto na carreira de Bruno Henrique

Com contrato até dezembro de 2026, Bruno Henrique é peça-chave no Flamengo, com atuações consistentes em 2025, incluindo gols e assistências. A suspensão de 12 jogos o afastaria de partidas cruciais do Brasileirão e da Libertadores, além de comprometer sua convocação para o Super Mundial de Clubes. A torcida rubro-negra está dividida: parte apoia o jogador, enquanto outra cobra rigor na apuração para proteger a integridade do esporte.

A defesa planeja recorrer ao Pleno do STJD, o que pode prolongar o processo. Especialistas em direito desportivo apontam que o caso pode estabelecer precedentes para o combate à manipulação no Brasil, especialmente em mercados secundários como apostas em cartões, que representam 15% do volume total no futebol.

  • Possíveis cenários para Bruno Henrique:
    • Efeito suspensivo permite atuar até novo julgamento.
    • Suspensão mantida impacta temporada 2025 do Flamengo.
    • Processo criminal pode resultar em pena de prisão.
    • Precedente para punições mais rigorosas no futebol.