Jorge Sampaoli e Leonardo Jardim: novos capítulos na saga de técnicos do Galo e Raposa

8 min de leitura
Leo Jardim Foto: Leo Jardim - Foto: ggaleixo / Cruzeiro

Atlético-MG e Cruzeiro, dois gigantes do futebol mineiro, protagonizam uma rivalidade histórica que vai além do campo e se reflete na constante troca de treinadores no século XXI. Desde 2000, o Galo teve 43 técnicos, enquanto a Raposa contou com 41, sendo 13 nomes que comandaram ambos os clubes. A recente chegada de Jorge Sampaoli ao Atlético-MG, substituindo Cuca, e de Leonardo Jardim ao Cruzeiro, no lugar de Fernando Diniz, reacende o debate sobre a instabilidade técnica dos rivais. Em Belo Horizonte, as mudanças frequentes são impulsionadas por pressões da torcida, resultados em campo e ambições por títulos. No próximo dia 11 de setembro de 2025, no Mineirão, os dois treinadores se enfrentam pelas quartas de final da Copa do Brasil, com o Cruzeiro levando vantagem de 2 a 0. A rotatividade de técnicos reflete a busca incessante por sucesso em um dos maiores clássicos do Brasil.

A dança dos treinadores no futebol mineiro é marcada por números expressivos. O Atlético-MG, com 30 técnicos diferentes, e o Cruzeiro, com 35, mostram a volatilidade do cargo. Treze profissionais trabalharam nos dois clubes, incluindo nomes como Cuca, Levir Culpi e Vanderlei Luxemburgo, que deixaram marcas em ambos os lados.

  • Nomes de peso: Abel Braga, Celso Roth e Marcelo Oliveira são alguns dos técnicos que transitaram entre Galo e Raposa.
  • Títulos em jogo: A pressão por conquistas, como o Brasileiro e a Libertadores, muitas vezes acelera as demissões.
  • Rivalidade intensa: A troca constante reflete a exigência de torcedores e diretorias por resultados imediatos.

Essa rotatividade, embora comum, levanta questões sobre a estabilidade e o planejamento a longo prazo nos clubes.

Histórico de trocas no Atlético-MG

O Atlético-MG viveu momentos de glória e turbulência no século XXI, com 43 treinadores assumindo o comando desde 2000. Levir Culpi, com cinco passagens, é o nome mais associado ao clube, conquistando seis títulos, incluindo a Copa do Brasil de 2014. Cuca também se destaca, com sete troféus, como a Libertadores de 2013 e o Brasileiro de 2021. Jorge Sampaoli, que retorna ao Galo em 2025, marcou sua primeira passagem em 2020 com o Campeonato Mineiro e um estilo ofensivo que elevou o nível do elenco.

Por outro lado, nem todos os técnicos deixaram saudades. Tite, por exemplo, é lembrado pelo rebaixamento de 2005, um dos momentos mais difíceis da história alvinegra. A lista de treinadores inclui:

  • Levir Culpi: 320 jogos, seis títulos, incluindo a Copa do Brasil de 2014.
  • Cuca: 286 jogos, com destaque para a Libertadores de 2013 e o Brasileiro de 2021.
  • Jorge Sampaoli: 45 jogos em 2020, com 64,4% de aproveitamento.
  • Gabriel Milito: Vice-campeão da Libertadores em 2024.

A chegada de Sampaoli em 2025, com contrato até 2027, reacende a esperança da torcida por uma nova era de conquistas, mas a pressão por resultados imediatos permanece.

Cruzeiro e suas mudanças no comando

O Cruzeiro, com 41 treinadores desde 2000, também viveu sua cota de altos e baixos. A Raposa começou o século com Felipão, que conquistou a Copa Sul-Minas em 2001 e pavimentou o caminho para o pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira em 2002. Vanderlei Luxemburgo marcou época com a Tríplice Coroa de 2003, vencendo Mineiro, Copa do Brasil e Brasileiro. Marcelo Oliveira, com dois Brasileiros (2013 e 2014), e Mano Menezes, com duas Copas do Brasil (2017 e 2018), também entraram para a história.

No entanto, o clube enfrentou momentos difíceis, como o rebaixamento em 2019 sob o comando de Adílson Batista. A recuperação veio com Paulo Pezzolano, que garantiu o retorno à Série A em 2022. Leonardo Jardim, atual técnico, assumiu em 2025 e tem conquistado a torcida com uma campanha sólida no Brasileirão e na Copa do Brasil.

  • Títulos marcantes: Tríplice Coroa de 2003 e Brasileiros de 2013 e 2014.
  • Nomes repetidos: Felipão, Luxemburgo e Mano Menezes tiveram mais de uma passagem.
  • Estrangeiros no comando: Paulo Pezzolano e Leonardo Jardim trouxeram perspectivas internacionais.

