Defesa Civil alerta 466 cidades de SP para umidade crítica e risco de incêndios
A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu, na tarde de quinta-feira, 11 de setembro de 2025, às 13h16, o terceiro alerta severo de baixa umidade relativa do ar, com índices abaixo de 12%, afetando 466 municípios. A notificação, enviada pelo sistema Cell Broadcast, alcançou regiões como Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília, Araraquara, Barretos, Franca e Itapeva, que enfrentam condições climáticas críticas. O aviso destaca riscos à saúde, como irritações respiratórias, e o aumento de queimadas em vegetação, orientando a população a beber água e evitar atividades ao ar livre. A medida integra a Operação SP Sem Fogo, que combate incêndios durante a estiagem.
A situação reflete um cenário de calor intenso e ar seco, agravado pelo fim do inverno. A Defesa Civil monitora as condições em tempo real, podendo emitir novos alertas. O texto enviado aos celulares reforça: “Perigo! Umidade do ar em nível crítico. Alto risco de incêndios florestais. Beba água e NÃO faça queimadas”.
- Principais cidades afetadas: Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, São José do Rio Preto.
- Riscos à saúde: Irritação nos olhos, nariz e garganta; agravamento de doenças respiratórias.
- Medidas preventivas: Hidratação constante, umidificação de ambientes e proibição de queimadas.
Condições climáticas extremas
O alerta foi disparado devido a índices de umidade relativa do ar próximos ou inferiores a 12%, considerados de emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda níveis próximos a 60% para o bem-estar humano. As temperaturas em diversas regiões ultrapassaram 35°C, intensificando o desconforto e os riscos. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) identificou que as condições atuais favorecem a propagação de incêndios, especialmente em áreas de vegetação seca.
A estiagem prolongada, típica do período que antecede a primavera, contribui para o agravamento do cenário. Regiões do interior, como Ribeirão Preto e Presidente Prudente, enfrentam temperaturas que podem chegar a 41°C, segundo previsões meteorológicas. A combinação de calor extremo e baixa umidade cria um ambiente propício para problemas respiratórios e incêndios descontrolados.
Medidas de prevenção recomendadas
A Defesa Civil orienta a população a adotar cuidados específicos para minimizar os impactos do clima seco. As recomendações incluem ações práticas para proteger a saúde e evitar incidentes com fogo:
- Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede, para manter a hidratação.
- Evitar exercícios físicos ao ar livre entre 10h e 16h, período de maior calor.
- Usar umidificadores ou bacias com água para aumentar a umidade em ambientes internos.
- Não realizar queimadas, que podem desencadear incêndios florestais de grandes proporções.
- Proteger os olhos e vias respiratórias com óculos e máscaras em áreas muito secas.
Essas medidas são cruciais, especialmente para grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias crônicas, que sofrem mais com os efeitos do ar seco.
Impacto nas regiões afetadas
As 466 cidades sob alerta representam mais de 70% dos 645 municípios paulistas, cobrindo áreas urbanas e rurais. Cidades como Campinas e Sorocaba, com grande densidade populacional, enfrentam desafios adicionais, como o aumento de atendimentos médicos por problemas respiratórios. Em áreas rurais, como as regiões de Araçatuba e Itapeva, o risco de queimadas ameaça plantações e áreas de preservação ambiental.
O Mapa de Risco de Incêndio da Defesa Civil classifica essas regiões em nível de emergência, com monitoramento constante para identificar novos focos de calor. Em 2025, o estado já registrou mais de 250 incêndios florestais, muitos potencializados pelas condições climáticas atuais. A Operação SP Sem Fogo intensifica a fiscalização e a conscientização para reduzir esses números.
Sistema Cell Broadcast e tecnologia
O sistema Cell Broadcast, utilizado para enviar os alertas, é uma ferramenta eficaz que alcança automaticamente celulares com tecnologia 4G ou 5G nas áreas afetadas. Diferentemente de mensagens SMS, o sistema não depende de cadastros prévios e entrega notificações em tempo real, garantindo ampla cobertura. A tecnologia é parte da estratégia estadual para prevenir desastres climáticos e informar a população rapidamente.
