Famílias de crianças nascidas com deficiência permanente causada pela síndrome congênita do vírus Zika já podem solicitar benefícios financeiros junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Portaria Conjunta nº 69, publicada em 8 de setembro de 2025 pelo Ministério da Previdência Social (MPS) e pelo INSS, regulamenta o pagamento de uma indenização por dano moral de R$ 50 mil, em parcela única, e uma pensão especial vitalícia de R$ 8.157,41, equivalente ao teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Os benefícios, voltados para crianças nascidas no Brasil entre 2015 e 2025, atendem a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e reforçam o compromisso do governo em amparar famílias afetadas pelo surto de Zika. O requerimento deve ser feito preferencialmente pelo aplicativo Meu INSS, com apresentação de documentos como CPF, identificação do responsável legal e laudo médico que comprove a deficiência. A medida, que abrange cerca de 3 mil crianças, marca um avanço na reparação de danos causados pela epidemia que assolou o país, especialmente entre 2015 e 2016.
A iniciativa surge após anos de luta de famílias que enfrentam os desafios de cuidar de crianças com sequelas graves, como microcefalia e alterações neuropsicomotoras. A regulamentação detalha os procedimentos e critérios para acesso aos benefícios, garantindo segurança jurídica.
- Benefícios disponíveis: Indenização de R$ 50 mil e pensão mensal de R$ 8.157,41.
- Prazo para solicitação: Pedidos devem ser feitos até 31 de outubro de 2025.
- Documentação necessária: CPF, identificação e laudo médico homologado.
- Canais de atendimento: Preferencialmente pelo aplicativo Meu INSS ou telefone 135.
O processo de solicitação foi simplificado para facilitar o acesso, mas exige comprovação médica rigorosa para evitar fraudes e garantir que os benefícios cheguem aos elegíveis.
Detalhes da regulamentação
A Portaria Conjunta nº 69 estabelece critérios claros para a concessão dos benefícios. Crianças nascidas entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2024, com deficiência permanente causada pela infecção da mãe pelo vírus Zika durante a gestação, são o público-alvo. A comprovação da condição deve ser feita por laudo médico, emitido por junta médica pública ou privada, e homologado pela Perícia Médica Federal. O documento precisa detalhar os achados clínicos compatíveis com a síndrome congênita do Zika, como microcefalia, alterações visuais, auditivas ou neuropsicomotoras.
A indenização de R$ 50 mil será corrigida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a partir de 2 de julho de 2025 até a data do pagamento, garantindo que o valor mantenha seu poder de compra. A pensão vitalícia, por sua vez, inclui um abono anual, semelhante ao 13º salário, calculado com base no valor de dezembro de cada ano. Esses benefícios não serão tributados pelo Imposto de Renda e podem ser acumulados com outros auxílios, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), desde que respeitados os critérios legais.
O governo prevê que os pagamentos sejam custeados pelo programa orçamentário “Indenizações e Pensões Especiais de Responsabilidade da União”, com prazo final para execução até 31 de março de 2026. Para garantir a análise de todos os pedidos, o INSS estipulou o prazo de 31 de outubro de 2025 para o protocolo das solicitações.

Histórico do surto de Zika
Entre 2015 e 2016, o Brasil enfrentou uma epidemia de Zika que gerou alarme nacional e internacional. Transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus foi associado a um aumento expressivo de casos de microcefalia em recém-nascidos, especialmente no Nordeste, com destaque para estados como Pernambuco e Paraíba. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública internacional em 2016, mobilizando esforços para conter o surto e estudar suas consequências.
- Impacto no Brasil: Mais de 1.800 casos de síndrome congênita do Zika foram registrados entre 2015 e 2023.
- Regiões mais afetadas: Nordeste, com destaque para Pernambuco, Paraíba e Bahia.
- Transmissão do vírus: Picada do Aedes aegypti, relação sexual ou transfusão sanguínea.
