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Horário de verão vai voltar? Governo avalia retorno com base em chuvas e consumo

horário de verão, relógio
Foto: horário de verão, relógio - Foto: Jens Domschky/iStock.com

O Ministério de Minas e Energia (MME) mantém em aberto a possibilidade de retomada do horário de verão em 2025, com decisão atrelada à análise dos níveis de chuva e da demanda energética nos meses mais quentes. A discussão ganhou força nas últimas semanas, com um aumento de 400% nas buscas pelo tema na internet, conforme dados do Google Trends. O governo federal, por meio do MME, avalia o comportamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) e o impacto das fontes renováveis, como solar e eólica, no atendimento ao pico de consumo. A medida, extinta em 2019, pode retornar entre outubro e fevereiro, caso os estudos confirmem sua viabilidade.

A pasta informou que os reservatórios apresentam condições favoráveis, com evolução estável durante o período seco, superando os níveis de 2024. Estudos prospectivos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que o abastecimento energético está garantido até fevereiro de 2026. A decisão final será baseada em dados técnicos, considerando o equilíbrio entre geração e consumo, especialmente em horários de maior demanda.

  • Monitoramento contínuo do SIN para garantir energia.
  • Análise de chuvas previstas para o período chuvoso.
  • Avaliação do impacto de fontes renováveis no pico de consumo.
  • Possível retorno do horário de verão entre outubro e fevereiro.

Monitoramento dos reservatórios

O MME destacou que os reservatórios do SIN estão em situação mais confortável em 2025, com armazenamentos superiores aos do ano anterior. Em agosto, os níveis atingiram 58% no Sudeste/Centro-Oeste, 90% no Sul, 60% no Nordeste e 88% no Norte, totalizando cerca de 62% no SIN. Para setembro, projeções indicam armazenamentos entre 54% e 55% da capacidade máxima, dependendo do cenário. Esses números refletem uma recuperação após a pior seca dos últimos 50 anos, registrada em 2024, que levou os reservatórios a um mínimo de 43,69% em novembro.

A estabilidade dos reservatórios é resultado de medidas estratégicas, como a restrição da vazão em usinas como Jupiá e Porto Primavera, que preservou até 11% de água nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A integração de Roraima ao SIN, com a energização da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista, também contribuiu para reduzir custos e emissões, com economia estimada de R$ 540 milhões anuais. A decisão sobre o horário de verão considera esses avanços, mas depende de análises detalhadas sobre o impacto no consumo durante o verão.

Impacto do consumo energético

O Brasil enfrenta picos de demanda elétrica em 2025, impulsionados por altas temperaturas e maior uso de aparelhos como ar-condicionado. Em fevereiro, o SIN registrou um recorde de 104.732 MW de demanda instantânea, o quarto marco do ano, segundo o ONS. A resiliência do sistema elétrico tem sido testada, mas o planejamento do MME garante o fornecimento contínuo. O aumento na geração de energia eólica e solar, que atingiu 15% e 7% da matriz do SIN em 2023, respectivamente, reduz a dependência de termelétricas e alivia a pressão sobre os reservatórios.

  • Demanda recorde de 104.732 MW em fevereiro de 2025.
  • Crescimento de fontes renováveis na matriz energética.
  • Redução no uso de termelétricas fósseis.
  • Monitoramento de picos de consumo nos meses quentes.

O horário de verão, se implementado, pode deslocar o pico de consumo para horários com maior incidência de luz solar, otimizando o uso de energia fotovoltaica. No entanto, a extinção da medida em 2019 foi justificada pela baixa economia energética, o que torna a decisão atual um equilíbrio entre benefícios técnicos e impacto social.

Horario de Verao Relogio
Foto: Pixel-Shot/Shutterstock.com

Histórico da medida no Brasil

O horário de verão foi adotado no Brasil pela primeira vez em 1931, com interrupções ao longo das décadas. Entre 1985 e 2019, foi implementado regularmente, exceto em alguns anos, com o objetivo de reduzir o consumo de energia durante o período chuvoso. A medida consistia em adiantar os relógios em uma hora, geralmente de outubro a fevereiro, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em 2019, o governo Bolsonaro suspendeu a prática, alegando que os avanços tecnológicos e mudanças nos padrões de consumo reduziram sua eficácia.