A implementação do Cell Broadcast começou a ser ampliada em São Paulo em 2023, com foco em situações de emergência, como chuvas intensas e estiagens severas. Durante a atual onda de calor, o sistema foi essencial para alertar milhões de moradores em poucos minutos. A Defesa Civil planeja expandir ainda mais o uso dessa tecnologia em 2026, integrando-a a outros sistemas de monitoramento climático.
- Vantagens do Cell Broadcast:
- Alcance imediato a grandes populações.
- Não requer conexão ativa à internet.
- Mensagens curtas e objetivas, com até 90 caracteres.
- Compatível com redes 4G e 5G.
Histórico de estiagens em São Paulo
O estado de São Paulo tem enfrentado períodos de estiagem cada vez mais intensos nos últimos anos, especialmente entre agosto e setembro. Em 2024, o número de alertas de baixa umidade foi menor, mas as condições de 2025 indicam um agravamento do cenário climático. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que a umidade relativa do ar em setembro de 2025 é uma das mais baixas dos últimos cinco anos em várias regiões do estado.
A cidade de Ribeirão Preto, por exemplo, registrou índices de umidade abaixo de 10% em alguns dias, próximos aos encontrados em desertos. Esse cenário eleva a preocupação com a saúde pública e a preservação ambiental, já que a vegetação seca se torna altamente inflamável. Campanhas educativas, como a Operação SP Sem Fogo, têm buscado reduzir o impacto humano, como queimadas intencionais, que agravam os incêndios.
Cuidados com a saúde no clima seco
A baixa umidade relativa do ar pode causar uma série de problemas à saúde, especialmente em períodos prolongados. Médicos alertam que a exposição contínua a índices abaixo de 20% aumenta o risco de desidratação, dores de cabeça e infecções respiratórias. Em crianças e idosos, os sintomas podem ser mais graves, incluindo sangramentos nasais e dificuldade para respirar.
Hospitais nas regiões afetadas, como Bauru e Araraquara, já relatam um aumento de até 15% nos atendimentos por problemas respiratórios desde o início de setembro. A recomendação é que a população evite locais com poeira ou fumaça e mantenha as janelas fechadas em horários de maior poluição. Umidificar o ambiente com toalhas molhadas ou aparelhos específicos também é uma solução prática e acessível.
Ações do poder público
O governo estadual, por meio da Defesa Civil, tem intensificado esforços para mitigar os efeitos da estiagem. Além dos alertas via Cell Broadcast, a Operação SP Sem Fogo inclui fiscalizações em áreas rurais e urbanas para coibir queimadas ilegais. Equipes do Corpo de Bombeiros estão em estado de alerta para responder rapidamente a focos de incêndio, especialmente em regiões como Franca e Barretos, onde a vegetação está mais suscetível.
A Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo também anunciou a ampliação de programas de reflorestamento e monitoramento de áreas verdes, visando reduzir os impactos de futuras estiagens. Essas ações são complementadas por campanhas de conscientização nas redes sociais, incentivando a população a adotar práticas sustentáveis.
- Iniciativas em andamento:
- Fiscalização de queimadas ilegais em áreas rurais.
- Campanhas educativas nas redes sociais e mídia local.
- Ampliação de áreas de reflorestamento no interior do estado.
- Parcerias com prefeituras para monitoramento climático local.
Previsão para os próximos dias
A previsão do tempo para os próximos dias indica que o clima seco deve persistir em grande parte do estado. Na capital paulista, as temperaturas podem atingir 29°C na quinta-feira, 11 de setembro, com umidade relativa do ar variando entre 15% e 20%. No interior, cidades como São José do Rio Preto e Presidente Prudente podem enfrentar máximas de até 40°C, mantendo o estado de alerta. Não há previsão de chuvas significativas até o final da semana, o que prolonga o risco de incêndios e problemas de saúde.
Meteorologistas alertam que a primavera, que começa oficialmente em 22 de setembro, pode trazer alívio com chuvas esparsas, mas a transição será gradual. Até lá, a população deve manter as medidas preventivas para enfrentar o clima seco e proteger a saúde.
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