Jovem relata cinco estupros praticados por Melqui Galvão, lutador, em projeto social de jiu-jítsu na capital Manaus

Lutador e treinador de jiu-jitsu, Melqui Galvão, foi preso em Manaus — Instagram/Reprodução

Lutador e treinador de jiu-jitsu, Melqui Galvão, foi preso em Manaus — Instagram/Reprodução

Uma nova vítima do professor de jiu-jítsu e lutador Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, relatou ter sido estuprada cinco vezes. Os abusos ocorreram ao longo de um ano, enquanto ela participava do projeto social esportivo dele em Manaus. A jovem detalhou os episódios em depoimento exclusivo ao Bom Dia Brasil. Atualmente, Melqui Galvão está preso preventivamente na capital amazonense. Ele é investigado pelas Polícias Civis de São Paulo e Manaus por diversos crimes, incluindo estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição.

Nova denúncia detalha abusos em projeto social

A vítima tinha 16 anos quando os primeiros abusos começaram. Ela descreveu que os episódios aconteciam frequentemente em períodos próximos a campeonatos ou eventos esportivos que demandavam altos custos de inscrição ou viagem. A jovem não possuía recursos financeiros para cobrir essas despesas. Ela havia tentado levantar fundos por meio de uma rifa. Contudo, a atleta não conseguiu vender todos os bilhetes necessários para atingir o valor.

Melqui Galvão, então, ofereceu-lhe o dinheiro que faltava para participar da competição. A oferta veio com a condição de que eles “conversassem primeiro”. O professor, porém, a levou para um hotel, um local que a jovem questionou imediatamente. Dentro do quarto, ela perguntou o motivo de estarem naquele lugar. Segundo a vítima, o professor, que também é policial civil, afirmou estar atraído por ela.

Ele começou a puxá-la em direção à cama, mas a jovem resistiu veementemente. “Não vou para essa cama, não vou me deitar com você. Eu vou falar para a sua esposa o que está acontecendo”, teria dito a vítima. Melqui Galvão, por sua vez, a ameaçou. “Você não vai fazer isso, porque, se fizer, vai perder tudo o que você tem”, teria respondido ele. Os abusos deixaram sequelas profundas na jovem. Atualmente, ela abandonou completamente a carreira esportiva e interrompeu os treinos de jiu-jítsu.

Melqui Galvão enfrenta série de investigações

Melqui Galvão está preso preventivamente em Manaus. Ele é alvo de múltiplas investigações conduzidas pelas Polícias Civis de São Paulo e Manaus. As acusações abrangem uma série de crimes graves. O lutador e professor não teve a defesa localizada até a última atualização desta reportagem.

As investigações atuais se concentram nos seguintes delitos:

  • Estupro, incluindo de vulnerável
  • Favorecimento a prostituição
  • Importunação sexual
  • Invasão de dispositivo eletrônico
  • Coação

Ao todo, nove vítimas já registraram boletim de ocorrência contra Melqui Galvão. As novas denúncias resultaram na abertura de mais uma investigação pela Polícia Civil de Manaus.

Relatos de Brenda Larissa e outras vítimas

A atleta Brenda Larissa Alves da Silva, de 27 anos, também se manifestou publicamente. Ela denunciou ter sido vítima de abusos sexuais, físicos e psicológicos cometidos por Melqui Galvão. Os abusos se estenderam por 14 anos. Em seu relato compartilhado nas redes sociais, Brenda descreveu um período de “tortura mental e física”. Ela afirmou que o treinador chegou a agredi-la fisicamente, além de proferir “palavras horríveis”.

O objetivo de Brenda ao tornar seu caso público era incentivar outras vítimas a denunciarem. Ela também revelou que sua própria irmã teria sido vítima de estupro praticado por Melqui Galvão. A amplitude das denúncias sublinha um padrão de comportamento problemático. Os impactos dessas experiências devastadoras se refletem diretamente na vida das vítimas, como no caso da jovem que abandonou o esporte.

Posição de professor e policial explorava vulnerabilidade

A delegada Mayara Magna, responsável por parte das investigações, explicou a dinâmica dos crimes à TV Globo. Ela afirmou que todas as vítimas eram alunas de Melqui Galvão e menores de idade. O treinador se aproveitava de sua posição de professor de jiu-jítsu. Além disso, ele utilizava sua condição de policial civil para exercer poder e influência sobre as jovens.

A situação de vulnerabilidade das vítimas era um fator determinante. Muitas dessas crianças e adolescentes tinham o sonho de construir uma carreira no esporte. A maioria era financeiramente vulnerável. Melqui Galvão começava a oferecer presentes, suplementos esportivos e quimonos para as alunas. Posteriormente, ele cobrava esses “favores” por meio de abusos.

Irmão do lutador também é acusado de crimes

As denúncias não se restringem apenas a Melqui Galvão. O irmão do lutador, Enoque Galvão, também foi acusado de crimes. Ele enfrenta acusações de importunação e estupro por parte de duas vítimas. Os crimes teriam ocorrido quando Enoque visitava o projeto social de Melqui em Manaus.

Enoque Galvão, que também é policial, está preso temporariamente. Sua defesa também não foi localizada até o momento da atualização desta reportagem. A conexão familiar e profissional entre os irmãos, ambos policiais e envolvidos no mesmo projeto, adiciona uma camada de complexidade às investigações em curso. As autoridades continuam apurando os detalhes de todas as denúncias apresentadas.

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