A partir de 1º de setembro de 2025, os bancários de todo o Brasil terão seus salários, vales e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) reajustados em 5,68%, conforme definido pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) assinada em 2024. O índice, que combina o INPC acumulado de 5,05% entre setembro de 2024 e agosto de 2025 com um aumento real de 0,6%, foi oficializado em 10 de setembro de 2025, após a divulgação do IBGE. A conquista, resultado da mobilização na Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2024, beneficia trabalhadores de bancos públicos e privados, garantindo não apenas ganhos financeiros, mas também avanços em direitos trabalhistas. O ajuste impacta verbas como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche, além da PLR, cuja primeira parcela será paga até 30 de setembro de 2025. A luta sindical foi essencial para assegurar esses benefícios em um cenário de negociações desafiadoras com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
A mobilização dos bancários, liderada pelo Comando Nacional dos Bancários, resultou em um acordo bianual que protege a categoria contra perdas inflacionárias e amplia direitos. A CCT, válida até agosto de 2026, é considerada uma referência no mercado de trabalho, com 85% de suas cláusulas superando as garantias da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
- Principais conquistas da CCT 2024-2026:
- Reajuste de 5,68% em salários, PLR e benefícios em 2025.
- Manutenção de direitos históricos, como licenças ampliadas.
- Avanços no combate ao assédio moral e sexual nos bancos.
Detalhes do reajuste salarial
O índice de 5,68% será aplicado a partir de 1º de setembro de 2025, abrangendo salários, benefícios e a PLR. O INPC, que serve como base para o cálculo, registrou variação negativa de 0,21% em agosto de 2025, mas o acumulado de 12 meses atingiu 5,05%. Somado ao aumento real de 0,6%, o reajuste garante um ganho acima da inflação, algo celebrado pelos sindicatos como uma vitória em tempos de pressões econômicas. A aplicação do índice também cobre os salários de ingresso e pós-admissão, ajustando os valores praticados até 31 de agosto de 2025.
O processo de negociação, conduzido em 2024, enfrentou resistência da Fenaban, que buscava reduzir o impacto financeiro dos reajustes. A unidade da categoria, no entanto, foi decisiva para manter a mesa única de negociação e assegurar o aumento real. “A força da mobilização garantiu que os bancos não impusessem perdas salariais”, destacou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
- Benefícios ajustados pelo índice:
- Vale-refeição: R$ 53,32 por dia (R$ 1.173,12 mensais).
- Vale-alimentação: R$ 924,47.
- Auxílio-creche: R$ 697,14.
- Ajuda de custo para teletrabalho: R$ 1.199,05.
Impacto na PLR e prazos de pagamento
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) também será corrigida em 5,68%, abrangendo as parcelas fixa, adicional e os tetos estabelecidos. A primeira parcela, conhecida como antecipação, deve ser paga por todos os bancos até 30 de setembro de 2025, com o Banco do Brasil antecipando o crédito para 12 de setembro. A segunda parcela, que reflete o lucro consolidado dos bancos em 2025, tem prazo até 1º de março de 2026.
Os cinco maiores bancos do Brasil – Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa – reportaram lucros superiores a R$ 91 bilhões entre janeiro e setembro de 2024, o que reforça a expectativa de uma PLR robusta em 2025. A antecipação da PLR é um momento aguardado pelos bancários, já que representa um alívio financeiro significativo no segundo semestre.
- Prazos de pagamento da PLR:
- Antecipação: até 30 de setembro de 2025 (Banco do Brasil: 12 de setembro).
- Segunda parcela: até 1º de março de 2026.
- Exceções: bancos com prejuízo no primeiro semestre de 2025 estão isentos da antecipação.
Avanços além do reajuste
A Campanha Nacional de 2024 não se limitou a conquistas salariais. A CCT trouxe avanços em questões sociais e trabalhistas, reforçando a proteção dos bancários. Entre os destaques estão medidas contra o assédio moral e sexual, com a criação de canais específicos para denúncias e políticas de prevenção. Além disso, os bancos se comprometeram a promover a isonomia salarial entre homens e mulheres, ampliar a inclusão de pessoas LGBTQIA+ e investir em programas de requalificação para acompanhar as transformações tecnológicas no setor.
