Renault Clio evolui para 2026 com motor híbrido 1.8 de 160 cv, design moderno e consumo de 25,6 km/l

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Renault - Foto: josefkubes/istock.com

A Renault apresentou nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, no Salão do Automóvel de Munique, na Alemanha, a sexta geração do Clio, seu icônico hatch compacto que acumula mais de 17 milhões de unidades vendidas desde 1990. O modelo, que segue como um dos líderes de vendas na Europa com 137.969 emplacamentos até julho deste ano, chega com dimensões ampliadas, design inspirado no conceito Emblème de 2024 e uma motorização híbrida inédita de 1.8 litro E-Tech, capaz de entregar 160 cv de potência combinada e consumo médio de 25,6 km/l no ciclo combinado. Essa estreia marca a transição da marca francesa para opções mais eficientes, sem versão 100% elétrica – papel reservado ao Renault 5 –, e responde às normas europeias de emissões que se intensificam a partir de 2026. As vendas começam no início do próximo ano na Europa, com produção na fábrica de Bursa, na Turquia, e sem previsão para o mercado brasileiro, onde a Renault prioriza SUVs como o Kardian.

O novo Clio mede 4,12 metros de comprimento, um aumento de 6,7 centímetros em relação à geração anterior, o que melhora a estabilidade e atende a requisitos de segurança em impactos laterais. A largura chega a 1,77 metro e a altura a 1,45 metro, com entre-eixos de 2,59 metro, mantendo o porta-malas em 391 litros de capacidade, superior ao do Volkswagen Golf, que oferece 381 litros. Essa expansão dimensional permite uma condução mais refinada, com direção recalibrada para 2,6 voltas de volante de uma extremidade à outra, contra 3,3 anteriormente, e peso base de 1.155 kg na versão a gasolina.

A apresentação em Munique destacou o foco em eficiência, com o híbrido E-Tech 1.8 permitindo até 80% do tempo em modo elétrico no uso urbano, graças a uma bateria de 1,4 kWh que se recarrega por regeneração durante frenagens. Essa tecnologia, derivada de inovações da Fórmula 1, combina um motor a gasolina de quatro cilindros em ciclo Atkinson com dois elétricos e uma caixa multimodo de quatro marchas, gerando 15 combinações de tração para otimizar o desempenho. A aceleração de 0 a 100 km/h cai para 8,3 segundos, e as emissões de CO2 ficam em 89 g/km, um avanço de 6% sobre o modelo anterior.

Além do híbrido, o Clio mantém opções acessíveis para mercados variados.

  • Versão 1.2 TCe turbo de três cilindros, com 115 cv e 190 Nm de torque, acoplado a câmbio manual de seis marchas ou EDC de dupla embreagem.
  • Aceleração de 0 a 100 km/h em 10,1 segundos, 2,1 segundos mais rápida que antes.
  • Consumo estimado em 5,0 l/100 km, com emissões de 114 g/km de CO2.
  • Opção Eco-G bicombustível a gasolina e GLP, de 120 cv, para redução de custos em regiões com infraestrutura de gás.

Essas configurações garantem versatilidade, especialmente em países com impostos favoráveis ao GLP, como na Europa Oriental.

Design inspirado no Emblème redefine o visual compacto

O exterior do Clio 2026 rompe com a evolução gradual das gerações passadas e adota traços ousados do conceito Emblème, criando uma silhueta mais atlética e expressiva. A dianteira exibe uma grade hexagonal compacta, faróis full-LED com luzes diurnas em formato de diamantes bisectados e para-choque com vincos pronunciados que evocam agilidade. Essa configuração não só melhora o coeficiente aerodinâmico, mas também integra o novo logotipo da Renault de forma proeminente, simbolizando a herança da marca desde 1972.

Na lateral, as maçanetas das portas traseiras permanecem embutidas, preservando a identidade do modelo, enquanto as caixas de roda ampliadas e as bitolas mais largas conferem estabilidade visual. O comprimento extra permite balanços mais equilibrados, com rodas de até 18 polegadas na versão Esprit Alpine, que adiciona elementos em azul e acabamentos esportivos. A traseira traz lanternas divididas em blocos translúcidos, inspiradas em veículos de corrida, e um aerofólio integrado ao teto que forma um “duplo deck” com a tampa do porta-malas elevada, melhorando o fluxo de ar e o estilo cupê-like.

