Ex-atriz da TV Globo Rejane Schumann, de 74 anos, foi resgatada em condições de extremo abandono em seu apartamento no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na quarta-feira, 3 de setembro de 2025. A ação inicial, liderada pela ativista Deise Falci da ONG Vem Adotar e acompanhada por agentes da 15ª Delegacia de Polícia Civil, visava remover quatro cães e três gatos denunciados por maus-tratos devido a odores fortes e latidos incessantes vindos do imóvel. No entanto, os resgatadores depararam-se com a própria artista em estado pior que o dos animais: desnutrida, sem banho há meses, com sinais evidentes de demência inicial, geladeira vazia e sem água potável, dormindo em um colchão destruído e cercada por pilhas de lixo e fezes. Rejane, que priorizava a alimentação dos pets com ração disponível, demonstrou confusão mental durante a interação, mas manteve lucidez em momentos para relatar sua carreira em novelas como O Astro e Dancin’ Days. O episódio, desencadeado por denúncias anônimas de vizinhos preocupados com o isolamento da idosa, transformou-se em uma intervenção humanitária urgente, mobilizando voluntários para limpeza imediata e doações de itens básicos, enquanto a polícia investiga a posse de cartões de crédito da atriz, possivelmente em mãos de terceiros. Essa descoberta expõe a fragilidade de veteranos do entretenimento sem redes de apoio, levando a uma força-tarefa para cuidados médicos e contato com familiares distantes.
A comoção gerou repercussão imediata nas redes sociais, com fãs relembrando papéis icônicos de Rejane e confundindo-a inicialmente com a falecida Suzana Faini, que também atuou em produções semelhantes. Voluntárias acionadas por Deise realizaram um mutirão de faxina no dia seguinte, removendo resíduos acumulados e instalando lâmpadas no imóvel sem energia elétrica.
- Geladeira vazia e sem água, contrastando com suprimentos para os sete animais.
- Colchão imundo reduzido a molas, indicando falta de higiene prolongada.
- Odor de urina perceptível da rua, alertando vizinhos para a denúncia inicial.
- Sinais de demência confirmados por perda de memória recente e confusão.
Rejane expressou gratidão emocionada ao ver o apartamento transformado, chorando ao receber um novo colchão e roupas de cama limpas, o que reforça seu vínculo afetivo com os pets apesar das limitações.
Detalhes da operação de resgate
Agentes da Polícia Civil chegaram ao prédio residencial por volta do meio-dia de 3 de setembro, após Deise Falci receber alertas sobre o bem-estar dos animais. O apartamento, em uma área nobre da capital gaúcha, apresentava sinais visíveis de negligência externa, como latidos constantes e mau cheiro emanando das janelas. Ao entrar, a equipe encontrou um cenário de insalubridade que ia além do esperado: fezes espalhadas, lixo empilhado em todos os cômodos e uma idosa visivelmente fragilizada sentada em meio ao caos.
Rejane Schumann, nascida Diana Rejane em 30 de junho de 1949 em Canoas, próximo a Porto Alegre, contou aos policiais sobre sua trajetória, mencionando atuações na TV Manchete e na Globo, o que facilitou sua identificação. Apesar da demência, ela reconheceu a impossibilidade de cuidar dos pets e concordou em doá-los, priorizando sua remoção para abrigos. A ativista destacou que a artista, embora magra e faminta, mantinha ração para os bichos, sugerindo um apego emocional que a impedia de buscar ajuda externa.
Os quatro cães, de raças mistas e portes variados, exibiam estresse e infestações por pulgas e carrapatos, com um deles apresentando sarna avançada que exigiu intervenção veterinária imediata. Os três gatos, mais ariscos, mostravam desnutrição leve mas responderam bem ao manuseio inicial, sendo transferidos para clínicas especializadas. Todos passaram por vacinação, desparasitação e exames laboratoriais, com protocolos para reabilitação antes de adoções responsáveis.
