Citroën aposta em híbridos flex com Aircross e Basalt em 2026

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Citroën Aircross Foto: Citroën Aircross - foto: Divulgação

A Citroën, integrante do grupo Stellantis, planeja lançar em 2026 os modelos Aircross e Basalt equipados com tecnologia híbrida leve de 12 Volts, aliada ao motor 1.0 turbo flex. A novidade, já presente em veículos da Fiat desde 2024 e da Peugeot em 2025, chega para reforçar a eficiência energética dos SUVs da marca francesa no Brasil. Desenvolvido em Betim (MG), o sistema híbrido leve utiliza frenagem regenerativa para otimizar o consumo, especialmente em ambientes urbanos. A estratégia da Citroën reflete o avanço da Stellantis na eletrificação de seu portfólio no mercado brasileiro, com possível expansão para o hatch C3 e até uma variante elétrica, o ë-C3, ainda em estudo. A iniciativa combina inovação tecnológica com a demanda por veículos mais sustentáveis no país.

O sistema híbrido leve, conhecido como BSG (gerador por correia), substitui o alternador por um motor elétrico conectado ao virabrequim, funcionando como motor de arranque e gerador. Essa tecnologia permite partidas mais suaves, ativa o sistema start-stop e recupera energia durante desacelerações.

  • Benefícios do sistema: redução no consumo de combustível em ciclos urbanos.
  • Aplicação inicial: Fiat Pulse e Fastback, seguidos por Peugeot 208 e 2008.
  • Expansão para 2026: Citroën Aircross e Basalt com motor 1.0 GSE T3 turbo flex.

A chegada do sistema aos modelos da Citroën reforça a estratégia da Stellantis de unificar tecnologias entre suas marcas no Brasil.

Tecnologia híbrida leve em destaque

O sistema híbrido leve de 12 Volts é uma solução prática para melhorar a eficiência sem elevar significativamente os custos. Diferentemente dos híbridos convencionais, que utilizam motores elétricos mais potentes, o sistema BSG é compacto e integrado ao motor a combustão. Ele opera com uma bateria de baixa voltagem, que armazena energia recuperada durante frenagens. Essa energia é usada para alimentar sistemas elétricos do veículo, reduzindo a carga sobre o motor térmico.

A tecnologia, desenvolvida no centro técnico da Stellantis em Betim, foi projetada para atender às condições do mercado brasileiro. O motor 1.0 GSE T3, com três cilindros, injeção direta e comando de válvulas variável, entrega até 130 cv e 20,4 kgfm de torque. Quando combinado ao sistema híbrido, o conjunto promete melhorar o consumo em até 10% em uso urbano, segundo dados preliminares da Stellantis.

  • Redução de emissões: menos CO₂ em ciclos urbanos.
  • Partida suave: elimina vibrações do sistema start-stop.
  • Manutenção simplificada: sem necessidade de componentes complexos.
  • Custo acessível: impacto mínimo no preço final dos veículos.

A escolha por um sistema de 12 Volts reflete a busca por soluções econômicas e escaláveis, ideais para mercados emergentes como o Brasil.

Citroën Aircross
Citroën Aircross – Foto: Divulgação

Estratégia da Citroën no Brasil

A Citroën tem investido em renovar sua linha no mercado brasileiro, com foco em SUVs e crossovers. O Aircross e o Basalt, que receberão a tecnologia híbrida em 2026, já passaram por atualizações recentes, com novas versões e acabamentos aprimorados para a linha 2026. Esses modelos competem em um segmento aquecido, onde a eficiência energética é um diferencial crescente.

O Basalt, lançado como um SUV-cupê, combina design moderno com apelo urbano, enquanto o Aircross mantém sua vocação familiar, com espaço interno generoso. Ambos os modelos serão equipados com o câmbio automático CVT de sete marchas simuladas, que complementa o motor 1.0 turbo flex e o sistema híbrido.

A Citroën também estuda a introdução do sistema híbrido leve no hatch C3, embora a decisão dependa de análises de mercado. O C3, equipado com o mesmo motor 1.0 GSE, poderia se beneficiar da tecnologia sem grandes impactos no preço, mantendo sua competitividade no segmento de entrada.

Citroën Basalt Dark Edition 2026
Citroën Basalt Dark Edition 2026 – Foto: Divulgação

Possibilidades para o Citroën C3

O hatch C3, um dos modelos mais acessíveis da Citroën no Brasil, está no centro das discussões sobre eletrificação. Embora a marca avalie a adoção do sistema híbrido leve, outra possibilidade ganha força: o lançamento do ë-C3, uma variante 100% elétrica. O modelo elétrico já foi testado no Brasil desde 2023 e teve seu design registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

O ë-C3 poderia posicionar a Citroën como uma referência em mobilidade elétrica no segmento de compactos. Com autonomia estimada em cerca de 300 km, o modelo seria uma opção viável para consumidores urbanos que buscam veículos elétricos acessíveis.

  • Vantagens do ë-C3: zero emissões e baixo custo de rodagem.
  • Desafios: infraestrutura de recarga ainda limitada no Brasil.
  • Concorrência: disputa com modelos como BYD Dolphin Mini e Renault Kwid E-Tech.
  • Expectativa: possível lançamento entre 2026 e 2027.

A Stellantis, no entanto, mantém cautela sobre prazos e estratégias, priorizando a viabilidade econômica e a aceitação do mercado.

Avanço da Stellantis na eletrificação

A Stellantis tem adotado uma abordagem gradual para a eletrificação no Brasil, começando com soluções como o híbrido leve. A tecnologia, já consolidada em modelos da Fiat e da Peugeot, demonstra a capacidade do grupo de adaptar inovações às demandas locais. O centro técnico de Betim, responsável pelo desenvolvimento do sistema BSG, é um dos pilares dessa estratégia, combinando engenharia local com padrões globais.

Além da Citroën, outras marcas do grupo, como Jeep e Ram, também podem adotar tecnologias híbridas nos próximos anos. A unificação de plataformas e sistemas permite à Stellantis reduzir custos e acelerar a implementação de soluções sustentáveis.

A eletrificação, no entanto, enfrenta barreiras no Brasil, como a falta de incentivos fiscais consistentes e a infraestrutura limitada para veículos elétricos. Apesar disso, a Stellantis aposta na aceitação crescente de tecnologias híbridas, que oferecem um meio-termo entre eficiência e acessibilidade.

Futuro da mobilidade no Brasil

A chegada dos Citroën Aircross e Basalt híbridos reflete uma tendência global de transição para veículos mais eficientes. No Brasil, onde o etanol já reduz emissões em comparação com combustíveis fósseis, os híbridos flex representam uma solução prática para o mercado. A combinação de motores turbo flex com sistemas híbridos leves pode atrair consumidores que buscam economia sem abrir mão da versatilidade.

A possível introdução do ë-C3 elétrico também sinaliza um passo ousado da Citroën. Embora o mercado de elétricos no Brasil ainda seja pequeno, com apenas 1,5% das vendas totais de veículos em 2024, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a demanda está crescendo, especialmente em centros urbanos.

  • Tendências de mercado: aumento na busca por SUVs e crossovers.
  • Sustentabilidade: híbridos flex como solução intermediária.
  • Competitividade: preços acessíveis como diferencial da Citroën.
  • Projeção: crescimento de 20% nas vendas de híbridos até 2027.

A Citroën, com o apoio da Stellantis, está posicionada para capitalizar essas tendências, oferecendo opções que combinam inovação, eficiência e apelo comercial.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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