Dólar comercial avança 0,23% para R$ 5,335 com shutdown nos EUA e corte de 32 mil vagas na ADP

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Dólar Foto: Dólar - Foto: cihatatceken/ Istockphoto.com

O dólar à vista registrou alta de 0,23% nesta quarta-feira (1º de outubro de 2025), cotado a R$ 5,335 na venda, após inverter sinal pela manhã no mercado brasileiro. A movimentação ocorre em meio ao início da paralisação parcial do governo federal dos Estados Unidos, conhecida como shutdown, que começou à meia-noite de terça para quarta, devido à falta de acordo no Congresso americano sobre o orçamento. Investidores monitoram o impacto dessa interrupção nos fluxos econômicos globais, especialmente com a divulgação de dados fracos do mercado de trabalho americano.

O relatório da ADP, empresa de processamento de folha de pagamento, mostrou que o setor privado dos EUA cortou 32 mil vagas de emprego em setembro, contrariando estimativas de criação de 50 mil postos. Esse resultado negativo, o primeiro declínio mensal desde março de 2023, reforça apostas em cortes adicionais de juros pelo Federal Reserve (Fed) no fim de outubro. No Brasil, o foco se volta para discussões fiscais locais, como o projeto de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

A cotação do dólar turismo, usada em viagens, avançou 0,01% para R$ 5,529 na venda. Esses ajustes refletem a volatilidade inicial causada pelo shutdown, que pode atrasar relatórios oficiais de emprego nos EUA.

  • Principais cotações do dólar nesta quarta-feira:
    • Dólar comercial: compra e venda a R$ 5,335
    • Dólar turismo: venda a R$ 5,529; compra a R$ 5,348
    • Contrato futuro para novembro na B3: alta de 0,28% a R$ 5,374

Relatório ADP revela declínio no emprego privado

O dado da ADP baseia-se em folhas de pagamento de mais de 26 milhões de trabalhadores americanos e serve como prévia para o relatório oficial do Departamento do Trabalho. A perda de 32 mil vagas em setembro segue uma revisão para baixo de agosto, de ganho de 54 mil para perda de 3 mil postos. Esse ajuste preliminar, conhecido como rebenchmarking, reduziu o total em 43 mil empregos devido a recalibrações anuais com dados do Censo Trimestral de Emprego e Salários.

Empresas de pequeno e médio porte lideraram as demissões, com perdas concentradas em serviços profissionais, negócios e hospitalidade. Grandes empregadores, com mais de 500 funcionários, adicionaram 33 mil vagas, principalmente no setor de saúde. Salários anuais para quem manteve o emprego subiram 4,5%, enquanto para trocadores de emprego o aumento foi de 6,6%, ante 7,1% em agosto.

A surpresa negativa dos números pressionou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano para baixo, ampliando a percepção de espaço para redução nas taxas de juros do Fed.

Dolar e Investimento
Dolar e Investimento – Foto: Lazy_Bear/istockphoto.com

Início do shutdown paralisa divulgações econômicas

A paralisação do governo dos EUA, a 15ª desde 1981, resulta da discordância entre republicanos e democratas no Congresso para aprovar a extensão do financiamento federal. Serviços não essenciais, como parques nacionais e agências reguladoras, suspendem operações, afetando cerca de 800 mil funcionários federais. Atividades críticas, incluindo pagamentos de benefícios sociais e operações militares, continuam inalteradas.

Dados econômicos sob responsabilidade governamental, como pedidos semanais de auxílio-desemprego previstos para quinta-feira e o payroll de sexta-feira, ficam suspensos indefinidamente. Essa interrupção ocorre em momento sensível, às vésperas da reunião do Fed em 29 de outubro, quando cortes de até 50 pontos-base nos juros já são precificados pelo mercado em 99% de probabilidade.

Analistas apontam que shutdowns curtos, inferiores a duas semanas, geram impacto modesto na economia, com redução de 0,1 a 0,2 ponto percentual no PIB por semana de duração. No entanto, prolongamentos elevam a incerteza, como visto em 2013, quando dezenas de relatórios foram adiados.

O episódio não altera imediatamente o rating de crédito dos EUA, mantido em AA+ pela Fitch, mas destaca fragilidades no processo orçamentário congressional.

Movimentações no mercado brasileiro

Na B3, o contrato de dólar futuro para novembro, agora o mais líquido, avançou 0,28% para R$ 5,374, refletindo a tendência de alta do spot. O fechamento de terça-feira havia sido positivo em 0,06%, a R$ 5,3228, em dia de definição da Ptax pelo Banco Central. Investidores brasileiros ajustam posições ante a volatilidade externa, com o real se depreciando em sintonia com outras moedas emergentes.

Fatores domésticos, como a votação do projeto de isenção ampliada do IR para rendas até R$ 5 mil e debates sobre meta fiscal, adicionam camadas de cautela. O PMI industrial americano subiu para 49,1 em setembro, ante 48,7 em agosto, sinalizando leve recuperação na atividade fabril.

Efeitos no Federal Reserve e decisões judiciais

A Suprema Corte americana permitiu que a governadora Lisa Cook mantenha o cargo no Fed até janeiro de 2026, quando ocorrerão sustentações orais sobre a legalidade de sua demissão pelo presidente Donald Trump. Essa decisão preserva a composição do conselho do banco central em meio a tensões políticas.

O Fed, independente de financiamento federal, prossegue com análises de produção industrial e crédito ao consumidor. No entanto, a ausência do payroll oficial força maior peso ao relatório ADP, que historicamente tem correlação limitada com dados governamentais e não inclui taxa de desemprego.

Empresas privadas como Indeed complementam com indicadores de vagas, mas a lacuna em estatísticas oficiais pode atrasar decisões sobre cortes de juros, projetados para cair de 4,5% para 3,75% até o fim do ano.

Implicações para o comércio exterior

Exportadores brasileiros monitoram o dólar acima de R$ 5,33, que favorece setores como agronegócio e manufatura ao elevar receitas em reais. O shutdown suspende inspeções aduaneiras em portos americanos, potencialmente atrasando envios de commodities como soja e minério de ferro para os EUA.

Agências como o Departamento de Comércio param de processar relatórios de PIB e comércio, impactando projeções globais. No Brasil, o Banco Central revisou para baixo o PIB de 2025 para 2%, ante 2,1%, em relatório trimestral recente.

  • Setores mais afetados pelo dólar alto:
    • Agronegócio: ganhos com exportações de grãos
    • Indústria: competitividade em vendas externas
    • Turismo: custo maior para viagens ao exterior

Esses elementos combinados mantêm o mercado atento a negociações no Congresso americano para resolução rápida da paralisação.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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