The Town 2025 começou com força total no último fim de semana, dias 6 e 7 de setembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, reunindo cerca de 100 mil pessoas por dia. O festival, que já se consolida como um dos maiores da América Latina, trouxe 16 atrações nos palcos Skyline e The One, com destaque para Green Day, que entregou um show memorável com críticas políticas, e nomes como Burna Boy, Matuê e Lauryn Hill, que agitaram a multidão. Organizado pelos mesmos criadores do Rock in Rio, o evento misturou punk, rap, trap e afrobeats, conquistando desde adolescentes da geração Z até fãs nostálgicos dos anos 90. O ranking dos shows, elaborado com base em performance, setlist e reação do público, revela o impacto de cada apresentação. A energia dos artistas, aliada à diversidade musical, marcou o início do festival.
O evento transformou Interlagos em um epicentro cultural, com palcos grandiosos e uma produção técnica impecável. A plateia, composta majoritariamente por jovens, vibrou com hits contemporâneos, enquanto nomes clássicos como Iggy Pop e Bad Religion trouxeram peso histórico. O festival também foi palco de protestos, com críticas sociais e políticas, como a do Green Day contra o ex-presidente americano Donald Trump.
- Principais destaques do fim de semana:
- Green Day liderou com um show de quase duas horas, repleto de energia punk.
- Burna Boy surpreendeu com batidas pesadas de afrobeats, conquistando até quem não o conhecia.
- Matuê reuniu uma multidão de jovens com seu trap psicodélico.
- Lauryn Hill e seus filhos entregaram um espetáculo emocionante, com hits atemporais.
Energia punk define a abertura
O punk foi um dos grandes protagonistas do The Town 2025, com apresentações que misturaram rebeldia e nostalgia. Green Day, liderando o ranking, subiu ao palco Skyline no domingo com um show que uniu crítica social e energia contagiante. A troca de letra em “American Idiot”, com uma alfinetada ao movimento MAGA de Donald Trump, incendiou o público, que respondeu com uma catarse coletiva. Billie Joe Armstrong, vocalista, ainda celebrou o Dia da Independência do Brasil, conectando-se com a plateia. O setlist, com clássicos como “Basket Case” e “American Idiot”, consolidou a banda como o ponto alto do fim de semana.
Bad Religion, substituto de última hora do Sex Pistols, também entregou uma apresentação sólida. Com 45 anos de carreira, o grupo tocou hinos como “American Jesus” e “21st Century (Digital Boy)”, mostrando por que continua relevante no punk rock. A banda soube aproveitar a oportunidade, mesmo com a mudança repentina na escalação, e conquistou os fãs com sua precisão técnica.
Iggy Pop, aos 78 anos, provou que a idade é apenas um número. Sem camisa e com energia de sobra, o “Padrinho do Punk” abriu com sons de latidos e clássicos como “Search and Destroy”. Sua performance visceral, encerrada com “Louie Louie”, foi um dos momentos mais comentados, reforçando sua lenda no rock.
Trap e rap dominam a geração Z
O trap e o rap brasileiro marcaram forte presença, atraindo uma multidão de adolescentes. Matuê, segundo colocado no ranking, transformou o palco Skyline em uma festa. Com hits como “Kenny G”, o cearense levou o público ao delírio, com jovens cantando cada verso. A presença de convidados como Teto, Wiu e Brandão elevou ainda mais a energia, com um cenário psicodélico que combinou com o estilo do rapper. A conexão com a plateia foi instantânea, mostrando o poder do trap nacional em festivais.
Filipe Ret, outro destaque, abriu o palco Skyline com um show engajado. Com sucessos como “Da Onde Eu Venho” e “Corte Americano”, o rapper celebrou a cena do trap e funk, trazendo uma mensagem de representatividade. Sua entrada triunfal, em um portal luxuoso, marcou o início de uma apresentação que equilibrou carisma e crítica social.
- Nomes que brilharam no rap e trap:
- Matuê: Multidão cantou hits como “Kenny G” com entusiasmo.
- Filipe Ret: Abriu o palco com energia e mensagem engajada.
- Karol Conká, Ebony e Ajuliacosta: Trio feminino destacou o empoderamento no rap.
