Internacional fecha acordo com Luis Zubeldía para substituir Roger Machado no comando técnico

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Zubeldia Foto: Zubeldia - Foto: Instagram

A derrota inesperada para o Grêmio no clássico Gre-Nal 448, disputado no Beira-Rio, acelerou mudanças drásticas no Internacional. O placar de 3 a 2, com virada sofrida nos minutos finais, expôs fragilidades defensivas e pressionou a diretoria a agir rapidamente. Roger Machado, que havia chegado com credenciais de sucesso no Juventude, viu sua trajetória no Colorado ser interrompida após uma sequência irregular de resultados. A decisão veio em coletiva de imprensa no domingo à noite, com o presidente Alessandro Barcellos justificando a necessidade de renovação em momento crítico da temporada.

O clube gaúcho ocupa a 13ª posição no Campeonato Brasileiro, com 27 pontos acumulados em 22 rodadas, a apenas cinco pontos da zona de rebaixamento. Essa proximidade exige intervenções urgentes para estabilizar o desempenho e mirar vagas em competições continentais no próximo ano. A eliminação precoce nas oitavas de final da Copa Libertadores para o Flamengo e da Copa do Brasil agravou o cenário, apesar de conquistas anteriores como o Gauchão invicto.

  • Principais motivos para a saída de Roger: sequência de cinco jogos sem vitória, defesa que sofreu 14 gols em oito partidas recentes.
  • Destaques positivos do período: 16 jogos invictos no início da temporada, garantindo vaga direta na fase de grupos da Libertadores.
  • Pressão da torcida: vaias no Beira-Rio durante o clássico sinalizaram insatisfação crescente com o estilo de jogo.

O anúncio oficial da demissão incluiu a saída de auxiliares como Roberto Ribas e Adaílton Bolzan, além de profissionais da preparação física e análise de desempenho. Barcellos enfatizou o reconhecimento aos serviços prestados, mas destacou a urgência de um novo comando para os jogos restantes.

A diretoria colorada não perdeu tempo e direcionou esforços para o mercado internacional, priorizando nomes com experiência em competições sul-americanas. Luis Zubeldía, argentino de 44 anos, emergiu como prioridade após contatos iniciais com seu estafe na segunda-feira. O treinador, livre desde junho, demonstrou interesse imediato pelo projeto apresentado, que enfatiza reconstrução tática e foco em jovens talentos do clube.

Passagem de Zubeldía pelo São Paulo revela altos e baixos

Luis Zubeldía assumiu o São Paulo em abril de 2024, trazendo bagagem de títulos na América do Sul. Sua chegada ao Morumbi foi marcada por otimismo, com o time buscando recuperação no Brasileirão e avanços em mata-matas. Em 85 jogos no comando, o argentino somou 38 vitórias, 27 empates e 20 derrotas, o que representa um aproveitamento de cerca de 52%. Esses números refletem um equilíbrio entre momentos de brilho e inconsistências, especialmente no campeonato nacional.

O técnico se destacou em competições eliminatórias, levando o Tricolor às oitavas de final tanto na Libertadores quanto na Copa do Brasil. Na fase de grupos da Libertadores, o São Paulo terminou invicto, com quatro triunfos e dois empates, superando adversários como Talleres e Academia Puerto Cabello. Essa solidez defensiva, com apenas três gols sofridos na etapa inicial, contrastou com as dificuldades no Brasileirão, onde o time oscilou entre o topo e a metade inferior da tabela.

Críticas ao temperamento explosivo de Zubeldía surgiram ao longo da temporada. Ele recebeu 35 cartões em seus jogos no São Paulo – 32 amarelos e três vermelhos –, o que gerou discussões sobre sua conduta na beira do campo. Apesar disso, jogadores elogiaram sua intensidade, que motivava o grupo em treinos e partidas decisivas. A saída em junho ocorreu após uma sequência de quatro derrotas consecutivas, mas o clube reconheceu avanços em categorias de base e na estrutura tática.

A experiência brasileira de Zubeldía o torna familiarizado com as demandas do futebol local, incluindo calendários apertados e pressão da mídia. Seu estilo de jogo privilegia transições rápidas e pressão alta, elementos que podem se adequar ao elenco do Inter, repleto de velocistas como Wanderson e Thiago Borbas.

Histórico de conquistas define perfil vencedor de Zubeldía

Antes de desembarcar no Brasil, Zubeldía construiu uma carreira sólida na Argentina e no Equador. Formado nas categorias de base do Lanús, onde jogou como meia entre 2001 e 2007, ele assumiu o comando técnico do mesmo clube em 2014. Ali, levou o time ao título do Campeonato Argentino em 2016, superando rivais como Racing e River Plate em uma campanha marcada por 18 vitórias em 30 jogos.

Sua passagem pela LDU de Quito, entre 2022 e 2023, representou o auge recente. O argentino conquistou o Campeonato Equatoriano e a Copa Sul-Americana, vencendo o Fortaleza na final por 1 a 0, com gol de cabeza em cobrança de escanteio. Esses troféus elevaram seu status, atraindo olhares de clubes maiores. Na Sul-Americana, a LDU eliminou equipes como Ñublense e Emelec, demonstrando capacidade em gerir elencos limitados financeiramente.

Outros clubes no currículo incluem Barcelona de Guayaquil, Racing Club e Independiente Medellín. No total, Zubeldía acumula mais de 300 jogos como treinador, com aproveitamento médio de 55% em vitórias. Ele também teve experiências na Europa, como no Alavés da Espanha, onde evitou o rebaixamento em 2017 com uma campanha de recuperação impressionante.

