O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (20), em Washington, que o Hamas será erradicado caso o grupo viole o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. A afirmação ocorreu durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em meio a trocas de acusações entre Israel e o movimento palestino sobre descumprimentos do plano de paz. Trump destacou que os Estados Unidos intervirão com violência se necessário, para garantir o cumprimento dos termos.
O conflito na região persiste desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em cerca de 1.200 mortes em Israel e 251 reféns. O cessar-fogo, mediado por EUA, Egito, Catar e Turquia, entrou em vigor em 10 de outubro e prevê fases de libertação de reféns e prisioneiros.
Israel acusa o Hamas de não entregar todos os corpos de reféns, com apenas 12 de 28 devolvidos até o momento. Netanyahu ordenou o bloqueio da passagem de Rafah, principal rota de ajuda humanitária, até a conclusão da entrega.
- Principais termos do acordo incluem libertação de 20 reféns vivos em 72 horas.
- Israel deve soltar 250 prisioneiros com pena perpétua e 1.700 detidos em Gaza.
- Ajuda humanitária deve ser ampliada, com foco em reconstrução de infraestrutura.
Acusações de violações marcam primeira semana de trégua
Israel reportou disparos isolados do Hamas no fim de semana, o que levou a ataques aéreos que mataram 45 palestinos, segundo a Defesa Civil de Gaza. O exército israelense classificou as ações como resposta defensiva, enquanto o Hamas negou as alegações e atribuiu os incidentes a clãs rivais no território.
Enviados americanos, como Steve Witkoff e Jared Kushner, reuniram-se com Netanyahu em Jerusalém para reforçar a implementação do plano. Trump enfatizou que o grupo palestino demonstrou indisciplina histórica, justificando a ameaça de intervenção rápida.
Detalhes da entrega de reféns revelam entraves logísticos
A recuperação de corpos enfrenta obstáculos devido aos escombros acumulados em Gaza após dois anos de combates. O Hamas informou que equipes de resgate operam em áreas destruídas, com risco de colapso estrutural em prédios bombardeados.
Autoridades israelenses exigem acesso irrestrito a locais de sepultamento, sob supervisão conjunta com mediadores internacionais. Até agora, sete corpos foram identificados e transferidos, mas o prazo para os restantes expira em breve.
O plano prevê que, por cada corpo devolvido, Israel libere restos mortais de 15 palestinos detidos. Essa troca faz parte da primeira fase, que também inclui a libertação de reféns vivos em troca de prisioneiros.
Bloqueio em Rafah afeta suprimentos essenciais para Gaza
Netanyahu justificou a medida como garantia de compliance, impactando o fluxo de alimentos e medicamentos. Caminhões de ajuda acumulam-se na fronteira egípcia, aguardando liberação.
A ONU alerta para risco de fome em áreas do sul de Gaza, onde 1,9 milhão de pessoas dependem de assistência externa. O bloqueio agrava a crise sanitária, com relatos de surtos de doenças em campos de deslocados.
Trump mencionou que a reabertura da passagem depende exclusivamente da entrega completa, sem concessões adicionais. Mediadores árabes pressionam por soluções alternativas, como rotas aéreas temporárias.
Histórico de indisciplina do Hamas pesa nas negociações
O grupo palestino controla Gaza desde 2007, período marcado por confrontos cíclicos com Israel. Ataques como o de 2023 resultaram em mais de 67 mil mortes no território, segundo o Ministério da Saúde local.
Trump descreveu o Hamas como entidade violenta ao longo de um século, citando violações passadas de tréguas. A retórica visa reforçar a adesão ao atual acordo, que inclui desmilitarização gradual.
Autoridades americanas monitoram o cumprimento via satélites e drones, com relatórios diários à Casa Branca. Qualquer infração pode ativar cláusulas de resposta militar coordenada.
Medidas de estabilização pós-cessar-fogo avançam devagar
Uma força internacional de estabilização, proposta no plano de 20 pontos, deve ser implantada em Gaza para supervisionar a transição. Países árabes e europeus discutem contribuições, com foco em desarmamento voluntário do Hamas.
Membros do grupo que optarem pela coexistência pacífica receberão anistia, desde que entreguem armas. Aqueles que desejarem deixar o território terão passagem segura para nações receptoras.
A reconstrução envolve reabilitação de hospitais, padarias e redes de água, com volume mínimo de ajuda equivalente ao acordado em janeiro de 2025. Equipamentos para remoção de escombros já chegam via portos alternativos.
O comitê transitório palestino, formado por tecnocratas independentes, assumirá a administração diária sob supervisão do Conselho da Paz, presidido por Trump.
Pressões diplomáticas de Trump aceleram cumprimento
Encontros recentes entre Netanyahu e enviados dos EUA ocorreram em meio a violações iniciais, como execuções internas reportadas em Gaza. Trump aprovou temporariamente ações de segurança do Hamas, mas revogou após vídeos de violência circularem.
O presidente alertou que não tolerará atrasos, com possibilidade de retomada de ofensivas israelenses. Líderes do Catar e Egito mediam diálogos indiretos para resolver impasses sobre governança futura.
Cronologia recente de trocas e incidentes
O cessar-fogo iniciou em 10 de outubro com libertação inicial de reféns. No dia 13, Trump assinou o documento em cúpula no Egito, sem presença direta de Israel ou Hamas.
Ataques israelenses em 19 de outubro mataram 63 pessoas, elevando o total de vítimas desde 2023 para 67.074. O Hamas respondeu com negação de responsabilidade por disparos.
Prazo para entrega de todos os corpos expira em 22 de outubro, sob pena de sanções adicionais.
Ajuda humanitária sob risco imediato em Rafah
Suprimentos essenciais incluem 500 caminhões diários de alimentos, bloqueados desde o dia 18. Famílias em Khan Yunis enfrentam escassez de água potável, agravada por danos em poços.
A Cruz Vermelha coordena inspeções em pontos de passagem, mas relatórios indicam atrasos de até 48 horas em liberações. Trump vinculou a reabertura à cooperação total do Hamas.
Organizações internacionais pedem corredores humanitários alternativos via Jordânia, para mitigar o impacto em civis.
