Cruzeiro enfrenta punição para Kaio Jorge após gesto contra arbitragem em empate com Atlético-MG na Arena MRV

O atacante Kaio Jorge, do Cruzeiro, foi expulso durante o empate por 1 a 1 contra o Atlético-MG, na Arena MRV, em Belo Horizonte, na quarta-feira, 15 de outubro de 2025, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gesto realizado pelo jogador, insinuando roubo por parte da arbitragem, ocorreu logo após o gol de empate marcado pelo rival, aos seis minutos do segundo tempo. A atitude gerou imediata intervenção do VAR, que recomendou o cartão vermelho ao árbitro Paulo César Zanovelli da Silva.
A marcação equivocada de um escanteio, em vez de tiro de meta, após desvio na bola por Dudu, do Atlético-MG, provocou a reação dos cruzeirenses. Kaio Jorge, artilheiro da equipe com 15 gols na temporada, foi identificado como autor do gesto, inicialmente atribuído ao volante Lucas Romero. O incidente destaca tensões recorrentes com decisões arbitrais em clássicos mineiros.
O Cruzeiro, que vencia por 1 a 0 até então, terminou o jogo com um jogador a menos e segurou o resultado. A expulsão impacta diretamente a preparação para o confronto contra o Fortaleza, no Mineirão, no sábado, 18 de outubro.
Incidentes semelhantes no futebol brasileiro
O gesto de Kaio Jorge não é isolado no futebol nacional. Em novembro de 2024, o volante Felipe Melo, então no Fluminense, repetiu a ação durante empate por 2 a 2 com o Grêmio, no Maracanã, pelo Brasileirão. Melo, no banco de reservas, reagiu a um pênalti marcado nos acréscimos a favor do rival, proferindo palavras como “o Fluminense está sendo roubado”.
A Segunda Comissão Disciplinar do STJD julgou o caso em poucas semanas, aplicando suspensão de cinco partidas e multa de R$ 6 mil ao jogador. O Fluminense também recebeu punição de R$ 50 mil por atos discriminatórios de torcedores na mesma partida. A decisão foi tomada por maioria de votos, considerando o gesto como ofensa à autoridade esportiva.
Precedentes de punições no STJD
Casos anteriores revelam variações nas sanções impostas pelo STJD. Em novembro de 2023, o atacante Hulk, do Atlético-MG, fez gesto similar durante empate por 1 a 1 com o América-MG, no Parque do Sabiá, em Uberlândia. Além do gesto, Hulk xingou o árbitro Rodrigo José Pereira de Lima e foi expulso nos acréscimos.
O julgamento resultou em acordo de transação disciplinar, com multa de R$ 100 mil ao jogador e ao clube, dividida entre penalidade e doações a instituições de caridade. Não houve suspensão de jogos, o que permitiu a Hulk continuidade imediata nas partidas de 2024. A Procuradoria do STJD homologou o valor em dez dias para a multa e 30 dias para as contribuições sociais.
O Código Brasileiro de Justiça Desportiva, artigo 243-F, prevê para ofensas à honra relacionadas ao desporto multa de até R$ 100 mil e suspensão de uma a seis partidas. Especialistas em direito desportivo apontam que o contexto, como reincidência ou agravantes, influencia a dosagem da pena.
- Artigo 243-F: Ofensa à honra por fato desportivo, com suspensão de 1 a 6 jogos.
- Artigo 254-A: Possível enquadramento para agressões físicas, com 4 a 12 partidas.
- Transações: Acordos reduzem suspensões em troca de multas elevadas.
Denúncia adicional do Atlético-MG
O Atlético-MG protocolou notícia de infração no STJD contra Kaio Jorge por incidente separado no mesmo jogo. Nos acréscimos do primeiro tempo, o atacante apertou a mão fraturada do zagueiro Ivan Román, que usava proteção na direita. Román se desvencilhou e acusou o cruzeirense de agravar a lesão.
O diretor jurídico alvinegro, Paulo Bracks, classificou a atitude como desleal em áudio à imprensa. O clube busca enquadramento no artigo 254-A, por conduta antidesportiva violenta, que pode resultar em suspensão de quatro a 12 jogos. A punição, se aplicada, seria cumprida na próxima temporada, devido ao recurso possível e ao fim da Série A em 2025.
Posicionamento do Cruzeiro e do jogador
Kaio Jorge se pronunciou nas redes sociais na manhã de quinta-feira, 16 de outubro, pedindo desculpas à torcida celeste. O atacante reconheceu o erro e afirmou que a reação não reflete seu profissionalismo diário. O Cruzeiro emitiu nota oficial apoiando o jogador, mas enfatizando a importância da conduta ética em campo.
O clube mineiro monitora o processo no STJD, com julgamento previsto para as próximas semanas. Enquanto isso, o técnico Leonardo Jardim ajusta a equipe sem o artilheiro para o duelo com o Fortaleza. A diretoria avalia recursos para minimizar impactos na campanha pelo G-4 do Brasileirão.
Detalhes da súmula arbitral
Paulo César Zanovelli da Silva descreveu na súmula o gesto de Kaio Jorge como colocação do polegar na palma da mão contrária, insinuando roubo. O VAR, Rodrigo D’Alonso Ferreira, confirmou a identificação após revisão de imagens. O documento registra que o incidente ocorreu aos seis minutos do segundo tempo, impactando o equilíbrio do clássico.
A arbitragem mineira, afiliada à FMF, enfrenta críticas recorrentes em dérbis. Em 2025, pelo menos três clássicos registraram intervenções do VAR por protestos semelhantes. O episódio reforça debates sobre protocolos para gestos ofensivos.
Consequências para a temporada
A possível suspensão de Kaio Jorge afeta o planejamento do Cruzeiro na reta final do Brasileirão. Com 15 gols, o atacante é peça-chave na briga por vagas em competições sul-americanas. O clube avalia opções como Matheus Pereira para suprir a ausência.
O Atlético-MG, por sua vez, foca na denúncia para pressionar o rival. O empate manteve ambos na parte intermediária da tabela, com o Galo em nono e a Raposa em sétimo. A CBF divulga áudios do VAR para transparência em lances polêmicos como esse.


