Em Madri, na Espanha, o atacante brasileiro Endrick, de 19 anos, vive um momento de escassa utilização no Real Madrid nesta temporada europeia de 2025/26. O jogador, contratado do Palmeiras em 2022 por cerca de 72 milhões de euros, ainda não disputou nenhum minuto em campo sob o comando do técnico Xabi Alonso, em 12 partidas do time. A situação levanta debates sobre seu futuro no clube, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2026.
A última atuação de Endrick ocorreu em maio de 2025, na vitória sobre o Sevilla pelo Campeonato Espanhol da temporada anterior. Recuperado de uma lesão muscular na coxa direita desde setembro, ele foi relacionado para sete jogos, mas permaneceu no banco de reservas em todos. Alonso, que assumiu o time no meio do Mundial de Clubes, prioriza rotações no elenco, mas o brasileiro se tornou o único jogador de linha sem oportunidades.
O desempenho modesto na temporada passada, com sete gols em 37 jogos e 847 minutos totais, contribui para a concorrência acirrada no ataque merengue. Endrick assumiu a camisa 9, antes usada por ídolos como Karim Benzema, mas enfrenta rivais como Kylian Mbappé e o jovem Gonzalo García.
Trajetória desde a base palmeirense
Endrick surgiu como revelação no Palmeiras, onde estreou aos 16 anos e acumulou 82 partidas com 21 gols até julho de 2024. A transferência para o Real Madrid incluiu bônus que podem render até 60 milhões de euros ao clube brasileiro, dependendo de metas alcançadas. No time merengue, ele marcou seu primeiro gol na Liga dos Campeões na temporada 2024/25, mas lesões interromperam o ritmo.
Sob Carlo Ancelotti, o atacante teve 21 jogos na última temporada, com cinco gols na Copa do Rei. A mudança de comando para Alonso, em julho de 2025, alterou a dinâmica, com ênfase em jovens como Arda Güler e Gonzalo García, que somam minutos regulares. Endrick, no entanto, treinou intensamente para reconquistar espaço, mas as escolhas táticas limitaram sua entrada.
O staff do jogador monitora a evolução semanal, com foco em adaptação ao estilo de jogo espanhol. Alonso elogiou o “faro de gol” do brasileiro em outubro, mas enfatizou a necessidade de paciência em entrevistas.
Concorrência no setor ofensivo
Kylian Mbappé lidera o ataque com 15 gols em 11 jogos nesta temporada, assumindo a camisa 10 após a saída de Luka Modrić. Gonzalo García, de 18 anos, emergiu como opção, marcando quatro gols em seis partidas no Mundial de Clubes e ganhando preferência em rotações. Rodrygo e Vinícius Júnior completam o quarteto titular, reduzindo vagas para reservas.
- Mbappé: 13 gols em setembro, titular absoluto.
- Gonzalo García: Cinco entradas como substituto, com impacto imediato.
- Rodrygo: Versatilidade nas pontas, 318 minutos acumulados.
- Vinícius Júnior: Dois gols recentes, foco em transições rápidas.
Endrick, como centroavante puro, disputa diretamente com Mbappé e García pela posição central. Alonso ajusta formações para equilibrar ataque e defesa, priorizando experiência em jogos decisivos.
A lesão de julho, que o tirou do Mundial de Clubes, agravou o quadro, coincidindo com o bom momento de García. O brasileiro retornou aos treinos em setembro, mas o técnico optou por outras opções em duelos da La Liga.
Declarações do treinador sobre o caso
Xabi Alonso comentou a ausência de Endrick em coletiva após o jogo contra o Villarreal, em 3 de outubro. O espanhol destacou a preparação do jogador nos treinamentos e projetou chances em competições como a Copa do Rei. “Ele precisa estar pronto para o contexto de cada partida”, afirmou o comandante.
Em setembro, Alonso reforçou a confiança no potencial do atacante, comparando-o a jovens que ele desenvolveu no Bayer Leverkusen. O técnico descartou negociações em janeiro publicamente, mas fontes internas indicam discussões sobre o melhor caminho para o desenvolvimento.
Endrick, por sua vez, expressou desejo de permanecer no Real Madrid em entrevistas passadas, visando sucesso a longo prazo. Seu pai comentou sobre a paciência necessária, enfatizando o foco no crescimento profissional.
Alonso assumiu o cargo após Ancelotti aceitar o comando da seleção brasileira, herdando um elenco reformulado. A transição incluiu ajustes táticos, com ênfase em velocidade e pressão alta, que demandam adaptação de reservas.
Possíveis destinos para empréstimo
O Real Madrid avalia um cessão de seis meses a partir de janeiro de 2026, priorizando clubes europeus para manter o monitoramento próximo. O staff de Endrick prefere ligas competitivas, como a Premier League ou Série A italiana, para acumular pelo menos 25 jogos antes do Mundial.
Clubes interessados incluem:
- Juventus: Busca centroavante para esquema de Thiago Motta.
- Manchester United: Monitora desde julho, com foco em jovens brasileiros.
- Olympique de Marseille: Opção na Ligue 1 para minutos garantidos.
- Benfica: Interesse português por revelações sul-americanas.
- Roma: Precisa de profundidade no ataque após lesões.
Uma volta ao Brasil, como ao Palmeiras, está descartada, apesar de sondagens. O empréstimo visa preservar o valor de mercado do jogador, estimado em 50 milhões de euros atualmente. O Real Madrid não considera venda definitiva, com contrato até 2030.
Endrick mira os amistosos da seleção em novembro para reconquistar espaço com Ancelotti, que o convocou pela última vez em março de 2025.
Impacto na seleção brasileira
A inatividade compromete as chances de Endrick na Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá. Ancelotti, agora técnico da seleção, prioriza jogadores com ritmo de jogo regular. O brasileiro marcou gols em amistosos contra Inglaterra e Espanha em 2024, mas ficou fora das últimas três convocações.
A próxima lista sai em 3 de novembro, para duelos contra Senegal e Tunísia. Sem minutos no clube, Endrick precisa de um destino que ofereça titularidade para se preparar. Seu estafe discute opções que permitam dupla nacionalidade espanhola no futuro, facilitando permanência na Europa.
O atacante soma três gols pela seleção em 12 jogos, estreando aos 17 anos. A ausência recente reflete a pressão por evolução, com rivais como Vitor Roque e Evanilson ganhando espaço em clubes europeus.