- Consequências graves: Microcefalia, atrasos no desenvolvimento e deficiências sensoriais.
A descoberta da relação entre o Zika e as malformações congênitas mudou o cenário da saúde pública no Brasil, exigindo respostas rápidas do governo e da comunidade científica.
Processo de solicitação simplificado
O INSS facilitou o acesso aos benefícios ao priorizar o uso do aplicativo Meu INSS, que permite o envio de documentos digitalizados, como certidão de nascimento, CPF e laudo médico. Para casos que exigem perícia, o agendamento pode ser feito pelo mesmo sistema ou pelo telefone 135. Crianças nascidas entre 2015 e 2019, já beneficiárias da pensão especial instituída pela Lei nº 13.985/2020, estão dispensadas de nova avaliação médica, desde que a documentação anterior esteja completa.
O processo exige atenção aos detalhes do laudo médico, que deve seguir os protocolos do Ministério da Saúde e conter assinaturas e registros legíveis dos médicos responsáveis. Em caso de indeferimento, as famílias podem recorrer administrativamente ou buscar orientação em agências da Previdência Social. O INSS tem até 45 dias para analisar os pedidos, com possibilidade de prorrogação se forem necessários exames adicionais.
Benefícios e acumulação
A regulamentação permite que mais de uma criança da mesma família receba os benefícios, desde que todas atendam aos critérios médicos. Isso é especialmente relevante em áreas de surto, onde gêmeos ou irmãos podem ter sido afetados. A pensão especial e a indenização não interferem no cálculo de renda familiar para programas como o Bolsa Família ou o Cadastro Único (CadÚnico), garantindo que as famílias mantenham outros auxílios sociais.
- Acumulação permitida: BPC, Bolsa Família e aposentadorias de até um salário mínimo.
- Isenção fiscal: Indenização e pensão não sofrem desconto de Imposto de Renda.
- Abono anual: Pensão inclui 13º salário com base no valor de dezembro.
- Opção por benefícios: Famílias com indenizações judiciais devem escolher a mais vantajosa.
Essa flexibilidade reforça o caráter inclusivo da medida, que busca atender às necessidades financeiras das famílias sem comprometer outros direitos.
Avanço na reparação social
A publicação da Portaria Conjunta nº 69 é um marco na reparação dos danos causados pelo Zika. Desde 2015, as famílias enfrentam custos elevados com terapias, medicamentos e equipamentos para crianças com deficiências permanentes. A pensão vitalícia, ajustada anualmente pelo RGPS, garante suporte financeiro contínuo, enquanto a indenização oferece alívio imediato. A decisão do STF, liderada pelo ministro Flávio Dino, abriu uma exceção temporária às exigências fiscais, reconhecendo a vulnerabilidade social dessas famílias.
O surto de Zika expôs fragilidades no sistema de saúde pública, como a necessidade de controle mais eficaz do Aedes aegypti. Embora a epidemia tenha perdido força, o impacto nas famílias permanece, e a nova regulamentação é vista como um passo tardio, mas essencial, para oferecer dignidade e suporte.
Medidas de prevenção contra o Zika
A prevenção do Zika segue sendo um desafio, especialmente em regiões tropicais onde o Aedes aegypti prolifera. O Ministério da Saúde recomenda ações contínuas para reduzir a incidência do vírus, que ainda circula em algumas áreas. A população é incentivada a adotar medidas simples, mas eficazes, para proteger gestantes e evitar novos casos de síndrome congênita.
- Eliminação de criadouros: Evitar água parada em pneus, vasos e caixas d’água.
- Uso de repelentes: Gestantes devem usar produtos aprovados pela Anvisa.
- Telas protetoras: Instalar telas em janelas para bloquear mosquitos.
- Roupas adequadas: Vestir mangas longas em áreas de risco.
- Monitoramento médico: Acompanhamento pré-natal para detectar infecções precocemente.
Essas ações, combinadas com campanhas educativas, são cruciais para evitar novos surtos e proteger futuras gerações.