Uma tempestade geomagnética de grau 4 atingiu a Terra na terça-feira, 11 de novembro de 2025, forçando a NASA a adiar o lançamento da missão ESCAPADE, destinada a estudar o clima espacial em Marte. O evento, causado por múltiplas ejeções de massa coronal do Sol, também provocou auroras boreais visíveis em locais incomuns, como Texas, Flórida e Alabama, nos Estados Unidos. Especialistas da NOAA classificaram o fenômeno como um dos mais intensos em duas décadas, com efeitos que se estendem até quinta-feira, 13 de novembro.
O adiamento ocorreu no Cabo Canaveral, na Flórida, onde o foguete New Glenn da Blue Origin aguardava para colocar em órbita as duas sondas gêmeas da missão. A decisão priorizou a segurança das espaçonaves, que poderiam sofrer danos por radiação elevada durante etapas críticas de separação e implantação de painéis solares.
A tempestade resultou da combinação de três ejeções coronais lançadas entre domingo e terça-feira, com duas delas colidindo simultaneamente com a magnetosfera terrestre. Essa interação gerou perturbações que afetam satélites, comunicações e redes elétricas, exigindo monitoramento contínuo por agências espaciais.
Mecanismo das ejeções coronais
As ejeções de massa coronal liberam bilhões de toneladas de plasma e partículas carregadas do Sol a velocidades de até 2 milhões de quilômetros por hora. Quando direcionadas à Terra, elas comprimem o campo magnético do planeta, desencadeando correntes elétricas induzidas que interferem em sistemas tecnológicos.
O Sol, em seu ciclo de 11 anos, atingiu o pico de atividade em 2024, e o período atual concentra eventos mais potentes. Daniel Baker, do Laboratório de Física Atmosférica da Universidade do Colorado, destacou que tempestades compostas como essa maximizam os impactos no clima espacial.
- Partículas colidem com a atmosfera superior, excitando gases e produzindo luzes coloridas nas auroras.
- Em órbitas baixas, o arrasto atmosférico aumenta, forçando ajustes em trajetórias de satélites.
- Redes de GPS e rádio sofrem interrupções temporárias em áreas afetadas.
Riscos para satélites em órbita
Satélites em altitudes baixas enfrentam maior vulnerabilidade durante esses eventos. A expansão da atmosfera superior, aquecida pelas partículas solares, pode baixar naves em centenas de metros, como ocorreu em 2024 com equipamentos da NASA.
Kerri Cahoy, engenheira do MIT, explicou que constelações comerciais recentes nem sempre incluem blindagem robusta contra radiação, diferentemente de modelos mais antigos. Em 2022, uma tempestade similar inativou 40 satélites da SpaceX logo após o lançamento.
A magnetosfera oferece proteção parcial, mas em altitudes elevadas, como as de GPS e satélites meteorológicos, a exposição é maior. Operadores ativam modos de segurança para mitigar falhas.
Projeções indicam que milhares de satélites em órbita baixa demandam maior coordenação para evitar colisões durante picos de arrasto.
Decisão cautelosa na missão ESCAPADE
Rob Lillis, investigador principal da ESCAPADE, afirmou que o lançamento prosseguiria se a atividade solar diminuísse na terça-feira. No entanto, novas previsões apontaram outra ejeção coronal alinhada com a liberação das sondas do foguete.
A radiação elevada poderia corromper dados em computadores de bordo ou falhar na extensão de painéis solares, essenciais para a operação inicial. A missão, composta pelas sondas Blue e Gold, visa analisar como o vento solar erode a atmosfera marciana ao longo de 22 meses de viagem.
O adiamento eleva riscos de colisão, pois tempestades geomagnéticas interrompem rastreamentos precisos. Baker reforçou que agências perdem dados cruciais, complicando manobras em um ambiente com milhões de detritos espaciais.
Enquanto isso, o lançamento de um satélite da Viasat, agendado para quinta-feira pela United Launch Alliance, permanece em avaliação. Equipes de meteorologia espacial reexaminam condições antes da contagem regressiva.
Comparação com eventos passados
A tempestade atual evoca as erupções de Halloween de 2003, quando poucas centenas de satélites orbitavam a Terra. Hoje, com milhares em operação, os desafios multiplicam-se, mas sistemas de monitoramento avançaram.
Em maio de 2024, uma tempestade G5 causou auroras globais e perturbações em comunicações, servindo de alerta para preparações atuais. A NOAA emitiu avisos a operadores de grids elétricos e satélites para mitigar impactos.
O Serviço Geológico Britânico registrou o maior campo geelétrico induzido no Reino Unido desde 2012, com potencial para sobrecarregar transformadores.
Astronautas na Estação Espacial Internacional ativaram protocolos de abrigo contra radiação, adiando atividades externas.
Preparações para futuros picos solares
Agências como ESA e NASA realizam simulações regulares para respostas rápidas a erupções. Em outubro de 2025, um exercício testou protocolos para o lançamento do Sentinel-1D, simulando interferências em comunicações.
O ciclo solar deve manter níveis elevados até meados de 2026, com mais de dez tempestades fortes registradas entre 2024 e 2025. Previsões aprimoradas via frota de satélites heliofísicos oferecem janelas de até 72 horas para ações preventivas.
A ESCAPADE, ironicamente, contribuirá para previsões semelhantes em Marte, protegendo missões futuras com humanos.

