As 11 ararinhas-azuis que haviam sido soltas na natureza em junho de 2025, na Bahia, foram recapturadas em novembro após decisão judicial. Exames realizados pelo ICMBio confirmaram que todas as aves estão infectadas pelo circovírus aviário, doença sem cura conhecida. As aves faziam parte do programa de reintrodução da espécie, declarada extinta na natureza desde 2020.
A contaminação ocorreu enquanto as ararinhas estavam no criadouro da empresa Blue Sky, em Curaçá (BA). O local apresentava falhas graves de biosseguridade, segundo relatório do órgão ambiental.
Recaptura e diagnóstico
O ICMBio retirou as aves da natureza em 15 de novembro de 2025. Os exames laboratoriais, concluídos dias depois, detectaram o vírus em 100% dos indivíduos.
A doença do bico e das penas, causada pelo circovírus, compromete o crescimento das penas e do bico. A taxa de mortalidade é elevada, especialmente em psitacídeos.
As ararinhas permanecem isoladas em instalações do ICMBio em Curaçá. Não há tratamento eficaz disponível.
Irregularidades no criadouro
Fiscalização identificou viveiros com acúmulo de fezes e água parada. Comedouros inadequados e ausência de equipamentos de proteção individual facilitaram a transmissão.
O vírus não é endêmico na região nordeste do Brasil. A origem da infecção ainda está sob investigação.
- Viveiros sem limpeza regular
- Ausência de desinfecção entre lotes
- Contato direto entre funcionários e aves sem proteção
- Alimentação exposta a contaminações
Multa aplicada à empresa
A Blue Sky Aviários recebeu autuação de R$ 1,8 milhão por descumprimento de normas sanitárias. O valor refere-se a infrações graves de manejo de fauna.
A empresa mantinha as ararinhas antes da soltura experimental ocorrida em junho. Parte das aves havia sido repatriada da Alemanha em 2022.
Situação atual das aves
As 11 ararinhas-azuis infectadas não poderão mais ser reintroduzidas na natureza. O risco de disseminação para outras espécies de papagaios é considerado alto.
O programa de conservação da espécie continua com cerca de 260 indivíduos em cativeiro no Brasil. Novos protocolos de biosseguridade foram implantados nos criadouros oficiais.
O circovírus não oferece risco à saúde humana. A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral ou por penas contaminadas.
Próximos passos do ICMBio
O órgão federal revisa todos os procedimentos de quarentena para futuras solturas. Testes sorológicos agora são obrigatórios em três momentos distintos antes da liberação.
A experiência serve de alerta para outros projetos de reintrodução de aves no país. Reforço nas barreiras sanitárias passou a ser prioridade absoluta.
População em cativeiro
Atualmente existem 264 ararinhas-azuis vivas em instalações controladas. Desse total, 209 estão no Brasil e 55 na Alemanha.
A reprodução em cativeiro apresentou crescimento de 15% em 2025. Novos filhotes nascidos este ano passam por triagem rigorosa contra o circovírus.
O ICMBio mantém cooperação técnica internacional para aprimorar o manejo genético da espécie.