Afrobeat e soul elevam o festival
Burna Boy trouxe o afrobeats para o centro do The Town, com um show que misturou batidas pesadas da Nigéria, R&B e dancehall caribenho. Sua presença de palco e a banda afiada fizeram o público vibrar, mesmo aqueles que não conheciam seu trabalho. Hits como “Last Last” foram o ponto alto, com graves que ecoaram no Autódromo. A performance do nigeriano mostrou a força crescente do pop africano no cenário global.
Lauryn Hill, acompanhada de seus filhos YG e Zion Marley, entregou um dos shows mais emocionantes. Com clássicos como “Killing Me Softly With His Song”, a americana reafirmou seu status de lenda do soul e hip-hop. Apesar de atrair um público menor que o esperado, a apresentação foi marcada por uma entrega total, com a plateia cantando em coro e se conectando com a mensagem de união e resistência.
Nostalgia e peso do rock nacional
O rock nacional também teve seu espaço, com apresentações que resgataram a energia dos anos 2000. Pitty, no palco The One, abriu com “Máscara” e transformou o show em um grande coral. Hits como “Teto de Vidro” e “Memórias” levaram o público a formar rodinhas punk, atendendo ao pedido da cantora. A energia visceral de Pitty reforçou sua posição como ícone do rock brasileiro.
CPM 22, com 30 anos de carreira, trouxe a nostalgia dos anos 2000 com sucessos como “Um Minuto para o Fim do Mundo”. O público, formado por fãs das gerações X e Y, cantou em uníssono, transformando o show em um karaokê emocionante. Apesar do foco nos álbuns antigos, a banda mostrou vitalidade com faixas do recente disco “Enfrente”.
- Momentos marcantes do rock nacional:
- Pitty: Hits nostálgicos e rodinhas punk agitaram o público.
- CPM 22: Público cantou sucessos dos anos 2000 em coro.
- Capital Inicial: Repetiu setlist clássico, mas sem inovações.
Surpresas e protestos no palco
O festival também foi marcado por momentos inesperados. Supla, ao lado da banda Inocentes, abriu o segundo dia com uma versão inusitada de “As It Was”, de Harry Styles, que dividiu opiniões. Enquanto jovens dançaram, fãs mais antigos estranharam a escolha. A apresentação ainda trouxe um tom político, com críticas à escala de trabalho 6×1 e bandeiras levantadas pelos Inocentes.
Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, surpreendeu ao incluir a rara “Flash of the Blade” no setlist. Sem a grandiosidade de sua banda principal, o cantor focou na potência vocal e na interação com o público, correndo pelo palco e mostrando fôlego impressionante. Sua performance reforçou a relevância de sua carreira solo.
Desafios técnicos e pausas
Nem tudo correu perfeitamente. O show de Don Toliver, que abriu para Travis Scott, foi interrompido por 20 minutos devido a um tumulto no fosso do palco. Apesar do contratempo, o rapper texano entregou um trap melódico com influências de R&B, preparando o público para a energia de Scott. Travis, por sua vez, conquistou a plateia com um show intenso, marcado por sinalizadores acesos, mesmo sendo proibidos.
MC Cabelinho, embora popular entre os jovens, teve uma apresentação criticada por cantar pouco, deixando o público completar as letras. A energia da plateia compensou, mas a performance não alcançou o mesmo impacto de outros nomes do trap.
- Momentos que marcaram o festival:
- Tumulto no show de Don Toliver interrompeu a apresentação.
- Supla e Inocentes surpreenderam com cover e protestos.
- Travis Scott: Sinalizadores proibidos acesos pela plateia.
Um festival para todas as gerações
O The Town 2025 conseguiu equilibrar atrações para públicos diversos, dos adolescentes fãs de trap aos adultos nostálgicos pelo punk e rock dos anos 90 e 2000. A produção impecável, com palcos grandiosos e som de alta qualidade, reforçou a posição do evento como um marco cultural. A presença de artistas internacionais como Green Day, Burna Boy e Lauryn Hill, ao lado de nomes nacionais como Matuê e Pitty, criou um ambiente de celebração musical única.
A diversidade de gêneros, aliada a momentos de protesto e nostalgia, fez do primeiro fim de semana um sucesso. O festival segue nos próximos dias, com expectativa de manter o mesmo nível de energia e impacto cultural.
