Brasil

Polícia desmantela rede de joias roubadas vendidas em programa de TV

joias
Foto: joias - Foto: EgolenaHK/Shutterstock.com

Uma família de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, descobriu em maio de 2025 que joias roubadas de sua residência estavam sendo vendidas ao vivo no programa de TV “Mil e Uma Noites”, gravado em Curitiba. A Polícia Civil desmantelou um esquema criminoso de receptação que operava em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, resultando na prisão de Diego de Freitas, conhecido como Diego Ouro, e Welker dos Santos Ferreira de Mattos, apontado como um dos ladrões. A ação, desencadeada após a vítima reconhecer um colar de ouro e diamantes no programa, revelou uma rede sofisticada que comercializava cerca de 300 peças roubadas, incluindo relógios Rolex. A investigação, iniciada em maio, expôs falhas na verificação da origem das joias pelo programa, que já havia sido investigado em 2009 por caso semelhante. A família recuperou apenas 10% dos itens roubados, e a polícia segue apurando outros envolvidos.

A denúncia partiu de uma mulher que, ao assistir ao programa, identificou um colar com símbolo do Espírito Santo, comprado há mais de 20 anos. Ela passou a acompanhar as transmissões e reconheceu outras peças de sua coleção, roubadas em 16 de maio, quando três homens invadiram sua casa, renderam um casal de idosos, seu filho e uma funcionária, e fugiram com itens de alto valor. A família adquiriu oito joias do programa para confirmar a suspeita, recebendo-as com nota fiscal e certificado de garantia.

  • Itens roubados: Cerca de 300 joias e oito relógios Rolex.
  • Local do crime: Residência em Ribeirão Preto, São Paulo.
  • Data do roubo: 16 de maio de 2025.
  • Suspeitos presos: Diego de Freitas e Welker dos Santos Ferreira de Mattos.

A Polícia Civil agiu rapidamente após a denúncia, visitando a sede do programa em Curitiba e encontrando mais joias de origem ilícita. O caso ganhou destaque no Fantástico, da TV Globo, que revelou detalhes da operação.

Rede criminosa interestadual

A investigação revelou uma rede complexa que conectava ladrões, receptadores e vendedores em três estados brasileiros. Diego de Freitas, conhecido nas redes sociais como Diego Ouro, foi preso em uma casa de alto padrão em Ribeirão Preto. Ele ostentava um estilo de vida luxuoso, com viagens internacionais e acessórios caros, o que levantou suspeitas sobre a origem de sua renda. A polícia encontrou um celular destruído em sua residência, sugerindo tentativa de ocultar evidências. Welker dos Santos Ferreira de Mattos, identificado pelas vítimas como um dos invasores da casa, também foi detido. Outros dois suspeitos seguem foragidos, e a promotora Ethel Cipele destacou que a quantidade de joias comercializadas indica a possível participação de mais pessoas no esquema.

  • Modo de operação: Ladrões invadiam residências com informações precisas sobre a localização de joias.
  • Estados envolvidos: São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
  • Principal receptador: Diego de Freitas, conhecido como Diego Ouro.
  • Valor estimado: Joias avaliadas em milhões de reais, com apenas 10% recuperadas.

O delegado Diógenes Santiago Netto, responsável pelo caso, afirmou que a operação criminosa se sustentava porque havia compradores dispostos a adquirir joias sem questionar sua procedência. A falta de documentação confiável por parte do programa de TV reforçou as suspeitas de negligência ou conivência.

Joias
Joias – Foto: Levon Avagyan/Shutterstock.com

Envolvimento do programa de TV

O programa “Mil e Uma Noites”, gravado em Curitiba e exibido pelo canal CNT, tornou-se o centro das investigações após a denúncia. A empresa, comandada por Paulo César Calluf, alegou que as joias eram consignadas por fornecedores cadastrados, mas não apresentou documentos que comprovassem a origem lícita das peças. Um dos fornecedores, Haig Hovsepian, de Uberaba, Minas Gerais, foi apontado como responsável por entregar as joias ao programa. Ele afirmou ter pago R$ 170 mil a Diego de Freitas pelas peças, mas só compareceu à delegacia após tomar conhecimento de sua origem ilícita. A ausência de controles rigorosos na cadeia de suprimentos do programa levantou questionamentos sobre sua responsabilidade no esquema.

