Teste de DNA confirma que polonesa não é Madeleine McCann em julgamento por assédio no Reino Unido

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Julia Waldelt e Madeleine McCann Foto: Julia Waldelt e Madeleine McCann - Foto: Reprodução

Uma análise genética apresentada nesta segunda-feira (20) em tribunal britânico descartou qualquer vínculo biológico entre Julia Wandelt, polonesa de 24 anos, e Madeleine McCann, a criança britânica desaparecida há 18 anos em Portugal. A perícia, realizada após a prisão de Wandelt em fevereiro de 2025, comparou material coletado dela com amostras preservadas de Madeleine, obtidas logo após o sumiço em 2007. O julgamento ocorre no Tribunal de Leicester, na Inglaterra, onde Wandelt enfrenta acusações de assédio à família McCann por mais de dois anos e meio.

A especialista Rosalyn Hammond, envolvida na investigação do caso desde 2012, afirmou que os perfis genéticos não coincidem em 25 das 32 áreas analisadas. Wandelt, que alegava ser a filha perdida do casal Kate e Gerry McCann, enviou centenas de mensagens, ligações e cartas insistindo na identidade falsa. O processo, iniciado há duas semanas, também envolve Karen Spragg, de 61 anos, acusada de apoiar as ações entre maio de 2024 e fevereiro de 2025.

O desaparecimento de Madeleine, aos três anos, aconteceu em 3 de maio de 2007, no resort de Praia da Luz, no Algarve. Os pais jantavam em restaurante próximo quando notaram a ausência da filha, que dormia com os gêmeos de dois anos. A polícia portuguesa e britânica investigam o caso há anos, com mais de 50 mil pistas processadas até agora.

  • Principais elementos do assédio: mais de 200 contatos via WhatsApp, e-mail e telefone entre junho de 2022 e fevereiro de 2025.
  • Amostras usadas: DNA de travesseiro de Madeleine, coletado dias após o fato, e perfil de Wandelt obtido na prisão.
  • Idade incompatível: Wandelt nasceu em 2001, dois anos após Madeleine, o que reforça a análise visual inicial da polícia.
Madeleine McCann
Madeleine McCann – Foto: Reprodução

Início das alegações e contatos iniciais

Julia Wandelt iniciou as reivindicações em junho de 2022, enviando e-mail ao site oficial da família McCann. Ela descreveu memórias supostas do resort em Portugal e pediu contato direto. Um segundo e-mail chegou em agosto, com fotos alteradas para sugerir semelhanças físicas. A polícia registrou o primeiro relatório em dezembro de 2024, quando Wandelt e Spragg apareceram na casa dos McCann em Rothley, Leicestershire.

Os contatos escalaram para ligações noturnas e mensagens em redes sociais direcionadas aos gêmeos Sean e Amelie, hoje com 20 anos. Wandelt exigia testes de DNA conjuntos e acusava a família de ignorar “provas”. A promotoria descreve a conduta como uma campanha planejada, com Spragg atuando como intermediária em visitas e comunicações.

Procedimentos policiais durante o assédio

A polícia metropolitana de Londres, via Operação Grange, monitorou os incidentes desde 2022. O inspetor-chefe Mark Cranwell autorizou o teste de DNA de Wandelt na prisão de Peterborough, em abril de 2025, para interromper o padrão de contatos. Ele comparou o perfil dela com o de Madeleine, confirmando ausência de match sem informar os McCanns previamente, para evitar expectativas infundadas.

Cranwell relatou que 12 pessoas já reivindicaram ser Madeleine desde 2007, mas testes genéticos só ocorrem em casos graves como este. A decisão evitou precedente, mas priorizou o bem-estar da família. Wandelt contestou os resultados, alegando manipulação, apesar de evidências de herança polonesa, lituana e romena em seu perfil.

Investigadores coletaram depoimentos de amigos dos McCanns, como Fiona e David Payne, que receberam mensagens de Wandelt em 2024. Eles descreveram os textos como insistentes, com anexos de “evidências” de DNA não oficiais.

A prisão ocorreu no aeroporto de Bristol, em fevereiro de 2025, após Wandelt retornar da Polônia. Spragg esperava em carro próximo, com itens para viagem à casa dos McCann.

Evidências genéticas detalhadas

A perícia de Hammond analisou 32 loci genéticos, encontrando coincidências em apenas sete áreas, compatíveis com perfis aleatórios. Ela confirmou que o DNA de Madeleine corresponde ao de Kate e Gerry como filha biológica, excluindo Wandelt de qualquer parentesco direto. Testes adicionais descartaram match com perfis do local do crime em Portugal, incluindo um de piso que Wandelt citava como 69,23% compatível – na verdade, um perfil masculino sem relação.

