O Corinthians enfrenta obstáculos financeiros na tentativa de manter o volante Maycon para a temporada de 2026. O Shakhtar Donetsk, clube ucraniano detentor dos direitos do jogador, exige a quitação de uma dívida de 1 milhão de euros, equivalente a cerca de R$ 6,2 milhões, antes de qualquer acordo. O contrato de empréstimo atual termina em dezembro de 2025, e o atleta, de 28 anos, expressou o desejo de permanecer no time paulista.
A negociação ganhou urgência após a vitória do Corinthians sobre o Grêmio por 2 a 0, na Neo Química Arena, em São Paulo, pela 31ª rodada do Brasileirão Betano. O resultado posicionou o clube na 10ª colocação, com 42 pontos, a cinco do G-7. Maycon, capitão em várias partidas sob o comando de Dorival Júnior, contribuiu para a estabilidade no meio-campo durante o ano.
O estafe do jogador confirmou interesse em estender o vínculo, mas destacou que fatores externos, como a pendência com o Shakhtar, influenciam o desfecho. A diretoria corintiana, liderada por Osmar Stabile, avalia opções para viabilizar a compra definitiva, estimada em 2 milhões de euros, ou R$ 12,5 milhões.
- Principais pendências: Dívida de R$ 6,2 milhões por empréstimos de 2023 e 2024.
- Valor de mercado: 3 milhões de euros, segundo o Transfermarkt.
- Desempenho em 2025: 131 jogos, 10 gols e 7 assistências pelo Corinthians.
Exigências do Shakhtar para liberação definitiva
O Shakhtar Donetsk comunicou ao Corinthians que não aceitará mais empréstimos sem custos adicionais. A posição reflete atrasos em pagamentos anteriores, que levaram o clube ucraniano a acionar a Fifa em novembro de 2024. A decisão da Câmara de Status e Transferência, proferida em fevereiro de 2025, fixou o valor com juros de 10% ao ano e multas de 75 mil euros.
Representantes do Shakhtar priorizam a regularização financeira antes de discutir o futuro de Maycon, cujo contrato com os ucranianos vai até junho de 2027. O clube europeu avalia o desempenho do volante na Série A como positivo e considera reintegrá-lo ao elenco em 2026, caso não haja acordo.
A diretoria corintiana propôs compensações, como créditos de solidariedade por transferências passadas, mas a proposta não avançou. Uma reunião entre as partes está marcada para os próximos dias, com foco na quitação integral.
Histórico de empréstimos e condenação na Fifa
Maycon retornou ao Corinthians em março de 2022, em meio ao conflito na Ucrânia, por meio de um empréstimo inicial sem taxa. A extensão para 2023 incluiu 500 mil euros, parcelados em março e outubro, mas os valores não foram quitados na data. O segundo aditivo, para 2024, repetiu a estrutura, com vencimento em abril e novembro.
A Fifa condenou o Corinthians a pagar o montante total, acrescido de penalidades, em decisão divulgada em junho de 2025. O clube recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), suspendendo o prazo de 45 dias para quitação e evitando um transfer ban imediato. Até o momento, quatro audiências no CAS envolvem casos semelhantes, somando R$ 70,5 milhões em dívidas.
O volante acumula 236 jogos pelo Corinthians em todas as passagens, com 18 gols e 13 assistências. Sua regularidade em 2025, com 86% de acerto nos passes e 1,2 desarmes por partida, reforça a importância tática no esquema de Dorival Júnior.
A pendência com o Shakhtar integra um conjunto de seis condenações na Fifa, totalizando R$ 125,6 milhões, incluindo casos com Talleres e Santos Laguna.
Posição do jogador e planejamento para 2026
Maycon reforçou em entrevista recente o apego ao Corinthians e a gratidão pela sequência concedida pelo treinador. O atleta mencionou que a turbulência interna, incluindo eleições e disputas financeiras, afeta o foco do elenco, mas prioriza contribuições em campo. Seu staff acompanha as tratativas e busca um modelo viável, como parcelamento com bônus por metas.
O Corinthians vê na permanência de Maycon uma peça chave para o meio-campo, especialmente com a possibilidade de vaga na Libertadores 2026. O clube tem cinco pontos a menos que o Fluminense, sétimo colocado, e depende de resultados na reta final do Brasileirão para acessar o torneio continental.
Dorival Júnior elogiou a liderança do volante, que atuou em 93 das 131 partidas como titular em 2025. A diretoria estuda fontes de receita, como vendas de ativos ou patrocínios, para equilibrar o orçamento projetado em déficit de R$ 83,3 milhões.
Detalhes da negociação atual
O Shakhtar fixou 2 milhões de euros como pedida mínima para a venda, descartando cessões gratuitas após o acordo sem custos para 2025. O valor reflete o potencial de reintegração do jogador, avaliado em 3 milhões de euros pelo mercado. O Corinthians deve R$ 6,2 milhões pendentes, divididos igualmente entre os empréstimos de 2023 e 2024.
Fabinho Soldado, executivo do clube, admitiu a complexidade da conversa, mas destacou a identificação de Maycon com o elenco. Uma proposta inicial inclui quitação à vista da dívida, seguida de negociação parcelada para a compra. O estafe do atleta prioriza estabilidade contratual, evitando retornos incertos à Ucrânia.
A situação se agrava com o transfer ban vigente desde agosto de 2025, por dívida com o Santos Laguna, limitando registros até 2026. Representantes corintianos buscam audiências no CAS para aliviar sanções.
- Opções em estudo: Compra parcelada com garantias; empréstimo pago por temporada.
- Impacto tático: Maycon registra 0,7 passes decisivos e 3,9 bolas recuperadas por jogo.
- Prazo: Decisão esperada até novembro, antes do fim da janela de transferências.
Contribuições de Maycon na temporada
O volante disputou 45 partidas em 2025, marcando gols decisivos, como o contra o Atlético-MG. Sua versatilidade permite atuações como primeiro volante ou capitão, com média de 2,2 duelos ganhos por confronto. Maycon soma 0,6 finalizações por jogo e contribui na saída de bola, com 86% de precisão.
Lesões em 2023 limitaram sua sequência, mas a recuperação sob Dorival elevou o status. O jogador acumula 10 gols e 7 assistências desde o retorno em 2022, superando expectativas iniciais. Sua liderança se reflete em 1,0 interceptação média, essencial para transições defensivas.
O Corinthians depende de sua regularidade para os playoffs da Copa Betano do Brasil, com agenda apertada até dezembro. Treinadores anteriores, como Ramón Díaz, o liberaram para propostas externas, mas Dorival prioriza a retenção.
Alternativas consideradas pela diretoria
Osmar Stabile avalia promoções da base para suprir o meio-campo, caso a negociação falhe. Nomes como Breno Bidon e Raniele surgem como opções internas, com custos reduzidos. O clube monitora o mercado sul-americano por volantes acessíveis, mas o transfer ban restringe movimentações.
Uma venda de ativos, como direitos de imagem de outros atletas, pode gerar caixa para a quitação. A diretoria rejeitou propostas árabes por Maycon em outubro, focando na retenção. O planejamento para 2026 inclui equilíbrio entre folha salarial e receitas de TV.
O Shakhtar, impactado pela guerra na Ucrânia, busca maximizar retornos em transferências. O clube ucraniano notificou atrasos em abril de 2023 e 2024, acelerando a ação na Fifa. Maycon, formado nas categorias de base corintianas, soma passagens por Portuguesa e Ponte Preta antes da Europa.
