Careca do INSS e Ronnie Lessa compartilham ala vulnerável na Papuda após transferências recentes

Antônio Carlos Camilo Antunes 'Careca do INSS'

Antônio Carlos Camilo Antunes 'Careca do INSS' - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Ronnie Lessa, ex-policial militar condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, foram transferidos para a ala de vulneráveis da Penitenciária IV no Complexo da Papuda, em Brasília. A mudança ocorreu em outubro e novembro de 2025, respectivamente, por determinação judicial para proteger os detentos de riscos na população carcerária geral. Os casos envolvem fraudes bilionárias contra aposentados e um duplo homicídio político que chocou o país em 2018.

A transferência de Careca do INSS aconteceu em 31 de outubro, após sua prisão em setembro pela Polícia Federal. Ele responde por um esquema que desviou recursos de benefícios previdenciários por meio de descontos indevidos em mensalidades associativas.

Ronnie Lessa chegou à Papuda em 22 de novembro, vindo da Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. A defesa alegou isolamento excessivo e problemas de saúde, como perda de peso de 10 quilos devido a suspeitas de contaminação alimentar.

O Complexo da Papuda abriga outros envolvidos no caso Marielle, como Élcio de Queiroz, que cumpre pena na mesma unidade.

Histórico dos crimes envolvidos

O lobista Careca do INSS operava por intermédio de empresas que atuavam como intermediárias financeiras junto ao Instituto Nacional do Seguro Social. O esquema afetou milhares de aposentados e pensionistas em todo o país, com desvios estimados em bilhões de reais.

Investigações da Polícia Federal revelaram que as fraudes ocorriam desde anos anteriores, com descontos automáticos não autorizados nas folhas de pagamento de benefícios. A operação que levou à prisão de Antunes incluiu buscas em 14 estados e no Distrito Federal.

Antunes permanece em regime fechado, com prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. A defesa não contestou publicamente a transferência para Brasília.

Transferência de Ronnie Lessa detalhada

Ronnie Lessa confessou o assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em 2018, no Rio de Janeiro. Ele foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisão em outubro de 2024 pelo Tribunal do Júri.

A mudança de Tremembé para a Papuda atendeu a pedido da defesa, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Lessa alegou condições precárias, incluindo falta de acesso a cursos e oficinas que poderiam reduzir sua pena.

Ronnie Lessa – reprodução

No novo local, ele ocupa cela individual na ala destinada a ex-policiais e presos em risco. A unidade segue regras de isolamento para evitar interações diretas entre detentos.

A transferência envolveu escolta da Polícia Federal, com saída de São Paulo pela manhã e chegada a Brasília no mesmo dia. Familiares de Lessa residem no Rio de Janeiro, mas a proximidade com audiências judiciais em Brasília influenciou a decisão.

Esquema de fraudes no INSS exposto

A operação policial contra as fraudes no INSS resultou em 10 prisões preventivas em novembro de 2025. Além de Careca do INSS, alvos incluíram ex-diretores da autarquia e empresários ligados a associações suspeitas.

As investigações apontaram para Acordos de Cooperação Técnica assinados entre o INSS e entidades que facilitavam os descontos indevidos. A Controladoria-Geral da União participou das apurações, identificando prejuízos a beneficiários vulneráveis.

Empresas como Prospect Consultoria Empresarial Ltda., controlada por Antunes, foram alvos de bloqueio de bens. O Ministério Público Federal coordena as ações para ressarcimento das vítimas.

Medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, foram aplicadas a outros investigados, incluindo ex-ministros da Previdência.

  • Descontos mensais variavam de R$ 10 a R$ 50 por benefício;
  • Esquema operou por pelo menos cinco anos;
  • Mais de 63 mandados de busca cumpridos em novembro.

Condições na ala de vulneráveis

A ala da Penitenciária IV destina-se a detentos com histórico de ameaças ou perfis sensíveis, como ex-agentes de segurança. Regras proíbem convivência direta entre presos, com horários segregados para banho de sol e visitas.

Careca do INSS e Ronnie Lessa não compartilham o mesmo espaço recreativo. A administração do Complexo da Papuda monitora diariamente as condições de saúde e segurança dos ocupantes.

Transferências para essa ala ocorrem após avaliação da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. O local abriga cerca de 20 detentos em regime especial.

Contexto do caso Marielle Franco

O duplo homicídio ocorreu em 14 de março de 2018, durante uma ação cultural no Rio de Janeiro. Marielle Franco, então vereadora pelo PSOL, criticava intervenções policiais em favelas.

Lessa e Queiroz foram presos em 2019, após investigações da Polícia Federal. O crime envolveu emboscada com tiros de fuzil em um carro oficial, qualificando-o como triplamente qualificado.

Queiroz, delator, cumpre pena reduzida na Papuda desde 2023. As investigações prosseguem para identificar mandantes, com audiências marcadas para 2026.

Lessa recusa delação premiada, mantendo silêncio sobre supostos envolvidos. A família de Marielle acompanha os desdobramentos judiciais.

Atualizações nas investigações do INSS

A Polícia Federal ampliou as apurações em novembro de 2025, com foco em conexões políticas. Ex-funcionários do INSS prestaram depoimentos sobre autorizações irregulares de descontos.

A operação resultou em apreensões de documentos e valores em contas bancárias. O Supremo Tribunal Federal determinou prisões para evitar obstrução de justiça.

Vítimas, majoritariamente idosos, registraram queixas em unidades do INSS. O governo federal anunciou revisões em acordos de cooperação para prevenir recorrências.

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