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Exportações do Brasil aos EUA despencam 18,5% com tarifaço de Trump

Eua x Brasil
Foto: Eua x Brasil - Foto: Gwengoat/istock

As exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram uma queda expressiva de 18,5% em agosto de 2025, totalizando US$ 2,76 bilhões, enquanto as importações americanas cresceram 4,6%, alcançando US$ 3,99 bilhões. O resultado gerou um déficit comercial de US$ 1,23 bilhão, o maior do ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Esse cenário, agravado pela sobretaxa de 50% imposta pelo presidente americano Donald Trump, reflete o impacto do chamado “tarifaço” sobre a balança comercial brasileira. A medida, iniciada em 6 de agosto, afeta 36% das vendas externas do Brasil aos EUA, enquanto questões políticas, como o processo contra Jair Bolsonaro, também foram citadas como justificativa para as tarifas. O governo brasileiro anunciou medidas para mitigar os prejuízos, como linhas de crédito e incentivos fiscais, enquanto busca novos mercados para compensar as perdas.

O desempenho negativo marcou o oitavo mês consecutivo de déficit comercial com os EUA, um padrão que se repete desde 2009. Apesar disso, a balança comercial geral do Brasil apresentou superávit de US$ 6,13 bilhões em agosto, impulsionado pelo aumento das exportações para outros países, como China, México e Argentina. O governo brasileiro mantém esforços para diversificar mercados e negociar com os EUA, mas as tensões políticas dificultam o diálogo.

  • Principais números de agosto:
    • Exportações aos EUA: US$ 2,76 bilhões (-18,5% em relação a agosto de 2024).
    • Importações dos EUA: US$ 3,99 bilhões (+4,6% em relação a agosto de 2024).
    • Déficit comercial: US$ 1,23 bilhão, maior do ano.
    • Superávit geral da balança comercial: US$ 6,13 bilhões (+35,8% ante agosto de 2024).

Setores mais afetados pelo tarifaço

A sobretaxa de 50% imposta pelos EUA impactou diretamente setores estratégicos da economia brasileira, como café, carne bovina, frutas e pescados. O café, por exemplo, registrou uma queda de 55% nas exportações para os EUA em agosto, com apenas 251,9 mil sacas de 60 kg enviadas, contra 562,7 mil no mesmo período de 2024. A carne bovina, outro setor crucial, enfrenta perdas estimadas em US$ 1 bilhão anuais, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A medida americana também elevou custos para importadores nos EUA, já que o Brasil é um fornecedor essencial de produtos como café, que representa 34% do mercado cafeeiro americano. Setores como móveis, têxteis e calçados também foram duramente atingidos, com estimativas de perdas de empregos e faturamento. A Associação Brasileira da Indústria de Móveis (Abimóvel) prevê a eliminação de até 9 mil postos de trabalho devido à inviabilização do comércio com os EUA.

  • Setores mais impactados:
    • Café: queda de 55% nas exportações, com perdas de US$ 481 milhões previstas para 2025.
    • Carne bovina: estimativa de US$ 1 bilhão em perdas anuais.
    • Móveis: risco de 9 mil demissões e aumento no custo final dos produtos.
    • Pescados: impacto severo em regiões dependentes da atividade pesqueira.
Donald trump
Donald trump – Foto: Instagram

Medidas do governo para conter a crise

Para mitigar os efeitos do tarifaço, o governo brasileiro lançou um pacote de medidas em agosto, com destaque para uma linha de crédito de R$ 30 bilhões voltada para empresas afetadas. O acesso a esses recursos está condicionado à manutenção de empregos, visando proteger trabalhadores em setores vulneráveis. Além disso, o governo anunciou iniciativas para facilitar exportações e reduzir impactos fiscais.

O diferimento de impostos pela Receita Federal permite que empresas adiem a cobrança de tributos, aliviando o fluxo de caixa. O programa de drawback, que isenta insumos usados em mercadorias exportadas, foi prorrogado por um ano. Outra medida é o Novo Reintegra, que oferece créditos tributários para desonerar vendas ao exterior. Além disso, compras públicas de alimentos para programas sociais foram incentivadas, beneficiando setores como o agronegócio.