A polícia, sob comando do delegado César Carrion, não encontrou indícios de crime contra os animais, mas iniciou averiguação sobre os cartões de crédito de Rejane, intimando possíveis detentores para esclarecimentos. Uma sobrinha foi localizada e assumirá cuidados a longo prazo, permitindo que Rejane saia temporariamente do isolamento.
Trajetória inicial na teledramaturgia
Rejane Schumann iniciou sua jornada artística nos anos 1970, após formar-se em teatro e direito na região metropolitana de Porto Alegre. Sua estreia nacional veio com participações em produções regionais, mas o salto para o estrelato ocorreu na TV Globo, onde integrou elencos de novelas que definiram uma era da televisão brasileira. Em O Feijão e o Sonho, de 1976, ela interpretou personagens que exploravam dilemas sociais cotidianos, adicionando camadas emocionais às tramas principais.
A versatilidade se destacou em Espelho Mágico, de 1977, onde contribuiu para narrativas sobre família e mistério, consolidando sua presença em horários nobres. Seu papel em O Astro, entre 1977 e 1978, marcou um ponto alto, com cenas de drama familiar que cativaram o público e renderam elogios pela naturalidade de sua atuação. Dancin’ Days, em 1978, trouxe um tom mais leve e moderno, com temas de empoderamento feminino e trilha sonora icônica, onde Rejane brilhou em interações que misturavam moda e relacionamentos complexos.
Esses trabalhos iniciais pavimentaram uma carreira que mesclava entretenimento com reflexões sociais, influenciando gerações de atrizes. Rejane equilibrava gravações com sua prática advocatícia em Porto Alegre, demonstrando equilíbrio entre arte e profissão.
- Participações em O Feijão e o Sonho: Exploração de questões rurais e urbanas.
- Espelho Mágico: Contribuições em arcos de suspense e relações interpessoais.
- O Astro: Dramas familiares intensos com foco em ambição e perda.
- Dancin’ Days: Temas de liberdade e dança como metáfora de transformação.
Sua abordagem autêntica, enraizada na formação gaúcha, a diferenciava em um elenco diversificado da época.
Contribuições no cinema e jornalismo
Além da televisão, Rejane expandiu horizontes para o cinema nos anos 1970, atuando em filmes que capturavam essências regionais e narrativas independentes. Em Ana Terra, de 1972, ela deu vida a personagens que retratavam lutas do interior gaúcho, com diálogos que ecoavam a cultura local. O Pobre João, de 1974, explorou comédias leves com toques sociais, onde sua interpretação adicionou humor sutil e profundidade emocional.
A Quadrilha do Perna-Dura, em 1976, marcou sua versatilidade em gêneros de aventura e faroeste brasileiro, com cenas de ação que destacavam sua presença física e carisma. Esses papéis no cinema, muitas vezes em produções de baixo orçamento, permitiram experimentações que contrastavam com o formato televisivo, enriquecendo sua filmografia.
Como jornalista, Rejane atuou em veículos impressos e rádio de Porto Alegre, cobrindo eventos culturais e entrevistando artistas da época. Sua escrita, influenciada pela formação em direito, abordava direitos autorais e preservação do patrimônio artístico, com artigos publicados em jornais locais que defendiam a classe teatral. Ela também se dedicou à literatura, lançando obras que mesclavam ficção com memórias pessoais, recebendo críticas por uma prosa direta que refletia experiências vividas.
Essa multifacetada carreira a posicionou como figura respeitada no Sul do país, onde equilibrava advocacia com criações artísticas, influenciando debates sobre cultura e sociedade na década.
Rejane manteve independência ao longo da vida, optando por residir sozinha em Porto Alegre após o auge da fama, o que agora revela vulnerabilidades comuns a idosos sem suporte familiar próximo.
Cuidados imediatos e mobilização comunitária
Após o resgate, Deise Falci coordenou ações rápidas para estabilizar a situação de Rejane. Voluntários doaram alimentos não perecíveis, produtos de higiene e medicamentos básicos, abastecendo a geladeira pela primeira vez em meses. Um médico avaliou a idosa no local, confirmando desnutrição e recomendando consultas especializadas em geriatria e neurologia para monitorar a demência.