A realização de um novo Censo da Diversidade também foi acordada, com o objetivo de mapear o perfil da categoria e identificar áreas para maior inclusão. “Esses avanços mostram que a luta sindical vai além do salário, abrangendo a dignidade no ambiente de trabalho”, afirmou Sergio Takemoto, presidente da Fenae.
Mobilização contínua da categoria
Embora 2025 não tenha uma Campanha Nacional devido à validade bianual da CCT, os sindicatos mantêm uma agenda ativa. No dia 28 de agosto, Dia Nacional dos Bancários, entidades em todo o país promoveram debates sobre os desafios do setor financeiro. A mobilização contínua é vista como essencial para preparar a categoria para as negociações de 2026, quando a CCT será renovada.
Os sindicatos também incentivam a sindicalização para fortalecer a representatividade da categoria. “A participação de cada bancário é crucial para manter nossas conquistas e avançar ainda mais”, reforçou Lourival Rodrigues, presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande.
- Ações sindicais previstas para 2025:
- Mesas permanentes de negociação com bancos.
- Atividades no Dia Nacional dos Bancários (28 de agosto).
- Campanhas de sindicalização para reforçar a luta coletiva.
Valores atualizados e benefícios
Os benefícios econômicos da CCT são um dos pilares da valorização dos bancários. Além dos salários e da PLR, verbas como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche foram ajustadas em 5,68%. Esses valores representam um alívio no orçamento dos trabalhadores, especialmente em um cenário de inflação persistente.
O vale-refeição, por exemplo, passa a R$ 1.173,12 por mês, enquanto o vale-alimentação alcança R$ 924,47. O auxílio-creche, voltado para bancários com filhos pequenos, agora é de R$ 697,14, e a ajuda de custo para teletrabalho foi ajustada para R$ 1.199,05, refletindo a crescente adoção desse modelo de trabalho no setor.
- Benefícios atualizados em 2025:
- 13º vale-alimentação: R$ 924,47.
- Folga assiduidade: mantida na CCT.
- Licenças ampliadas: maternidade/adoção e paternidade.
Conquistas históricas da CCT
A Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários é reconhecida como uma das mais robustas do país, com mais de 100 cláusulas que garantem direitos acima da legislação trabalhista. Entre os benefícios estão licenças ampliadas, abono de faltas para estudantes e medidas de proteção contra metas abusivas, que têm sido uma preocupação constante no setor.
A luta pela manutenção da CCT como mesa única de negociação, abrangendo bancos públicos e privados, foi um dos pontos centrais da campanha de 2024. A resistência dos bancos em aceitar a proposta inicial dos sindicatos exigiu rodadas exaustivas de negociação, mas a mobilização garantiu a preservação de todos os direitos.
- Direitos históricos mantidos:
- Igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho.
- Auxílio para filhos com deficiência.
- Regulamentação do teletrabalho com ajuda de custo.
Preparação para 2026
Com a validade da CCT até agosto de 2026, os bancários já começam a se organizar para a próxima campanha. As negociações futuras serão cruciais para manter os ganhos reais e ampliar as conquistas sociais. A categoria enfrenta desafios como a automação no setor bancário e a pressão por metas, mas a unidade sindical tem se mostrado um diferencial.
Os sindicatos planejam intensificar as mesas permanentes de negociação ao longo de 2025, abordando temas como saúde mental no trabalho e requalificação profissional. A expectativa é que a força coletiva continue sendo o principal instrumento para proteger os direitos dos bancários.
- Prioridades para 2026:
- Ampliação de programas de requalificação.
- Fortalecimento da luta contra metas abusivas.
- Renovação da CCT com novos avanços sociais.

