Um raro e brilhante cometa, o C/2025 A6 (Lemmon), está visível nos céus do Brasil e promete ser um espetáculo astronômico único para os observadores. Descoberto em janeiro, o corpo celeste alcançou seu ponto de maior aproximação com a Terra nesta semana, proporcionando as melhores condições de visualização. O fenômeno é considerado uma ocorrência única, pois, segundo astrônomos, o cometa só voltará a se aproximar do nosso planeta daqui a cerca de 1.300 anos.
O astrofísico e professor Victor Barbosa, da Universidade Federal de Goiás (UFG), explicou que a expectativa é que o brilho máximo do cometa seja notado entre o final de outubro e o início de novembro. O período ideal para a observação se estende de 25 de outubro a 12 de novembro, com o pico de luminosidade previsto para a virada do mês, coincidindo com a celebração do Dia das Bruxas. A visibilidade é particularmente favorecida no Hemisfério Sul logo após o pôr do sol.
Melhores datas e horários para observação celeste
A aproximação máxima do cometa Lemmon com a Terra aconteceu no dia 21 de outubro, mas seu brilho máximo, estimado para magnitude 4, deve ocorrer no periélio (maior proximidade com o Sol) em 8 de novembro. Essa intensidade de brilho o coloca no limite da visibilidade a olho nu em locais com céu noturno muito escuro e com baixa poluição luminosa.
Os horários mais recomendados para tentar avistar o corpo celeste no Brasil são logo após o pôr do sol, tipicamente entre 18h30 e 20h. A direção de busca no céu deve ser o noroeste.
Condições ideais e características do visitante cósmico
A observação a olho nu do C/2025 A6 (Lemmon) requer condições atmosféricas bastante específicas e um céu totalmente limpo, sem interferência de luzes urbanas. O objeto aparece como um “ponto brilhante mais difuso” para quem está em áreas rurais ou em parques afastados dos grandes centros urbanos.
- O uso de binóculos ou telescópios de pequeno porte aumenta consideravelmente as chances de uma visualização mais detalhada.
- A luminosidade do cometa está diretamente ligada à quantidade de gás e poeira que ele libera ao se aproximar do Sol.
- Regiões com menor nebulosidade e céu aberto nos próximos dias, especialmente na metade sul de alguns estados, facilitam o encontro visual.
O brilho esverdeado e a composição do Lemmon
O cometa Lemmon se destaca no céu por sua coloração esverdeada. Este tom esmeralda é o resultado da presença de carbono diatômico em sua composição, uma molécula que, quando exposta à intensa radiação solar, emite essa luz característica.
Astrônomos apontam que esse cometa é uma relíquia gelada dos primórdios do Sistema Solar, carregando ingredientes que datam de 4,6 bilhões de anos. Sua importância científica reside na possibilidade de estudar a composição original dos blocos de construção planetária. A cauda, por vezes vista em tons azulados, é composta de íons, poeira e gelo que são empurrados pelo vento solar.
Observação no horizonte noroeste do Brasil
Especialistas em astronomia aconselham os observadores a procurar o cometa próximo ao horizonte oeste, logo após o anoitecer. Em várias regiões do país, o Lemmon estará posicionado próximo a constelações como Escorpião e Balança. A longa órbita de mais de mil anos torna esta passagem um evento imperdível para a atual geração, já que sua próxima visita não é esperada para a nossa era. O corpo celeste, que tem entre 10 e 20 quilômetros de diâmetro, segue uma trajetória alongada que o levará de volta às regiões externas do Sistema Solar após contornar o Sol em novembro.
Dificuldades e dicas para a visualização
Apesar de ser classificado como o mais brilhante do ano, a visibilidade do Lemmon ainda pode ser desafiadora em grandes cidades. O brilho intenso da Lua Cheia, especialmente por volta de 5 de novembro, pode ofuscar a tênue luz do cometa. Por isso, a recomendação é priorizar as noites de céu escuro para a tentativa de observação.
O astrofísico Victor Barbosa mencionou que o Lemmon não deve superar o brilho de cometas como o Neowise, observado em anos anteriores, mas ainda assim oferece uma oportunidade valiosa. É importante que os observadores se adaptem à escuridão, dando alguns minutos para que os olhos ajustem sua sensibilidade à baixa luminosidade antes de buscar o objeto.
