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mixvaleone Foto: mixvaleone

Uma suposta profecia que prevê a colisão de um cometa com a Terra até o final deste ano tem ganhado espaço em redes sociais e aplicativos de mensagens, gerando discussões e incertezas entre internautas. A previsão, atribuída a um autoproclamado profeta, detalha um evento catastrófico que resultaria em consequências globais.

As mensagens disseminadas afirmam que o corpo celeste já estaria em rota de impacto, com alegações de que a informação estaria sendo omitida por agências espaciais e governos. A rápida propagação do conteúdo reacende o debate sobre a disseminação de informações sem base factual no ambiente digital.

Em contrapartida, a comunidade científica e observatórios astronômicos globais mantêm seus protocolos de monitoramento sem emitir qualquer alerta. Especialistas reforçam que objetos próximos à Terra são rastreados continuamente e que não há, até o momento, nenhuma ameaça de colisão conhecida para o período mencionado.

A origem da suposta previsão apocalíptica

A alegação de impacto iminente tem origem em mensagens atribuídas a uma figura religiosa conhecida como Enoque, que afirma receber revelações divinas sobre o futuro da humanidade.

Essas mensagens são frequentemente compartilhadas em vídeos e textos, alcançando um público que acompanha interpretações de eventos atuais sob uma ótica espiritual ou profética.

O conteúdo mistura terminologia astronômica com interpretações simbólicas, o que contribui para sua aparência de veracidade junto a determinados grupos, embora careça de validação científica.

O que diz a comunidade científica sobre o risco

Agências espaciais como a NASA e a ESA (Agência Espacial Europeia) operam programas dedicados exclusivamente à Defesa Planetária, cujo objetivo é detectar, rastrear e caracterizar asteroides e cometas que passam perto da órbita terrestre. Esses programas, como o Planetary Defense Coordination Office da NASA, utilizam uma rede global de telescópios para monitorar o céu constantemente. Atualmente, não há nenhum objeto catalogado em rota de colisão com o nosso planeta. Coincidentemente, o cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) terá sua máxima aproximação da Terra nos próximos meses, mas sua trajetória já foi calculada com alta precisão e passará a uma distância segura de mais de 70 milhões de quilômetros, não representando qualquer perigo.

Monitoramento constante de objetos celestes

Sistemas automatizados, como o Sentry e o Scout do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, analisam dados de telescópios em tempo real para calcular as órbitas de objetos recém-descobertos. Eles são projetados para identificar qualquer probabilidade de impacto, mesmo que mínima, com décadas de antecedência.

As informações sobre objetos potencialmente perigosos são públicas e compartilhadas internacionalmente entre cientistas para verificação. Qualquer ameaça real seria comunicada de forma transparente através de canais oficiais, seguindo protocolos estabelecidos para evitar desinformação e permitir a preparação de respostas coordenadas.

O fenômeno astronômico real

O cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) é um evento real e aguardado por astrônomos e entusiastas, com previsão de ser visível a olho nu entre setembro e outubro.

Sua passagem é um evento astronômico notável, mas sem qualquer relação com as teorias catastróficas que circulam online.

A associação de eventos celestes visíveis com previsões apocalípticas é um fenômeno recorrente ao longo da história.

Histórico de previsões similares

A associação entre eventos astronômicos e profecias catastróficas não é um fato novo. Em 2012, teorias baseadas em interpretações do calendário maia geraram ampla discussão sobre um possível fim do mundo, o que não se confirmou.

O cometa Hale-Bopp, um dos mais brilhantes do século XX, foi visível em 1997 e, apesar de ser um espetáculo celeste, ficou associado a eventos trágicos e teorias sem fundamento científico.

Outro exemplo foi o cometa Elenin em 2011, que também foi alvo de especulações sobre sua capacidade de causar desastres na Terra, todas refutadas por astrônomos.

Esses casos demonstram um padrão em que objetos celestes notáveis são frequentemente cooptados por narrativas que exploram o medo e a desinformação, em contraste com as explicações baseadas em observações e cálculos científicos.

Distinções importantes no espaço

– **Cometas:** São corpos compostos principalmente de gelo, poeira e rochas. Ao se aproximarem do Sol, o calor vaporiza o gelo, criando uma atmosfera (coma) e as caudas características.
– **Asteroides:** São objetos rochosos e metálicos, sem a mesma composição de gelo dos cometas. A maioria se encontra no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

Canais de informação oficiais

Para obter dados verificados, é recomendável consultar as páginas oficiais de agências espaciais, como o site da NASA dedicado a objetos próximos da Terra (NEO – Near-Earth Objects).

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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