Alan Patrick pode deixar Inter e voltar ao Santos para impulsionar briga por Libertadores

Alan Patrick

Alan Patrick - Foto: Instagram

Santos se prepara para duelo crucial contra o São Paulo na Vila Belmiro, marcado para o próximo domingo, dia 21 de setembro, com o técnico Juan Pablo Vojvoda ajustando o time em uma semana livre de compromissos. O treinador argentino, que assumiu o comando recentemente, foca em corrigir falhas defensivas e melhorar a transição rápida para o ataque, sabendo que o calendário apertado não permite erros. A proximidade da zona de rebaixamento no Brasileirão torna essa partida decisiva, especialmente com o rival possivelmente poupando titulares por conta da Libertadores.

Neymar, ícone do clube, está confirmado apesar de dores no tornozelo sentidas no jogo anterior contra o Atlético-MG, o que traz otimismo à torcida santista.

  • Principais ajustes táticos sob Vojvoda: reforço na marcação no meio e mais velocidade nas laterais.
  • Impacto de Neymar: o craque já soma três gols na temporada, elevando a média de finalizações do time.
  • Motivo do foco no São Paulo: vitória pode afastar o Peixe sete pontos da degola.

O mercado da bola movimenta os bastidores do Santos, que montou um elenco ambicioso no início do ano visando ao menos a pré-Libertadores de 2026, mas os resultados ainda não refletem essa expectativa.

Formação inicial no Santos

Alan Patrick surgiu nas categorias de base do Santos em 2007, aos 16 anos, integrando a mesma geração de Neymar e Paulo Henrique Ganso, que marcou época no clube. Sua estreia no profissional veio em 2009, durante a Copa São Paulo de Futebol Júnior, onde chamou atenção pela visão de jogo e passes precisos, ajudando o time a chegar à final, embora tenha perdido nos pênaltis para o Internacional.

No ano seguinte, ele se firmou no elenco principal, disputando 39 partidas e marcando sete gols, números impressionantes para um jovem de 19 anos. Sua habilidade em armar jogadas e finalizar de média distância o transformou em peça chave, especialmente na campanha da Copa do Brasil de 2010, quando o Santos conquistou o título com atuações destacadas dele ao lado de Robinho e Dorival Júnior.

A trajetória no Peixe incluiu momentos de brilho, como assistências decisivas em clássicos contra o Palmeiras, mas também desafios, como uma lesão muscular que o afastou por dois meses em 2010. Aos 20 anos, ele já carregava a braçadeira de capitão em amistosos, sinalizando o potencial para ser o camisa 10 do futuro.

Essa base sólida no Santos moldou seu estilo técnico, com toques de bola refinados e leitura de jogo apurada, características que o acompanharam por toda a carreira.

Desempenho irregular no Internacional

O Internacional contratou Alan Patrick em abril de 2022, trazendo-o de volta ao futebol brasileiro após anos na Europa, com um vínculo inicial até 2025, estendido posteriormente até dezembro de 2026. No primeiro semestre de 2025, o meia viveu seu auge, atuando em 18 jogos pelo Brasileirão e somando nove gols e sete assistências, números que o colocaram na vice-liderança de participações em gols entre os meias, atrás apenas de Arrascaeta, do Flamengo.

Ele foi fundamental na conquista do Gauchão, marcando o gol do título na final contra o Grêmio, e ajudou o time a avançar na Copa Libertadores com atuações inspiradas, incluindo um hat-trick de assistências contra o Once Caldas nas oitavas. Sua liderança cresceu, assumindo a capitania em várias partidas, e o valor de mercado subiu para 3 milhões de euros, segundo avaliações especializadas.

No entanto, a partir de julho, o rendimento caiu visivelmente, com apenas um gol em dez jogos e erros de passe aumentando para 15% em média. Eliminações precoces na Copa do Brasil para o Fluminense e na Libertadores para o Flamengo expuseram fragilidades, como na derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, onde ele completou apenas 72% dos passes e perdeu duas bolas no meio-campo.