Renault – Foto: Stoqliq / Shutterstock.com

Essa reformulação estética, supervisionada pela designer Paula Fabregat-Andreu para os segmentos A e B, explora técnicas de produção avançadas para detalhes como molduras em amêndoa nas laterais e superfícies esculpidas que aproximam o carro de produção do conceito original. O resultado é um hatch que parece maior e mais premium, sem comprometer a manobrabilidade urbana essencial ao Clio.

O crescimento dimensional impacta diretamente o conforto interno, com espaço para joelhos traseiros ampliado em 2 centímetros e maior rigidez torsional da carroceria, derivada da plataforma CMF-B atualizada. Essa base, compartilhada com modelos como o Captur, agora suporta melhor os sistemas híbridos e inclui 33,7% de materiais reciclados na versão topo, alinhando-se à meta de neutralidade de carbono da Renault até 2040 na Europa.

Interior tecnológico horizontaliza o painel com telas integradas

O habitáculo do novo Clio prioriza ergonomia e conectividade, com um painel horizontalizado que une duas telas de 10,1 polegadas em uma única moldura, similar ao visto nos elétricos Renault 4 e 5. Essa solução cria uma sensação de amplitude, com o quadro de instrumentos digitais personalizável à esquerda e o sistema multimídia OpenR Link à direita, rodando interface com Google Maps e acesso à Google Play nas versões Techno e Esprit Alpine.

O volante, idêntico ao do SUV Rafale, traz comandos multifuncionais e costuras em azul para a variante Alpine, enquanto o console central inclui porta-copos, nichos para objetos e freio de estacionamento eletrônico. Superfícies emborrachadas e peças em preto brilhante combinam com iluminação ambiente em múltiplas cores, e materiais recicláveis como TENCEL – composto por 60% de fibras vegetais – nos bancos e painéis de portas reduzem o peso e o impacto ambiental. Na configuração automática, a alavanca de câmbio migra para a coluna de direção, liberando espaço para armazenamento.

Esses elementos elevam o nível de sofisticação, com replicação sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, e um sistema de som Harman Kardon de 410 watts com 10 alto-falantes na topo de linha. O ar-condicionado automático bivzona e o carregador wireless por indução completam o pacote, garantindo que o Clio atenda a expectativas de usuários urbanos que demandam praticidade diária.

A modularidade interna mantém o banco traseiro rebatível em 1/3-2/3, expandindo o porta-malas para 1.069 litros, e inclui bancos com ajuste de altura no passageiro dianteiro na Esprit Alpine. Essa configuração facilita o transporte de itens maiores, como bicicletas ou malas de viagem, sem sacrificar o espaço para cinco ocupantes.

Híbrido E-Tech 1.8 eleva eficiência com 160 cv e modos inteligentes

O coração da nova geração reside no sistema híbrido E-Tech 1.8 full hybrid, que substitui o 1.6 anterior por um motor de quatro cilindros de 108 cv em ciclo Atkinson, acoplado a dois elétricos – um de 20 kW para tração e outro de 18 kW como gerador – totalizando 160 cv e 205 Nm de torque. Essa combinação permite acelerações fluidas, com 0 a 100 km/h em 8,3 segundos, e uma velocidade máxima de 180 km/h, enquanto a bateria de 1,4 kWh se recarrega automaticamente via regeneração, eliminando a necessidade de plugue.

No uso misto, o consumo atinge 3,9 l/100 km – equivalente a 25,6 km/l –, com emissões de 89 g/km de CO2, atendendo às metas da União Europeia para 2026. Em ambiente urbano, o sistema opera até 80% em modo elétrico puro, alternando seamless entre os motores graças à caixa multimodo sem embreagem, que usa duas marchas elétricas e quatro térmicas para 15 configurações otimizadas. A autonomia total chega a 1.000 km com tanque cheio de 39 litros, ideal para viagens interestadais.

