Investidores perdem até 93% em COEs da XP e BTG atrelados a dívidas de Ambipar e Braskem
Investidores de Certificados de Operações Estruturadas (COEs) distribuídos pela XP Investimentos e pelo BTG Pactual registram prejuízos de até 93% em aplicações atreladas a títulos de dívida da Ambipar e da Braskem. Os casos, revelados em comunicados enviados às instituições aos assessores em 7 de outubro de 2025, afetam emissões realizadas até março de 2024 e envolvem liquidação antecipada dos produtos. A desvalorização dos bonds no mercado internacional, negociados a frações do valor de face, ativou cláusulas contratuais que forçaram o resgate precoce.
Reclamações multiplicam-se em plataformas de defesa do consumidor, com relatos de aplicações sugeridas como de baixo risco.
- Aplicações em COEs da Ambipar renderam apenas 6,88% do principal investido.
- Para Braskem, os retornos variam de 26,62% a 36,97%, dependendo da emissão.
- Milhares de investidores de varejo, muitos sem experiência em derivativos, foram impactados.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) monitora o episódio, que destaca falhas na adequação de produtos a perfis de risco.
Estrutura dos COEs e mecanismos de proteção
COEs combinam elementos de renda fixa e variável para criar estratégias personalizadas de investimento. Bancos emitem os certificados, que são distribuídos por corretoras e registrados na B3. O ativo de referência, como um título de dívida corporativa, determina o desempenho final.
Em estruturas com capital protegido, o investidor recupera pelo menos o valor aplicado no vencimento, mas sem ganhos adicionais em cenários negativos. No entanto, os COEs afetados pela crise da Ambipar e Braskem eram do tipo capital em risco, permitindo perdas totais se o lastro desvalorizar abaixo de barreiras definidas.
Essa modalidade atraiu investidores em busca de retornos acima da taxa Selic, mas expôs vulnerabilidades a eventos de crédito.
Agentes envolvidos na emissão e distribuição
Bancos como BTG Pactual estruturam os COEs, definindo combinações de ativos e derivativos como opções de compra e venda. Corretoras, incluindo a XP, comercializam os produtos para o varejo.
A operação exige registro na B3 e aprovação da CVM, mas a complexidade das lâminas contratuais complica a compreensão para iniciantes.
- Emissores montam o “pacote” com base em cenários de mercado.
- Distribuidores recebem comissões por volume de vendas.
- Investidores assinam termos que incluem gatilhos de liquidação.
Plataformas digitais facilitaram o acesso, mas relatos indicam omissões em alertas sobre riscos de inadimplência.
Riscos inerentes aos COEs de crédito
Os COEs não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), expondo o capital a falhas de emissores ou lastros. No caso da Ambipar, a empresa enfrenta recuperação judicial, com bonds caindo para 13% do valor nominal.
A Braskem, por sua vez, registrou rebaixamento de rating após empréstimo de US$ 1 bilhão e questionamentos sobre endividamento. Esses eventos ativaram mecanismos que liquidam o COE ao preço de mercado do bond, resultando em pagamentos mínimos.
A baixa liquidez agrava o problema, pois resgates antecipados ocorrem apenas no vencimento ou por cláusulas forçadas.
Além disso, derivativos embutidos amplificam variações, tornando o produto inadequado para perfis conservadores. Especialistas recomendam análise de suitability antes da aplicação.
Caso Ambipar: desvalorização e liquidação forçada
A Ambipar, multinacional de gestão ambiental, viu suas ações despencarem após anúncio de recurso judicial contra falência em outubro de 2025. Os COEs atrelados a seus bonds, emitidos até 18 de março de 2024, foram liquidados em 7 de outubro, com pagamento de 6,88% do investido.
Investidores relatam aplicações de R$ 68 mil que viraram R$ 4,7 mil, questionando a classificação como “baixo risco” por assessores da XP.
O episódio reflete uma campanha agressiva de vendas em 2024, com lotes especiais para funcionários das corretoras.
Reclamações no Reclame Aqui somam dezenas, com pedidos de indenização por falta de transparência.
Situação da Braskem e retornos parciais
A petroquímica Braskem enfrentou rebaixamento de nota de crédito por agências internacionais devido a dívidas elevadas. Empréstimos recentes de US$ 1 bilhão agravaram preocupações com liquidez.
COEs emitidos até 25 de março de 2024 tiveram marcação em 7 de outubro e liquidação em 10 de outubro, com resgates entre 26,62% e 36,97%. Isso representa perdas de até 73% para os aplicadores.
A empresa nega risco iminente de default, mas o mercado secundário precificou os bonds em níveis baixos.
Investidores afetados recebem planilhas individuais da XP para detalhar cálculos.
Crescimento do mercado de COEs no Brasil
O volume de COEs negociados na B3 atingiu R$ 90 bilhões em 2024, com alta de 16% ante o ano anterior. A média diária de operações ficou em 1.092, impulsionada por buscas por diversificação.
Cerca de 15% dos produtos são do tipo crédito, como os envolvidos nas perdas recentes. Apesar dos riscos, o instrumento cresceu 20% em emissões de varejo desde 2023.
A CVM estuda revisões em normas para maior clareza em prospectos.
Dicas para avaliar COEs antes de investir
Antes de aplicar, verifique o perfil de risco no questionário de suitability da corretora. Analise o ativo de referência e cenários de pior caso nas lâminas.
- Consulte múltiplas instituições para comparar estruturas.
- Priorize COEs com barreiras de proteção explícitas.
- Evite produtos com vencimentos longos se precisar de liquidez.
Especialistas sugerem diversificação em renda fixa garantida para mitigar exposições.
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