A estabilidade de Jardim será testada no clássico contra o Atlético-MG, onde a vantagem na Copa do Brasil pode consolidar sua posição.

Técnicos em comum: uma ponte entre rivais

A presença de 13 treinadores que comandaram tanto Atlético-MG quanto Cruzeiro destaca a peculiaridade da rivalidade mineira. Esses profissionais, como Cuca e Levir Culpi, enfrentaram o desafio de agradar torcidas exigentes e muitas vezes polarizadas.

  • Cuca: Campeão da Libertadores com o Galo (2013) e Mineiro com o Cruzeiro (2010).
  • Levir Culpi: Títulos pelo Atlético-MG e passagem pelo Cruzeiro em 2004 e 2005.
  • Vanderlei Luxemburgo: Tríplice Coroa com o Cruzeiro (2003) e passagem pelo Galo em 2010.
  • Marcelo Oliveira: Bicampeão brasileiro com o Cruzeiro e passagens pelo Atlético-MG.

Esses nomes mostram como a rivalidade não impede a troca de talentos, mas também evidencia a pressão por resultados que ambos os clubes enfrentam.

O impacto das trocas na rivalidade

A constante mudança de treinadores reflete a busca por sucesso em um cenário competitivo. No Atlético-MG, a chegada de Sampaoli em 2025, após a saída de Cuca, é vista como uma tentativa de recuperar o brilho de 2020, quando o argentino transformou o time em uma máquina ofensiva. No Cruzeiro, Leonardo Jardim trouxe consistência, com a equipe liderando o Brasileirão e avançando na Copa do Brasil.

A rotatividade, porém, tem seu preço. Projetos de longo prazo são raros, e a pressão por resultados imediatos muitas vezes interrompe ciclos promissores. No clássico de 11 de setembro, a rivalidade ganha um novo capítulo, com o Galo precisando reverter um placar adverso e a Raposa buscando consolidar sua vantagem.

  • Pressão por resultados: Derrotas em clássicos frequentemente aceleram demissões.
  • Torcida exigente: A Massa alvinegra e a Nação Azul cobram títulos constantemente.
  • Estilo de jogo: Sampaoli e Jardim trazem abordagens táticas distintas, prometendo um duelo estratégico.

O confronto será um teste não apenas para os jogadores, mas também para a capacidade dos treinadores de se adaptarem à pressão do clássico.

O clássico de 2025: um divisor de águas

O jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil, no Mineirão, coloca Atlético-MG e Cruzeiro em um momento crucial. O Cruzeiro, com a vantagem de 2 a 0, joga por um empate ou até uma derrota por um gol. O Atlético-MG, sob o comando de Sampaoli, precisa de uma vitória por dois gols para levar a decisão aos pênaltis ou por três para avançar diretamente.

Sampaoli, conhecido por seu estilo ofensivo, terá o desafio de reorganizar o time em poucos dias, aproveitando o período da Data Fifa para ajustes táticos. Jardim, por sua vez, aposta na solidez defensiva que marcou sua campanha no Brasileirão. O resultado do clássico pode definir o rumo de ambos os treinadores em seus clubes, especialmente para Sampaoli, que estreia em um momento de alta pressão.

  • Histórico recente: O Cruzeiro venceu o primeiro jogo por 2 a 0 na Arena MRV.
  • Estádio lotado: O Mineirão espera mais de 60 mil torcedores para o clássico.
  • Tática em foco: Sampaoli deve apostar em um 5-4-1 ofensivo, enquanto Jardim prioriza a defesa.

O confronto promete ser um marco na temporada de ambos os clubes, com implicações que vão além do resultado em campo.

Curiosidades da rivalidade técnica

A troca de treinadores entre Atlético-MG e Cruzeiro também gerou momentos curiosos e emblemáticos. Alguns técnicos, como Cuca, conseguiram conquistar títulos nos dois lados, enquanto outros, como Tite, enfrentaram críticas severas. A rivalidade mineira é um caldeirão de emoções, onde o sucesso de um treinador em um clube pode ser um peso quando ele assume o rival.

  • Números impressionantes: Juntos, Galo e Raposa tiveram 84 treinadores desde 2000.
  • Estrangeiros em alta: Sampaoli e Jardim são exemplos da crescente presença de técnicos de fora do Brasil.
  • Clássicos decisivos: Muitos técnicos foram demitidos após derrotas no confronto direto.

A história dos treinadores reflete a intensidade de uma rivalidade que continua a moldar o futebol mineiro.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

Notícias relacionadas