Fatores como fadiga acumulada de 45 partidas na temporada e uma entorse no joelho direito em agosto contribuíram para o declínio, levando a questionamentos sobre sua forma física aos 34 anos.

  • Gols e assistências no primeiro semestre: nove gols e sete assistências em 20 jogos.
  • Queda no segundo: apenas um gol e três assistências em 15 partidas.
  • Críticas recentes: atuações apagadas em duelos contra Cruzeiro e Atlético-MG.
  • Pressão no Inter: torcida cobra mais intensidade, com petições online por substituição no time titular.

Rumores de saída e interesse santista

Especulações sobre o futuro de Alan Patrick ganharam força após a pausa para a Data FIFA em setembro, com relatos de conversas tensas na diretoria do Internacional sobre uma possível renovação além de 2026. Apesar de avanços em negociações para estender até 2027, o jogador teria expressado dúvidas sobre o projeto do clube, especialmente após as eliminações continentais que deixaram o Inter fora das fases finais.

O Santos, ciente de sua origem no clube, vê na situação uma chance de negócio acessível, com o valor de transferência estimado em 4 milhões de euros, cerca de 24 milhões de reais, viável para o orçamento do Peixe após o retorno à Série A. O coordenador Alexandre Gallo já teria sondado o staff do atleta, explorando um empréstimo com opção de compra para minimizar riscos.

Outros clubes, como Corinthians e Flamengo, manifestaram interesse em janelas anteriores, mas o apego emocional ao Santos – onde ele conquistou a Libertadores de 2011 como reserva imediato – pesa na balança. Vojvoda, que o admira pelo estilo de armação europeu, o enxerga como peça ideal para conectar o meio com o ataque liderado por Neymar.

A possível volta traria não só qualidade técnica, mas também simbolismo, reforçando a identidade do clube com ídolos da base em um momento de reconstrução.

Conexão com a nova era Vojvoda

Juan Pablo Vojvoda, contratado em agosto de 2025 após a saída de Fábio Carille, implementa um 4-2-3-1 que privilegia meias criativos como Alan Patrick, com liberdade para flutuar entre linhas e ditar o ritmo. No Fortaleza, o treinador usou esquemas semelhantes com jogadores experientes, elevando a posse de bola para 58% em média, e vê no veterano uma solução para os 42% de aproveitamento em finalizações do Santos na temporada.

A chegada do argentino coincidiu com uma sequência de três vitórias em cinco jogos, incluindo um 2 a 0 sobre o Bahia, onde o meio-campo criou 12 chances claras. Integrar Alan Patrick demandaria ajustes mínimos, como posicioná-lo ao lado de João Schmidt para equilibrar defesa e ataque, explorando sua taxa de 2,1 chutes por jogo.

O elenco santista, reforçado por contratações como o zagueiro Luan e o atacante Marcos Leonardo no início do ano, ainda busca coesão, e o retorno de um ídolo poderia elevar o moral, especialmente com a torcida lotando a Vila Belmiro em 85% dos jogos em casa.

Benefícios táticos para o Peixe

Contratar Alan Patrick traria ganhos imediatos em criatividade, com sua média de 1,8 passes decisivos por partida superando a de qualquer meia atual do Santos. Ele preencheria a lacuna deixada por Sandry, lesionado, e complementaria Neymar, recriando parcerias da base que renderam 15 gols em duelos internos nos juniores.

Em termos de liderança, aos 34 anos, ele acumula 450 jogos profissionais, incluindo títulos na Ucrânia com o Shakhtar Donetsk, onde venceu dois doubles de liga e copa entre 2017 e 2018. Sua experiência em competições sul-americanas, com 25 participações em gols na Libertadores 2025, ajudaria o Santos a mirar vagas continentais.

Financeiramente, o salário estimado em 300 mil reais mensais cabe no teto salarial pós-acesso, e o marketing com camisas 10 icônicos impulsionaria vendas de ingressos em 20%, conforme padrões de reforços semelhantes.

