Salário de Kovalic sobe 50% ao comandar Jornal Hoje no lugar de César Tralli
A TV Globo anuncia transformações significativas em sua programação jornalística a partir de novembro de 2025, com Roberto Kovalic assumindo o comando do Jornal Hoje após a promoção de César Tralli para o Jornal Nacional. O jornalista, que atualmente apresenta o Hora 1, recebe um reajuste salarial de 50%, passando de R$ 80 mil para R$ 120 mil mensais, refletindo o peso do novo cargo em um telejornal de grande audiência exibido no horário da tarde. Essas alterações, desencadeadas pela saída de William Bonner do principal noticiário da emissora, visam manter a qualidade e a credibilidade dos programas, garantindo continuidade em meio a uma reestruturação planejada há anos. Kovalic, com 35 anos de casa, traz experiência vasta como repórter e correspondente internacional, enquanto a emissora ajusta posições para equilibrar cargas de trabalho e renovar equipes. O Jornal Hoje, veiculado de segunda a sexta-feira, continua sendo um pilar da grade, misturando notícias urgentes com reportagens de impacto social, e essa transição ocorre em um contexto de adaptação ao consumo de informação diversificado.
Roberto Kovalic expressa entusiasmo pela nova função, destacando sua conexão histórica com o Jornal Hoje, onde veiculou algumas de suas reportagens mais impactantes, como a cobertura inicial do tsunami no Japão em 2011. A mudança não afeta apenas ele; Tiago Scheuer, repórter do Bom Dia Brasil, toma o Hora 1, e Cristiana Sousa Cruz assume como editora-chefe do Jornal Nacional, função antes acumulada por Bonner.
A reestruturação salarial acompanha as promoções, com Tralli elevando seus ganhos de R$ 120 mil para R$ 350 mil no Jornal Nacional, enquanto Bonner reduz de R$ 900 mil para R$ 200 mil ao migrar para o Globo Repórter em 2026, ao lado de Sandra Annenberg, priorizando um ritmo menos intenso.
Trajetória de Roberto Kovalic na Globo
Roberto Kovalic iniciou sua jornada na emissora em 1990, após formar-se em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1986. Começou na Rádio Gaúcha e na RBS TV, afiliada da Globo, cobrindo eventos locais como o motim no Presídio Central em 1987. No Rio de Janeiro, integrou a editoria do Jornal Nacional, participando de coberturas cruciais como a Rio-92 e a Chacina da Candelária em 1993.
De 2000 a 2004, atuou em Brasília, focando em política, incluindo as eleições de 2002. Sua carreira ganhou projeção internacional a partir de 2005, como correspondente em Nova York, onde relatou o furacão Katrina e a eleição de Barack Obama. Em 2009, transferiu-se para Tóquio, sendo o primeiro correspondente da Globo no Japão, e cobriu o terremoto e tsunami de 2011, além do desastre nuclear de Fukushima.
- Cobertura do furacão Katrina em 2005, destacando impactos em Nova Orleans.
- Relato inicial do tsunami japonês em 2011, veiculado no Jornal Hoje.
- Análise da crise econômica global de 2008, direto de Wall Street.
- Reportagens sobre o rompimento da barragem de Brumadinho em 2019, antes de assumir o Hora 1.
Em 2013, passou por Londres, cobrindo eventos como os Jogos Olímpicos de 2012 e a Ucrânia em 2014. Retornou ao Brasil em 2016 como repórter especial em São Paulo, atuando em rodízios de apresentação no SPTV, Bom Dia São Paulo e Jornal Hoje. Em 2019, fixou-se no Hora 1, adaptando-se a uma rotina noturna rigorosa, acordando à meia-noite e dormindo à tarde, com orientação médica para manter o equilíbrio.
Kovalic, aos 60 anos, casado com a jornalista Karina Kovalick e pai de Kiara, mantém discrição sobre a vida pessoal, priorizando o trabalho. Sua promoção reflete a confiança da emissora em profissionais versáteis, capazes de lidar com notícias em tempo real e narrativas profundas.
Impacto das mudanças salariais na equipe
As alterações financeiras vão além de Kovalic, sinalizando uma estratégia da Globo para valorizar posições de destaque enquanto ajusta cargas horárias. Tralli, com 30 anos de carreira, vê seu salário triplicar no Jornal Nacional, onde formará dupla com Renata Vasconcellos a partir de 4 de novembro, assumindo também responsabilidades editoriais.
