Fisiculturista Lucas Coelho supera vício em crack e ruas de SP para competir no Mr. Olympia 2025
Lucas Coelho, atleta baiano de 40 anos, competiu na categoria 212 do fisiculturismo no Mr. Olympia 2025, realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos, entre 9 e 12 de outubro. Nascido em Gandu, interior da Bahia, ele enfrentou anos de dependência química e vida nas ruas de São Paulo, impulsionado pela busca por oportunidades melhores que o levaram à Cracolândia. A revelação de sua história ocorreu em entrevista recente, destacando o papel do esporte na recuperação pessoal.
O evento reúne cerca de 49 brasileiros confirmados entre os 59 classificados inicialmente, com Coelho garantindo vaga após vitória no Big Pro Evolution, em Portugal, e no campeonato na Hungria, em maio. Sua participação representa não só conquistas atléticas, mas a transição de revirar lixeiras para sobreviver a uma rotina de treinos intensos e alimentação controlada.
A Cracolândia, região central de São Paulo conhecida pelo uso de crack, marcou o período mais difícil de Coelho, onde a falta de emprego agravou o vício iniciado com más companhias.
- Dependência durou quatro anos, com consumo de cocaína e crack;
- Recursos obtidos por esmolas destinavam-se exclusivamente às drogas;
- Ajuda de projetos sociais aos 20 anos iniciou a mudança.
Início na Bahia e migração para São Paulo
Coelho deixou Gandu aos 16 anos, atraído por promessas de trabalho na capital paulista. A ausência de suporte familiar e o acesso fácil a substâncias ilícitas aceleraram o declínio.
Projetos sociais intervieram em 2005, oferecendo abrigo e orientação, o que permitiu o contato inicial com academias. O fisiculturismo surgiu como alternativa ao vício, substituindo hábitos destrutivos por disciplina física.
Virada aos 20 anos e primeiros passos no esporte
Uma rede de apoio retirou Coelho das ruas, introduzindo-o a rotinas saudáveis. Ele frequentou igrejas e ganhou amigos que incentivaram a prática esportiva.
Aos 21 anos, livre da dependência, Coelho voltou aos treinos de musculação, paixão de infância inspirada por revistas de ídolos como Ronnie Coleman. Essa fase marcou o fim de quatro anos de instabilidade.
O primeiro contato com competições ocorreu em Ribeirão Preto, onde instrutores locais reconheceram seu potencial. A dedicação resultou em título paulista na categoria Class II em 2013.
Conquistas na categoria 212 e rotina atual
Coelho obteve o pro card em 2012, aos 27 anos, qualificando-se como profissional. Desde então, disputou edições do Mr. Olympia, com 17º lugar em 2025 entre 20 atletas.
Treinos diários, com foco em simetria e volume muscular até 96 kg, definem sua preparação. Ele conta com orientação de Roelly Winklaar, lenda holandesa, para refinar técnicas.
A alimentação regrada, com alto teor proteico, contrasta com o passado de escassez. Coelho mantém equilíbrio entre competições e palestras motivacionais.
Desafios no Mr. Olympia e próximos objetivos
A estreia no Olympia ocorreu em 2022, após vitória no MuscleContest São Paulo. Resultados iniciais foram modestos, mas o atleta enfatiza persistência.
Em 2025, enfrentou 21 concorrentes na 212, categoria técnica que exige precisão em poses. Keone Pearson venceu, com Lucas Garcia em terceiro, representando o Brasil.
Coelho planeja retorno em 2026, visando pódio. Ele destaca que o esporte oferece estrutura para superação diária.
- Treinos matinais de seis dias por semana;
- Suplementação focada em recuperação muscular;
- Monitoramento de peso para limite da categoria.
Reconhecimento internacional e legado pessoal
Vitórias em Portugal e Hungria elevaram o perfil de Coelho. O prêmio de R$ 15 mil no Big Pro Evolution financiou viagens competitivas.
Seu testemunho em entrevistas reforça o valor de acreditar em mudanças. Pessoas da Cracolândia ainda o reconhecem, atribuindo à fé e esforço a transformação física.
Coelho evita vitimismo, focando em lições práticas de resiliência. Ele promove o fisiculturismo como ferramenta acessível para jovens em risco.
A participação no Olympia 2025 consolida sua posição entre os cinco brasileiros na 212, ao lado de Lucas Garcia, Luiz Esteves e Vitor Porto. Essa trajetória ilustra como o esporte pode reestruturar vidas marcadas por adversidades urbanas.
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