A Polícia Civil já havia investigado o mesmo programa em 2009, quando uma vítima reconheceu joias roubadas de seu apartamento em São Paulo sendo leiloadas na TV. Na época, o caso foi arquivado por falta de provas, mas a reincidência reacendeu o alerta sobre a comercialização de itens roubados em canais de venda televisionados. A família de Ribeirão Preto, que costumava comprar joias no programa, ficou surpresa ao ver seus próprios itens sendo revendidos no mesmo canal.

Impacto nas vítimas

O roubo em Ribeirão Preto deixou marcas profundas na família afetada. A invasão, que durou poucos minutos, envolveu violência psicológica, com os criminosos rendendo quatro pessoas e exigindo informações precisas sobre o cofre. O proprietário da casa relatou que os ladrões pareciam saber exatamente onde estavam as joias, sugerindo que o crime foi planejado com informações privilegiadas. A recuperação de apenas 10% das peças roubadas, incluindo itens de valor sentimental, como o colar de ouro e diamantes, intensificou o trauma das vítimas.

  • Perdas materiais: Joias de quatro gerações, incluindo peças herdadas.
  • Impacto emocional: Trauma causado pela invasão e violência.
  • Recuperação parcial: Apenas 10% das joias foram devolvidas.
  • Suspeita de mandante: Vítimas acreditam que o crime foi encomendado.

A família agora cobra maior rigor na investigação para identificar outros envolvidos e recuperar o restante dos itens. A promotora Ethel Cipele reforçou que a quantidade de joias comercializadas sugere a existência de uma rede maior, possivelmente com mais receptadores e intermediários.

Falhas na cadeia de suprimentos

A falta de verificação da procedência das joias pelo programa “Mil e Uma Noites” expôs vulnerabilidades no mercado de itens de luxo. Especialistas apontam que a ausência de regulamentação rigorosa facilita a entrada de produtos roubados em canais de venda formais. A operação da Polícia Civil destacou a necessidade de maior controle sobre fornecedores e leilões, especialmente em plataformas que atingem um grande público. O caso também reacendeu o debate sobre a responsabilidade de empresas que revendem produtos sem documentação clara, mesmo que aleguem boa-fé.

  • Problemas identificados: Falta de documentos de origem das joias.
  • Histórico do programa: Investigado em 2009 por caso semelhante.
  • Medidas sugeridas: Maior fiscalização no comércio de joias.
  • Risco ao consumidor: Compra de itens de origem ilícita sem saber.

A investigação continua para mapear toda a rede de receptação e evitar que esquemas semelhantes se repitam. A Polícia Civil planeja intensificar a fiscalização em leilões e plataformas de venda de itens de luxo, enquanto o Ministério Público de São Paulo analisa possíveis medidas contra os responsáveis pelo programa.

Próximos passos da investigação

A Polícia Civil segue rastreando outros envolvidos no esquema, com foco em identificar possíveis mandantes e receptadores adicionais. A promotora Ethel Cipele destacou que a quantidade de joias movimentada sugere uma operação de grande escala, possivelmente com conexões em outras regiões do Brasil. A família de Ribeirão Preto, embora aliviada com as prisões, espera recuperar mais itens e ver todos os responsáveis punidos. A operação também serve como alerta para consumidores que adquirem joias em leilões ou programas de TV, reforçando a importância de exigir documentação de procedência.

  • Objetivo da polícia: Identificar outros membros da rede criminosa.
  • Ações em andamento: Busca por foragidos e análise de transações.
  • Alerta aos consumidores: Verificar a origem de joias antes da compra.
  • Expectativa das vítimas: Recuperação de mais itens roubados.

O caso expôs a fragilidade no controle de itens de luxo e a facilidade com que produtos roubados podem circular em canais aparentemente legítimos. A investigação promete novos desdobramentos nos próximos meses, com foco em desmantelar completamente a rede criminosa.