O Ibovespa encerrou o dia 22 de outubro de 2025 com alta de 0,55%, alcançando 144.872,79 pontos, na contramão do desempenho negativo das bolsas nos Estados Unidos. A valorização foi impulsionada por resultados sólidos da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), além do balanço positivo da WEG (WEGE3). Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,14%, cotado a R$ 5,397, e os juros futuros (DIs) recuaram. O mercado brasileiro foi pouco afetado pelas tensões geopolíticas entre EUA e China, que pesaram em Wall Street.
A Vale registrou sua maior produção trimestral de minério de ferro desde 2018, com alta de 1,78% em suas ações, enquanto a Petrobras avançou 1,15%, beneficiada pelo aumento do petróleo internacional e pela liderança em leilão do pré-sal. A WEG, com lucro de R$ 1,65 bilhão no terceiro trimestre, teve suas ações como as mais negociadas, subindo 0,88%.
- Destaques do dia: Vale (VALE3) sobe 1,78%; Petrobras (PETR4) avança 1,15%.
- Quedas expressivas: Assaí (ASAI3) recua 7,08%; Fleury (FLRY3) cai 2,69%.
- Dólar comercial: Alta de 0,14%, a R$ 5,397.
- Volume do Ibovespa: R$ 17,90 bilhões.
Resultados corporativos em foco
A temporada de balanços do terceiro trimestre começou com a WEG, que reportou lucro 4,5% maior, agradando analistas. A empresa, apesar de uma dinâmica mais fraca em projetos de longo prazo, manteve margens saudáveis, com Ebitda de R$ 2,28 bilhões.
As ações da WEG lideraram as negociações, refletindo a confiança dos investidores nos resultados. Já o IRB (IRBR3) subiu 1,03% após reportar lucro líquido de R$ 35,7 milhões em agosto, alta de 23,1% em relação ao ano anterior.
Desempenho de Vale e Petrobras
A Vale foi destaque com dados de produção considerados sólidos, atingindo o maior nível desde 2018. Analistas do Bradesco BBI apontaram que a empresa está no caminho para cumprir a meta anual, beneficiada pela alta do minério de ferro na China. As ações subiram 1,78%, a R$ 61,97.
A Petrobras, por sua vez, ganhou força com o avanço do petróleo Brent (2,07%, a US$ 62,59) e a conquista de dois blocos no leilão do pré-sal da ANP, com bônus total de R$ 103,7 milhões. As ações PETR4 subiram 1,15%.
A estatal também venceu o leilão de um terminal no Porto do Rio por R$ 104 milhões, reforçando sua posição estratégica. Bancos como Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) também subiram, com altas de 0,82% e 0,73%, respectivamente.
Pressão no varejo e saúde
O setor de varejo enfrentou dificuldades, com a Assaí (ASAI3) despencando 7,08% após rebaixamento de ações pelo JPMorgan, que prevê um 2026 desafiador. A Fleury (FLRY3) caiu 2,69% devido ao fracasso nas negociações com a Rede D’Or.
Ambev (ABEV3) recuou 1,23%, impactada pela queda nos volumes da Heineken, um indicativo negativo para o setor de bebidas. A Eletrobras (ELET3) caiu 1,49% com o anúncio de sua mudança de nome para Axia Energia.
Geopolítica e mercados globais
As bolsas americanas fecharam em baixa, com o Dow Jones caindo 0,71% e o Nasdaq recuando 0,93%, pressionados por temores de restrições dos EUA a exportações de software para a China. A paralisação do governo americano, que já dura 22 dias, também pesou no sentimento dos investidores.
No cenário doméstico, a expectativa de um encontro entre os presidentes Lula e Trump na Malásia, no domingo, foi confirmada, mantendo a atenção do mercado na geopolítica. A ausência de indicadores econômicos relevantes deixou os balanços e a política internacional como principais guias.
Movimentação no câmbio e juros
O dólar comercial teve leve alta, acompanhando o índice DXY, que subiu 0,01%. Os juros futuros (DIs) caíram em quase toda a curva, com exceção do vértice mais curto. O DI1F27 recuou 0,060 ponto percentual, para 13,880%.
O mercado de câmbio registrou fluxo negativo de US$ 1,514 bilhão em outubro até o dia 17, segundo o Banco Central, com saídas expressivas pelo canal financeiro. A agenda econômica segue esvaziada, com expectativa para dados de inflação na sexta-feira.