Wandelt divulgou resultados de testes comerciais em 2023, sugerindo 70% de similaridade, mas especialistas classificam esses como imprecisos para identificação individual. A análise oficial usou amostras de sangue e saliva, preservadas em condições forenses desde 2007.

A promotoria apresentou imagens manipuladas por Wandelt, alterando olhos e dentes para imitar Madeleine. Voz e pigmentação ocular também diferem, conforme avaliação inicial de Cranwell.

Hammond destacou que perfis de DNA de crianças preservam traços parentais, facilitando comparações. Nenhum indício sugere troca ou contaminação nas amostras originais.

Impacto na família e depoimentos

Kate McCann testemunhou atrás de tela para preservar privacidade, relatando ansiedade acumulada pelos contatos incessantes. Ela descreveu mensagens como invasivas, chegando a horários impróprios e questionando decisões familiares. Gerry McCann complementou, notando estresse nos gêmeos, que bloquearam números múltiplas vezes.

Amelie McCann, irmã de Madeleine, recebeu “mensagens sinistras” em junho de 2024, incluindo fotos de cenas de crime. Ela repassou o material à polícia, descrevendo o desconforto de interações forçadas. Sean, o irmão gêmeo, evitou contato direto, mas confirmou o monitoramento familiar.

A família agradeceu o apoio público, mas enfatizou o foco na busca real por Madeleine. O casal mantém o site oficial ativo para dicas, processando novas informações anualmente.

Depoimentos de vizinhos em Rothley confirmam visitas indesejadas, com Wandelt batendo à porta em dezembro de 2024. A promotoria argumenta que o assédio visava exploração midiática, dada a repercussão global do caso.

Cronologia dos eventos principais

O sumiço de Madeleine em 2007 gerou buscas internacionais, com polícia portuguesa arquivando e reabrindo o inquérito várias vezes. Em 2022, Wandelt surge online, postando em fóruns sobre memórias reprimidas. Contatos com McCanns começam no verão daquele ano.

Em 2023, ela aparece no programa Dr. Phil, nos EUA, ampliando alegações. Testes poloneses iniciais confirmam origem local, mas ela persiste. Dezembro de 2024 marca a visita à casa, levando a relatório criminal.

Fevereiro de 2025 traz prisões em Bristol. Abril revela resultados de DNA a Wandelt, que os rejeita. O julgamento inicia em outubro, com previsão de conclusão em novembro.

  • 3 de maio de 2007: Desaparecimento em Praia da Luz.
  • Junho de 2022: Primeiro e-mail à família.
  • Dezembro de 2024: Aparição na residência.
  • Fevereiro de 2025: Prisões no aeroporto.
  • 20 de outubro de 2025: Apresentação da perícia genética.

Análise de perfis falsos em casos famosos

Casos como o de Madeleine atraem reivindicações infundadas, com 12 alegações registradas desde 2007. A polícia britânica prioriza verificações visuais antes de testes caros. Wandelt não é o primeiro caso; em 2017, uma americana foi descartada por idade e traços.

Especialistas em genealogia alertam para testes online enganosos, que medem ancestralidade ampla, não parentesco direto. Plataformas como Ancestry foram citadas por Wandelt, mas não suportam claims individuais.

A Operação Grange, custando milhões, integra tecnologia forense moderna para reavaliar evidências antigas. Equipes analisam DNA ambiental de 2007 anualmente.

Promotores buscam penas por stalking, com histórico de Wandelt incluindo alegações passadas de ser outra criança desaparecida.

Posição das autoridades no julgamento

O Ministério Público de Leicester classifica o caso como perseguição sistemática, com evidências digitais rastreadas. Juízes ouvem áudios de voicemails onde Wandelt implora por reconhecimento. Spragg nega cumplicidade, alegando apoio amigável.

Cranwell defendeu a coleta de DNA como medida protetiva, sem intenção de preceder outros claims. A defesa de Wandelt questiona a cadeia de custódia das amostras de 2007, mas Hammond rebateu com protocolos forenses.

O tribunal agenda mais testemunhas, incluindo peritos em cibersegurança para rastrear posts online de Wandelt. Ambas as acusadas permanecem detidas.

Autoridades portuguesas cooperam, fornecendo arquivos do inquérito original. O foco permanece na investigação principal, sem distrações por hoaxes.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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