Bonner, após 29 anos na bancada, opta por redução salarial em troca de menor pressão, focando em reportagens investigativas no Globo Repórter. Essa decisão, gestada há cinco anos, permite mais tempo para família e projetos pessoais, sem aposentadoria imediata.
- Aumento de 50% para Kovalic: de R$ 80 mil para R$ 120 mil no Jornal Hoje.
- Elevação para Tralli: de R$ 120 mil para R$ 350 mil no Jornal Nacional.
- Redução para Bonner: de R$ 900 mil para R$ 200 mil no Globo Repórter.
- Manutenção para Scheuer: salário inicial estimado em R$ 70 mil no Hora 1.
Esses valores, baseados em informações de mercado, destacam disparidades na remuneração do jornalismo televisivo, onde âncoras de telejornais principais recebem mais que repórteres de campo. A Globo, com mais de 4.500 jornalistas, usa esses reajustes para reter talentos em um mercado competitivo com plataformas digitais.
Coberturas marcantes de Kovalic no exterior
A expertise internacional de Kovalic enriquece o Jornal Hoje, que equilibra notícias nacionais com perspectivas globais. Em Nova York, de 2005 a 2008, ele documentou a devastação do furacão Katrina, entrevistando sobreviventes e analisando falhas governamentais na resposta ao desastre, que deixou mais de 1.800 mortos.
No Japão, sua base em Tóquio permitiu coberturas exclusivas do terremoto de magnitude 9.0 em 2011, que gerou o tsunami e o colapso de Fukushima. Kovalic foi um dos primeiros a relatar os riscos nucleares, transmitindo de áreas próximas à usina, e destacou esforços de resgate em Sendai, onde ondas de até 40 metros destruíram comunidades.
Em Londres, de 2013 a 2016, cobriu a Primavera Árabe na Ucrânia e a crise de refugiados na Europa, além de eventos como o referendo do Brexit em 2016. Essas experiências, somadas a parcerias com Tim Lopes no Rio nos anos 1990, moldaram seu estilo factual e empático.
Kovalic também contribuiu para explicações do Plano Real em 1994, ajudando o público a entender a estabilização econômica. Sua volta ao Brasil incluiu a cobertura de Brumadinho, onde relatou buscas por vítimas e críticas ambientais, reforçando seu compromisso com jornalismo de impacto.
Adaptação de Tiago Scheuer ao Hora 1
Tiago Scheuer, 40 anos, assume o Hora 1 após anos como repórter no Bom Dia Brasil e Bom Dia São Paulo. Ingressou na Globo em 2011, vindo da NSC TV em Santa Catarina e da GloboNews. Conhecido por apresentações do mapa do tempo, Scheuer traz dinamismo ao matinal das 4h às 6h, focado em notícias urgentes e trânsito.
Sua promoção fecha o ciclo de mudanças, com Scheuer adaptando-se a horários madrugadores, similar à rotina de Kovalic. O Hora 1, lançado em 2014, registrou crescimento de audiência em 2024, superando 5 pontos no Ibope em São Paulo, graças a coberturas ao vivo de acidentes e política.
Scheuer expressou gratidão pela oportunidade, destacando sua experiência em rodízios de telejornais locais. Com Thais Luquesi no mapa do tempo, o programa mantém equipe estável, priorizando agilidade em um horário de baixa concorrência, mas alta relevância para trabalhadores urbanos.
Renovação editorial no Jornal Nacional
Cristiana Sousa Cruz, 50 anos, torna-se editora-chefe do Jornal Nacional, cargo ocupado por Bonner por 26 anos. Na Globo desde 1995, ela atuou como produtora, editora do Bom Dia Brasil e chefe do escritório em Nova York. Como adjunta há seis anos, supervisionou pautas internacionais e éticas jornalísticas.
Sua ascensão garante continuidade, com foco em apurações rigorosas e equilíbrio em coberturas eleitorais. Tralli e Vasconcellos dividirão a bancada, com Tralli mudando de São Paulo para o Rio, adaptando-se a um estúdio icônico que completa 56 anos em 2025.
O Jornal Nacional, com média de 25 milhões de espectadores diários, enfrenta desafios de migração para streaming, mas mantém liderança. Essas mudanças, anunciadas em 1º de setembro, preparam a emissora para 2026, ano eleitoral, reforçando princípios de imparcialidade.
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