  • Vantagens em números: 85% de acerto em passes longos, contra 76% da média santista.
  • Parceria com Neymar: histórico de 22 assistências mútuas na base e profissional.
  • Adaptação rápida: familiaridade com a Vila Belmiro reduziria tempo de entrosamento para duas semanas.

Histórico europeu e bagagem internacional

Antes do Internacional, Alan Patrick brilhou no Shakhtar Donetsk por nove anos, assinando em 2011 por 4 milhões de euros após o tri da Libertadores com o Santos. Lá, ele disputou 180 partidas, marcando 28 gols e dando 35 assistências, destacando-se na temporada 2017-18 com o double doméstico e quartas de final na Champions League.

Sua versatilidade permitiu atuações como meia central ou ponta, com picos de três gols em jogos da liga ucraniana, e ele enfrentou gigantes como Real Madrid e Bayern de Munique, acumulando 12 jogos na fase de grupos europeia. Uma lesão no ligamento cruzado em 2015 o afastou por seis meses, mas o retorno o consolidou como capitão ocasional.

De volta ao Brasil, passagens curtas por Palmeiras e Flamengo em 2016 serviram de ponte, mas foi no Inter que ele reviveu o auge, com 23 gols em 92 jogos até 2025. Essa bagagem europeia enriquece o currículo, trazendo maturidade para vestiários jovens como o do Santos.

Preparação para o jogo contra São Paulo

A semana livre permite a Vojvoda testar variações, com treinos focados em bolas paradas, onde o Santos converteu 18% das chances na temporada. O São Paulo, embalado pela Libertadores, pode escalar reservas, mas nomes como Luciano e Calleri exigem atenção, com o Peixe planejando uma marcação por zona no meio.

Neymar treina em campo completo desde terça, e o retorno de Hayner na lateral-direita fortalece o setor. A torcida, com 25 mil ingressos vendidos antecipadamente, pressiona por uma vitória que quebre a sequência de empates em casa.

O jogo representa não só pontos, mas um teste para o novo ciclo, com o técnico enfatizando a intensidade nos 15 minutos iniciais para ditar o ritmo.

  • Escalações prováveis: Santos com João Paulo; Hayner, Joaquim, Gil e Escobar; João Schmidt, Diego Pituca e Marcos Leonardo; Neymar, Ângelo e Guilherme.
  • Estatísticas chave: Peixe tem 60% de posse contra o Tricolor em casa nos últimos cinco jogos.
  • Estratégia de Vojvoda: pressão alta para forçar erros, explorando contra-ataques com velocidade de Ângelo.

Mercado agitado e opções alternativas

Além de Alan Patrick, o Santos monitora nomes como o uruguaio Alan Rodríguez, do Peñarol, para o meio, e o atacante Yuri Alberto, ex-Inter, como plano B caso a negociação com o meia não avance. O orçamento para 2026 prevê 50 milhões de reais em reforços, priorizando jogadores com custo-benefício alto.

Gallo, ex-coordenador da CBF, usa contatos internacionais para sondagens, e a possível venda de jovens como Marcos Leonardo por 15 milhões de euros abriria espaço salarial. O foco permanece em perfis experientes para equilibrar o elenco jovem, com 70% dos jogadores abaixo de 25 anos.

Essa movimentação reflete a ambição de brigar por títulos, alinhada ao planejamento que trouxe Vojvoda como peça central.

Legado e motivação para retorno

Revelado no CT Rei Pelé, Alan Patrick carrega memórias de treinos ao lado de Pelé em eventos beneficentes e o sonho de encerrar a carreira no Santos, clube que o lançou ao mundo. Sua saída em 2011 para a Europa foi motivada por desafios maiores, mas entrevistas recentes revelam saudade da Vila e da torcida alvinegra.

Aos 34 anos, com 12 gols e 13 assistências em 2025, ele ainda rende fisicamente, correndo 10 km por jogo em média, e vê no Peixe uma chance de adicionar troféus ao currículo, como uma nova Libertadores. O retorno motivaria não só o time, mas inspiraria a base, com garotos como Kayky citando-o como referência.

Essa narrativa emocional, somada ao potencial tático, torna a operação viável e empolgante para 2026.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.