Renato Augusto, ex-jogador de Flamengo, Corinthians e Seleção Brasileira, anunciou sua aposentadoria aos 37 anos, após uma carreira marcada por títulos e desafios pessoais. Em entrevista exclusiva, o meia revelou crises de ansiedade que o levaram a sair de campo em momentos cruciais, especialmente na segunda passagem pelo Corinthians. Ele também destacou sua forte ligação com o clube paulista, onde conquistou três títulos, e a relação de gratidão e mágoas com o Flamengo, seu time de origem. Augusto agora planeja o futuro no futebol, sem definir se atuará como técnico, gestor ou comentarista.
A aposentadoria foi confirmada em entrevista ao portal ge, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, 25 de setembro de 2025. O jogador, que também atuou por Bayer Leverkusen, Beijing Guoan e Fluminense, reflete sobre os 20 anos de carreira com orgulho. Ele planeja levar o filho Romeu, de 7 anos, à Neo Química Arena, onde será homenageado no próximo domingo, antes do jogo entre Corinthians e Flamengo, pelo Brasileirão.
- Principais conquistas: Copa do Brasil (2006), Brasileirão (2015), Recopa Sul-Americana (2013 e 2024), Paulista (2013), Copa da China (2018) e ouro olímpico (2016).
- Desafios enfrentados: Crises de ansiedade em jogos e frustrações com tentativas de retorno ao Flamengo.
- Planos futuros: Estuda atuar no futebol como treinador, gestor ou comentarista, com interesse em cursos de gestão.
Carreira marcada por títulos
Renato Augusto começou no Flamengo, onde venceu a Copa do Brasil de 2006 e os Cariocas de 2007 e 2008. Sua passagem pelo Corinthians, em duas fases, rendeu três títulos e 238 jogos. No exterior, destacou-se no Beijing Guoan, com a Copa da China em 2018, e no Bayer Leverkusen, onde evoluiu taticamente.
Na Seleção Brasileira, o ouro olímpico de 2016, no Maracanã, é um dos momentos mais marcantes. Porém, a eliminação para a Bélgica na Copa de 2018 ainda o incomoda, especialmente por um gol perdido que poderia ter empatado o jogo.
Crises de ansiedade reveladas
O meia abriu o coração sobre problemas de saúde mental enfrentados na reta final da carreira. Durante a segunda passagem pelo Corinthians, Renato teve crises de ansiedade que o obrigaram a deixar partidas, como contra o Internacional, em Porto Alegre. Ele relatou tremores e medo de que algo tivesse ocorrido com sua família.
Essas crises, segundo ele, foram agravadas pela pressão das redes sociais e pelo ambiente hostil do futebol brasileiro. Renato destacou que o apoio de colegas, como Fábio Santos, e o tratamento médico foram essenciais para lidar com o problema.
Relação com Corinthians e Flamengo
A ligação com o Corinthians é o ponto alto de sua trajetória. Renato descreveu a Neo Química Arena como um lugar “mágico”, capaz de influenciar jogos com o apoio da torcida. Ele planeja levar seu filho ao estádio, acreditando que a atmosfera o fará torcer pelo clube.
Já com o Flamengo, a relação é de gratidão, mas também de frustrações. Renato tentou retornar ao clube em três ocasiões, sem sucesso, o que gerou mágoas. Apesar disso, ele guarda carinho pelo time onde surgiu e conquistou seus primeiros títulos.
Planos para o futuro
Renato Augusto ainda não definiu seu próximo passo no futebol. Ele considera carreiras como treinador, gestor ou comentarista, com interesse em cursos de gestão e visitas a clubes para aprender. O ex-jogador já iniciou a licença B da CBF e planeja concluí-la.
Recentemente, o Corinthians sondou Renato para treinar o sub-20, mas ele recusou, priorizando o papel de pai e estudos. Ele também mantém contato com ex-colegas, como Edu Gaspar, hoje no Nottingham Forest, que o incentivou a permanecer no futebol.
Homenagem marcada para domingo
No próximo domingo, Renato será homenageado pelo Corinthians antes do jogo contra o Flamengo, pelo Brasileirão. A cerimônia na Neo Química Arena marca o reconhecimento de sua trajetória no clube. Ele espera compartilhar o momento com o filho Romeu, reforçando o vínculo com a torcida.
O evento será um marco simbólico, reunindo o clube que o formou e aquele onde se tornou ídolo. Renato planeja aproveitar a ocasião para refletir sobre sua carreira e o impacto que deixou no futebol brasileiro.
Experiência internacional
Na Alemanha, Renato aprendeu disciplina tática no Bayer Leverkusen, onde jogou entre 2008 e 2012. Na China, pelo Beijing Guoan, viveu cinco anos intensos, conquistando a Copa da China em 2018. Ele destacou a adaptação à cultura chinesa e o carinho dos torcedores, apesar da saída abrupta por causa da pandemia.
Essas experiências internacionais moldaram sua visão de jogo e o prepararam para liderar vestiários, como fez no Corinthians e no Fluminense, onde conquistou a Recopa de 2024.
Legado no futebol
Renato Augusto deixa o futebol com um legado de superação e versatilidade. Sua capacidade de se adaptar a diferentes funções, de zagueiro a centroavante na China, reflete sua inteligência tática. Ele também valoriza as amizades construídas, como com Fábio Santos, e a influência de treinadores como Tite, que destacou seu lado humano.
O ex-jogador acredita que sua história inspira jovens atletas, especialmente pela forma como lidou com pressões e adversidades. Ele pretende usar essa experiência para contribuir com o futebol em uma nova função.