A discussão sobre o retorno ganhou força em 2025 devido às condições climáticas e à necessidade de otimizar a matriz energética. Dados do ONS mostram que, em 2023, os reservatórios alcançaram os melhores níveis em 20 anos, com 86% no Sudeste/Centro-Oeste e 98% no Norte. Apesar da seca severa de 2024, a recuperação em 2025 reacendeu o debate sobre medidas complementares, como o horário de verão, para reforçar a segurança energética.

  • Primeira adoção do horário de verão em 1931.
  • Suspensão da medida em 2019 por baixa economia.
  • Recuperação dos reservatórios em 2025 impulsiona debate.
  • Foco na otimização do consumo em horários de pico.

Papel das fontes renováveis

A expansão das fontes renováveis tem transformado a matriz energética brasileira. Em 2023, as energias eólica e solar representaram 22% da geração no SIN, um aumento significativo em relação a 2022. A integração de Roraima ao SIN, concluída em 2025, também reduziu a dependência de termelétricas a diesel na região, cortando emissões de gases de efeito estufa. Essa transição energética é um fator central na análise do horário de verão, já que o aumento da geração solar pode ser potencializado com o ajuste de horários.

O MME tem investido em políticas para ampliar a participação de renováveis, como a Política Nacional de Transição Energética, que prevê R$ 2 trilhões em investimentos até 2035. A estabilidade dos reservatórios, aliada ao crescimento de fontes limpas, cria um cenário favorável para decisões que equilibrem sustentabilidade e eficiência. A possibilidade de retorno do horário de verão é vista como uma ferramenta complementar, mas não isolada, nesse contexto.

Expectativas para a decisão

A decisão final sobre o horário de verão será tomada com base em estudos do ONS e do MME, que monitoram a evolução das chuvas e da demanda energética. A previsão para o período chuvoso de 2025 indica afluências entre 60% e 96% da Média de Longo Termo (MLT), com destaque para o Sul, que pode registrar até 153% da MLT em dezembro. Esses dados sugerem um cenário otimista, mas o governo mantém cautela para evitar riscos ao abastecimento.

A sociedade também acompanha o debate, com opiniões divididas. Enquanto alguns defendem a medida por sua potencial economia, outros apontam impactos no cotidiano, como adaptação de horários e efeitos na saúde. O MME enfatiza que qualquer decisão priorizará a segurança energética e o bem-estar da população, com base em dados técnicos e projeções detalhadas.

  • Previsão de afluências entre 60% e 96% da MLT em 2025.
  • Debate público sobre benefícios e impactos do horário de verão.
  • Decisão final atrelada a estudos técnicos do ONS.
  • Foco na segurança energética e no bem-estar social.

Medidas complementares

Além do horário de verão, o MME adota outras estratégias para garantir a estabilidade do SIN. A aprovação das Curvas Referenciais de Armazenamento (CREF) para 2025 permite monitorar os reservatórios em tempo real, com faixas de criticidade que orientam o uso de termelétricas. A expansão da rede de transmissão, com 833 km de linhas adicionadas em agosto de 2025, também reforça a integração energética. Essas ações, combinadas com o aumento da geração renovável, criam um sistema mais robusto e preparado para picos de demanda.

O governo também investe em programas como o Energias da Amazônia, que aprimora o fornecimento em sistemas isolados. A redução de custos na Conta de Consumo de Combustíveis, estimada em R$ 45 milhões por mês com a interligação de Roraima, beneficia consumidores em todo o país. Essas iniciativas mostram que o horário de verão, se adotado, será parte de um conjunto maior de medidas para otimizar o setor elétrico.

  • Aprovação das CREF para monitoramento em 2025.
  • Expansão de 833 km de linhas de transmissão em agosto.
  • Redução de custos com interligação de Roraima.
  • Programas para sistemas isolados na Amazônia.