Clonazepam lidera vendas no Brasil e acende alerta para dependência em idosos

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A venda de clonazepam, o calmante mais consumido no Brasil, atingiu 39 milhões de unidades em 2024, segundo a Anvisa, com grande uso entre idosos. O medicamento, indicado para crises agudas de ansiedade e insônia, é frequentemente prescrito por longos períodos, levando à dependência silenciosa. Especialistas alertam para riscos como perda de memória e quedas, especialmente em pessoas acima de 60 anos, que representam cerca de 2 milhões de usuários no país. A popularidade do remédio reflete problemas como solidão e prescrição inadequada.

O medicamento, conhecido comercialmente como Rivotril, é um benzodiazepínico de ação prolongada, com efeitos que podem durar até 24 horas. Apesar de ser tarja preta, com venda controlada por receita, seu baixo custo e acesso pelo SUS contribuem para o uso indiscriminado. Dados da Anvisa mostram que o clonazepam supera outros ansiolíticos, como alprazolam e diazepam, em volume de vendas. A dependência, segundo médicos, é agravada pela falta de acompanhamento e pela resistência de pacientes à suspensão.

  • Efeitos colaterais incluem confusão mental e prejuízo cognitivo.
  • O uso prolongado compromete a qualidade do sono, sem atingir fases profundas.
  • A solidão e o luto são gatilhos comuns para o uso contínuo.

Popularidade e riscos do medicamento

O clonazepam é líder entre benzodiazepínicos devido à sua eficácia rápida e custo acessível, com caixas custando menos de R$ 6. No entanto, o efeito prolongado no organismo, especialmente em idosos com metabolismo mais lento, aumenta riscos como quedas e confusão mental.

A prescrição recorrente sem revisão médica contribui para o problema, com muitos pacientes usando o remédio por décadas.

Impactos na saúde dos idosos

A dependência do clonazepam vai além do físico, alcançando aspectos emocionais. Pacientes relatam dificuldade em dormir ou relaxar sem o medicamento, criando um ciclo de uso contínuo.

Médicos apontam que o remédio não trata causas subjacentes, como depressão ou solidão, comuns na terceira idade.

A falta de acesso a terapias como a cognitivo-comportamental no SUS agrava o quadro, mantendo a dependência de medicamentos.

Histórico de prescrição no Brasil

O uso elevado de clonazepam remonta aos anos 1990, quando benzodiazepínicos eram amplamente prescritos como solução rápida para ansiedade e insônia.

Hoje, muitos idosos que começaram a usar o medicamento naquela época seguem dependentes, com prescrições renovadas sem reavaliação.

O marketing inicial do Rivotril fixou seu nome no imaginário popular, impulsionando sua demanda.

A Anvisa monitora as vendas, mas a fiscalização não impede o uso crônico sem acompanhamento médico.

Alternativas ao uso prolongado

Parar o clonazepam exige um processo lento de desmame, com supervisão médica para evitar o efeito rebote, que intensifica ansiedade e insônia.

Mudanças simples, como exercícios físicos e horários regulares de sono, podem reduzir a necessidade do medicamento.

A terapia cognitivo-comportamental é recomendada, mas sua baixa disponibilidade no sistema público limita o acesso.

Apoio psicológico e social é essencial para tratar questões emocionais que levam ao uso do remédio.

Desafios do envelhecimento brasileiro

O aumento do uso de clonazepam reflete um envelhecimento marcado por solidão e doenças crônicas. Muitos idosos recorrem ao medicamento para lidar com luto, isolamento ou dor, em vez de receberem tratamentos adequados, como antidepressivos ou psicoterapia.

Soluções e prevenção

Especialistas defendem maior controle na prescrição e investimento em saúde mental para idosos. A educação sobre os riscos do uso prolongado e a promoção de alternativas não medicamentosas são passos cruciais para reduzir a dependência.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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