  • Títulos principais: Campeonato Argentino (2016, Lanús), Copa Sul-Americana (2023, LDU), Campeonato Equatoriano (2023, LDU).
  • Melhores aproveitamentos: 60% no Lanús (2014-2016), 58% na LDU (2022-2023).
  • Estilo tático: Formação 4-2-3-1, ênfase em posse de bola e contra-ataques velozes.
  • Influências: Admira treinadores como Marcelo Bielsa, priorizando intensidade física nos treinos.

Esses feitos posicionam Zubeldía como um profissional versátil, capaz de adaptar estratégias a diferentes contextos culturais e competitivos.

Diretoria colorada prioriza rapidez na definição do comando

A cúpula do Internacional, liderada por Alessandro Barcellos, avaliou uma lista inicial de candidatos antes de focar em Zubeldía. Nomes como Odair Hellmann, do Athletico-PR, e Ramón Díaz, ex-Corinthians e Vasco, foram sondados, mas as negociações não progrediram devido a questões contratuais e financeiras. O argentino se destacou pela disponibilidade imediata e alinhamento com o orçamento do clube.

Reuniões virtuais entre a diretoria e o estafe de Zubeldía ocorreram na segunda-feira, cobrindo aspectos esportivos e econômicos. O pacote salarial, estimado entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão mensais para o treinador e sua comissão, cabe no teto salarial colorado. O contrato deve vigorar até dezembro de 2026, coincidindo com o fim da gestão Barcellos, permitindo estabilidade para projetos de longo prazo.

A comissão técnica de Zubeldía inclui profissionais de confiança, como auxiliares e analistas de desempenho, totalizando três a quatro membros. Essa estrutura visa manter continuidade nos métodos de trabalho, com ênfase em dados estatísticos para ajustes táticos. O Inter planeja anunciar o acerto nas próximas horas, possivelmente ainda nesta terça-feira, para permitir integração rápida antes do fim de semana.

Barcellos destacou em entrevista a importância de um treinador que entenda a identidade do clube, com foco em desenvolvimento de jovens da base. A torcida, dividida entre otimismo e ceticismo, acompanha de perto as movimentações, especialmente após críticas iniciais nas redes sociais ao nome do argentino.

Desafios imediatos aguardam Zubeldía no Brasileirão

O calendário apertado do Internacional impõe testes rigorosos ao novo comandante. O primeiro compromisso é contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, às 18h30 do sábado, pela 24ª rodada do Brasileirão. O clássico regional exige atenção redobrada, dado o histórico de confrontos equilibrados e a proximidade na tabela – o Ju está na 15ª posição, com 25 pontos.

Seguem duelos contra Corinthians, em casa, no dia 1º de outubro, e Botafogo, fora, no dia 4. Esses jogos representam 70% dos pontos em disputa nas próximas três rodadas, cruciais para afastar o risco de degola. Com 27 pontos atuais, o Inter precisa converter pelo menos seis em nove para ganhar folga na classificação.

A defesa, ponto fraco sob Roger, sofreu 29 gols em 22 partidas, média de 1,3 por jogo. Zubeldía, conhecido por sistemas compactos, pode implementar ajustes como marcação por zona e saídas rápidas de bola. No ataque, a dependência de Enner Valencia, com nove gols na temporada, exige distribuição de papéis para alas como Vitão e Mercado.

  • Próximos adversários: Juventude (fora, 27/09), Corinthians (casa, 01/10), Botafogo (fora, 04/10).
  • Foco tático inicial: Reforço na transição defensiva, com treinos intensos em marcação homem a homem.
  • Jogadores chave: Valencia (artilheiro), Alan Patrick (meia criativo), Bustos (lateral ofensivo).
  • Objetivo realista: Alcançar 40 pontos até o fim do turno, mirando Sul-Americana.

A adaptação cultural de Zubeldía, já testada no São Paulo, facilitará a transição. Ele domina o português e conhece as nuances do futebol brasileiro, o que acelera a comunicação com o elenco.

Expectativas da torcida misturam apoio e ressalvas

Fãs do Internacional expressam uma gama de reações à possível chegada de Zubeldía. Parte da torcida valoriza seus títulos continentais, vendo no argentino uma chance de resgatar o orgulho colorado após o Gre-Nal traumático. Grupos organizados planejam recepções calorosas no aeroporto, reforçando o laço emocional com treinadores estrangeiros bem-sucedidos.

Por outro lado, memórias da passagem irregular pelo São Paulo geram desconfiança. Comentários em fóruns destacam o “temperamento chiliquento” e o estilo retranqueiro em jogos grandes, temendo repetição de erros. Uma pesquisa informal em perfis de torcedores mostra 55% de aprovação inicial, com 45% preferindo nomes nacionais como Mano Menezes.

A mídia gaúcha acompanha o desenrolar, com colunistas elogiando a ousadia da diretoria em optar por um perfil ofensivo. A expectativa é de que Zubeldía estreie com vitória no clássico, transformando ceticismo em entusiasmo. O Beira-Rio, com capacidade para 50 mil, deve lotar nos próximos jogos, impulsionando o novo ciclo.

O anúncio iminente marca o oitavo treinador na era Barcellos, iniciada em 2021. Essa rotatividade reflete a pressão por resultados em um clube de porte continental, mas também a ambição de títulos. Zubeldía, com sua bagagem, representa uma aposta calculada para estabilizar o barco vermelho.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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