O governo também intensificou esforços para diversificar mercados, com negociações para aumentar exportações para países como China, México e Argentina, que registraram altas de 29,9%, 43,8% e 40,4% em agosto, respectivamente. Essas ações visam compensar as perdas no mercado americano, mas analistas alertam que a substituição de mercados tão relevantes quanto os EUA exige tempo e estratégia.

  • Medidas do governo:
    • Linha de crédito de R$ 30 bilhões com foco na manutenção de empregos.
    • Diferimento de impostos para empresas afetadas.
    • Prorrogação do drawback por um ano.
    • Novo Reintegra com créditos tributários para exportadores.
    • Incentivo a compras públicas para programas sociais.

Reações estaduais e empresariais

Governos estaduais também reagiram ao tarifaço com medidas emergenciais. Em Goiás, onde açúcar orgânico e carnes representam 61% das exportações para os EUA, foi criado o Fundo Creditório, com R$ 628 milhões em recursos e juros de 10% ao ano. No Rio Grande do Sul, uma linha de R$ 100 milhões com juros subsidiados foi anunciada, com foco em setores como metalurgia e madeira. No Ceará, o governo busca compensações via Lei Kandir, enquanto o Espírito Santo mapeia impactos no setor cafeeiro e de rochas ornamentais.

Empresas brasileiras, por sua vez, enfrentam dificuldades para manter a competitividade. A Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) estima que 10 mil empresas exportadoras, empregando 3,2 milhões de pessoas, foram afetadas. Setores como calçados e têxteis relatam “danos irreversíveis” devido à inviabilização de exportações. No entanto, algumas empresas, como a Embraer, escaparam da sobretaxa, já que produtos aeronáuticos estão na lista de 700 exceções à tarifa de 50%.

  • Ações estaduais:
    • Goiás: Fundo Creditório com R$ 628 milhões e juros de 10% ao ano.
    • Rio Grande do Sul: R$ 100 milhões em crédito com juros subsidiados.
    • Ceará: busca por compensações via Lei Kandir.
    • Espírito Santo: foco em café e rochas ornamentais.

Impactos econômicos e perspectivas

A queda nas exportações para os EUA contribuiu para um aumento de 370% no déficit comercial com o país, que atingiu US$ 3,48 bilhões de janeiro a agosto de 2025. Esse cenário reflete a dependência do Brasil em relação ao mercado americano, que é o segundo maior destino de suas exportações, atrás apenas da China. A alta nas importações americanas, impulsionada pelo crescimento do PIB brasileiro, também agravou o déficit, já que o país adquiriu mais bens de capital, como máquinas e equipamentos.

Apesar do impacto, a balança comercial geral do Brasil permaneceu positiva, com superávit de US$ 42,81 bilhões nos primeiros oito meses de 2025. O crescimento das exportações para outros mercados, como China e México, demonstra resiliência, mas não compensa totalmente as perdas com os EUA. Economistas preveem que a oferta de produtos no mercado interno, como carne e frutas, pode reduzir preços de alimentos no Brasil, mas a longo prazo, a menor produção em setores como o de carne bovina pode pressionar os preços para cima.

  • Dados econômicos:
    • Déficit com os EUA: US$ 3,48 bilhões de janeiro a agosto (+370% ante 2024).
    • Superávit geral: US$ 42,81 bilhões (-20,2% ante 2024).
    • Crescimento das exportações: China (+29,9%), México (+43,8%), Argentina (+40,4%).

Contexto político da crise

As tarifas americanas, anunciadas por Trump em julho de 2025, têm motivações políticas além das econômicas. O presidente americano citou o processo contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e supostas violações de liberdade de expressão como justificativas para a sobretaxa. A medida também foi acompanhada por ações como o cancelamento de vistos de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, e investigações contra o Brasil por práticas comerciais supostamente desleais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do MDIC, condenou as tarifas como “arbitrárias” e busca diálogo sem “contaminação política”. No entanto, as negociações têm sido difíceis, com o presidente Lula relatando a falta de canais diretos com Trump. Uma comissão de senadores brasileiros tentou abrir diálogo nos EUA, mas a iniciativa enfrenta resistência, incluindo boicotes de aliados de Bolsonaro.

  • Fatores políticos:
    • Trump cita processo contra Bolsonaro como justificativa para tarifas.
    • Cancelamento de vistos de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes.
    • Investigação dos EUA contra o Brasil por práticas comerciais.
    • Dificuldade de diálogo entre Brasil e Casa Branca.