O mutirão de limpeza, realizado no dia 4 de setembro, removeu toneladas de resíduos, desinfetou superfícies e restaurou a funcionalidade do apartamento, transformando um espaço caótico em ambiente habitável. Rejane, ao retornar, expressou alívio ao ver as mudanças, participando ativamente da organização de seus pertences pessoais.
Profissionais de saúde mental enfatizam a necessidade de acompanhamento contínuo, com sessões semanais para lidar com o isolamento prolongado que agravou o quadro cognitivo. A ativista utilizou plataformas online para arrecadar fundos, cobrindo custos com veterinários para os pets e terapias para a artista, resultando em contribuições de fãs e comunidades locais.
Uma sobrinha, contatada pela polícia, planeja acolher Rejane em sua residência, garantindo moradia segura e rotina assistida. Essa rede emergente contrasta com o afastamento voluntário da família relatado por fontes próximas, onde a idosa recusava visitas por preferência à independência.
- Doações iniciais: Alimentos, colchão novo e itens de limpeza essenciais.
- Avaliação médica: Confirmação de desnutrição e demência leve.
- Arrecadação online: Recursos para medicamentos e consultas especializadas.
- Plano familiar: Mudança para casa de parente com monitoramento diário.
Essas medidas imediatas previnem agravamentos, integrando apoio social e animal em uma resposta coordenada.
Papéis marcantes em Pai Herói e além
Pai Herói, de 1979, representou um ápice na carreira de Rejane, com sua personagem secundária enriquecendo tramas de justiça e família que abordavam corrupção e redenção. Sua atuação, marcada por intensidade emocional, complementava o elenco principal e contribuiu para o sucesso da novela, que explorava dilemas éticos da sociedade brasileira da época.
Além disso, Rejane integrou montagens teatrais regionais no Rio Grande do Sul, interpretando clássicos que questionavam normas sociais e gênero, influenciada por sua advocacia em causas femininas. No jornalismo, suas reportagens em rádio cobriam festivais culturais, promovendo artistas emergentes e preservando tradições gaúchas através de entrevistas detalhadas.
Como escritora, publicou ensaios sobre o impacto da televisão na cultura, analisando como novelas moldavam debates públicos nos anos 1970. Essas contribuições literárias, publicadas em revistas especializadas, destacavam sua visão analítica, mesclando experiências pessoais com observações sociais.
Sua trajetória multifacetada, que incluiu equilíbrio entre tela, palco e tribuna, a tornou referência para profissionais do entretenimento no Sul, onde defendia contratos justos para atores em disputas judiciais.
Rejane optou por se afastar gradualmente da fama, focando em projetos locais, o que permitiu uma vida discreta até o episódio recente expor sua solidão.
Situação dos animais e protocolos de adoção
Os sete pets resgatados receberam atenção prioritária em clínicas veterinárias de Porto Alegre, com exames completos revelando condições variadas mas tratáveis. Os cães, incluindo um com sarna, foram isolados para medicação tópica e oral, respondendo bem ao tratamento em poucas semanas. Os gatos, desnutridos mas sem infecções graves, ganharam dietas enriquecidas para recuperação de peso.
A ONG Vem Adotar coordena o processo de realocação, exigindo avaliações de potenciais adotantes para garantir ambientes adequados e visitas domiciliares. Campanhas de conscientização na região promovem adoções éticas, destacando a importância de castração e vacinação contínua.
Rejane, ao se despedir dos animais, expressou tristeza mas alívio, reconhecendo que não poderia mais prover cuidados. Os bichos, agora em abrigos temporários, mostram melhoras comportamentais, com interações positivas que facilitam futuras famílias.
- Exames iniciais: Pulgas, carrapatos e sarna em um cão; desnutrição nos gatos.
- Tratamentos: Vacinas atualizadas e desparasitação para todos.
- Processo de adoção: Triagem rigorosa com comprovação de condições ideais.
- Benefícios observados: Redução de estresse e ganho de saúde física.
Essa fase reforça a interligação entre resgates humanos e animais, promovendo reabilitação integral.
