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Gasolina de posto muda para E30, mas Inmetro mantém E22 nos testes de carros

Combustível, gasolina
Foto: Combustível, gasolina - Foto: denizbayram/ Istockphoto.com

A gasolina vendida nos postos brasileiros passou a ter 30% de etanol anidro desde agosto, contra os 27% anteriores. Apesar da mudança, o Inmetro não alterou os testes de consumo e emissões de veículos, que continuam usando a gasolina de referência E22, com 22% de etanol. O motivo é a norma técnica do programa de etiquetagem veicular, que define a E22 como padrão. Para refletir o combustível dos postos, o instituto aplica um fator de correção nos resultados.

O ajuste garante que os números de consumo exibidos nas etiquetas veiculares correspondam à gasolina E30 encontrada nas bombas. A mudança no combustível comercial não exige novos testes, já que a correção é feita nos cálculos finais. A gasolina E22, usada exclusivamente para testes, custa cerca de R$ 150 por litro. A prática assegura comparabilidade entre veículos, mas os números podem variar na vida real devido a fatores como condução e manutenção.

Gasolina
Gasolina – Foto: Lima/istock

Padrão técnico da E22

A gasolina E22 é o padrão nos testes de consumo e emissões desde a criação do programa de etiquetagem. Ela permite resultados consistentes, eliminando variáveis como contaminação do combustível.

Essa gasolina não está à venda nos postos e é produzida para uso exclusivo em laboratórios. Seu custo elevado reflete a produção controlada para atender normas técnicas.

Correção para a realidade

O Inmetro aplica um fator de correção para adaptar os resultados dos testes à gasolina E30. Antes, o ajuste era feito para a E27, usada até julho.

A correção é feita após os testes, sem necessidade de alterar o combustível padrão. Isso garante que os números da etiqueta sejam próximos do consumo real.

O método é adotado também na homologação de motores, garantindo conformidade com limites de emissões. A prática é padrão no setor automotivo brasileiro.

Impacto da E30 no consumo

Estudos indicam que a mudança de E27 para E30 gera variação mínima no consumo. Testes do Instituto Mauá mostraram alterações de até 2,9% em alguns modelos.

Em certos casos, o consumo pode até diminuir, dependendo do veículo. A autonomia dos carros não foi significativamente afetada pela nova mistura.

Os números da etiqueta continuam sendo uma referência confiável para comparar veículos. No entanto, o consumo real varia conforme o estilo de condução e condições de uso.

A partir de 2026, novos modelos terão etiquetas ajustadas diretamente para a E30. Veículos mais antigos manterão os números baseados na E27.

Consumo real x laboratório

Os testes do Inmetro são realizados em condições controladas, com pilotos profissionais e variáveis padronizadas. Isso inclui temperatura ideal e ciclos simulados de uso.

Na prática, fatores como trânsito, manutenção e calibragem dos pneus influenciam o consumo. Por isso, os números da etiqueta raramente são replicados.

A etiqueta serve como base para comparação entre veículos, mas não reflete exatamente o desempenho em condições reais.

Linha do tempo da gasolina

A composição da gasolina no Brasil mudou ao longo dos anos, impactando os testes do Inmetro. Abaixo, os principais momentos:

  • 2000: Programa de etiquetagem adota gasolina E22 como padrão técnico.
  • 2013: Gasolina dos postos passa a ter 25% de etanol (E25).
  • 2015: Proporção sobe para 27% (E27) nos postos comerciais.
  • 2025: Gasolina E30, com 30% de etanol, entra em vigor.
  • 2026: Novas etiquetas refletirão diretamente a correção para E30.

Diferença nas etiquetas

Veículos lançados a partir de 2026 terão etiquetas com números ajustados para a E30. Modelos antigos manterão os dados baseados na E27, podendo gerar pequenas diferenças.