Os modos de condução incluem EV puro, híbrido dinâmico, e-drive para maximizar a eletricidade, combustão prioritária e recuperação de energia, selecionados automaticamente pelo computador de bordo. Essa inteligência, patenteada em 150 inovações da divisão Horse Powertrain, deriva de tecnologias da F1 e garante transições suaves, sem trancos nas acelerações.

Para quem prefere opções não híbridas, o 1.2 TCe oferece respostas ágeis com turbo de baixa inércia, e a versão Eco-G bicombustível estende a autonomia para até 1.100 km combinando gasolina e GLP, reduzindo custos em 30% em postos compatíveis.

  • Potência combinada de 160 cv no E-Tech, com torque imediato dos elétricos para ultrapassagens seguras.
  • Bateria posicionada sob o piso do porta-malas, preservando o volume de 391 litros sem comprometer o equilíbrio.
  • Regeneração ajustável via paddle no volante, permitindo controle manual da intensidade de frenagem.
  • Modo B na alavanca para maior recuperação em descidas, otimizando a eficiência em rotas montanhosas.
  • Certificação WLTP confirma 89 g/km de CO2, qualificando para incentivos fiscais em vários países europeus.

Dinâmica aprimorada pela plataforma CMF-B recalibrada

A base CMF-B, refinada para a sexta geração, melhora a dirigibilidade com suspensão multilink traseira e barras estabilizadoras mais rígidas, reduzindo o peso em 50 kg na configuração híbrida graças a aços de alta resistência. A direção eletrohidráulica agora exige menos esforço em baixa velocidade, facilitando manobras em tráfego intenso, e a tração dianteira ganha diferencial eletrônico para curvas mais precisas.

Testes internos revelam que o Clio 2026 absorve irregularidades com maciez superior, graças a buchas hidráulicas nos braços de suspensão, e mantém estabilidade em velocidades de rodovia acima de 130 km/h. O baixo centro de gravidade, favorecido pela bateria posicionada baixa, minimiza rolagens laterais, aproximando o hatch de SUVs compactos em termos de confiança.

Na versão Esprit Alpine, freios maiores e modo Sport endurecem a resposta do acelerador e aceleram a direção, elevando o prazer ao dirigir sem sacrificar o conforto diário. Essa calibração equilibra o modelo para famílias e entusiastas, com ruído interno reduzido em 20% por isolamento acústico aprimorado.

A integração de 29 sistemas ADAS inclui assistente de faixa ativa, frenagem de emergência com detecção de ciclistas e cruise control adaptativo com stop-and-go, operando via câmeras de alta resolução e radar frontal. Esses recursos, padrão na topo de linha, monitoram o entorno em 360 graus, com visão 3D para estacionamento automático em vagas paralelas ou perpendiculares.

Estratégia europeia prioriza produção em Bursa e versões variadas

A fábrica de Bursa, responsável por mais de 5 milhões de Clio desde 1969, inicia a produção em massa em dezembro de 2025, com capacidade para 1.000 unidades diárias e foco em exportação para toda a Europa. Essa localização otimiza custos logísticos e atende à demanda crescente por híbridos, com 40% das vendas projetadas para o E-Tech 1.8.

A gama de versões equilibra acessibilidade e luxo: Evolution como entrada com essenciais como ar-condicionado e multimídia de 7 polegadas; Techno adiciona navegação e câmera de ré; Esprit Alpine traz Alcântara nos bancos, pedais de alumínio e projeção de logo nas portas. Preços iniciais estimados em 22.000 euros para a base, subindo para 28.000 euros na híbrida topo.

Essa estrutura reforça o posicionamento do Clio como best-seller, competindo com Peugeot 208 e Ford Fiesta ao oferecer tecnologia de segmento superior em pacote compacto. A ausência de diesel reflete a queda de 70% nas vendas dessa motorização na Europa, enquanto o GLP atende frotas empresariais.

O Salão de Munique serve como vitrine, com o Clio ao lado do Renault 5 Turbo 3E e Emblème, destacando a visão híbrida da marca antes da era totalmente elétrica em 2035.

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