Rotação da Terra acelera desde 2020 e registra dias mais curtos que o esperado

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Planeta Terra Foto: Planeta Terra - Crazy Owl Productions/ Shutterstock.com

A rotação da Terra vem apresentando velocidade superior à média desde 2020, contrariando projeções que indicavam desaceleração contínua. Medições precisas mostram que os dias têm durado menos que os 86.400 segundos tradicionais. Especialistas apontam movimentos no núcleo e no manto como possíveis causas do fenômeno.

Geofísicos de instituições europeias confirmam que o planeta registrou os dias mais curtos desde o início das observações modernas. Em 2024, por exemplo, 5 de julho foi 1,66 milissegundo mais curto que o padrão.

Causas ainda em investigação

Cientistas da Universidade Técnica de Munique e da Universidade Técnica de Viena acompanham o comportamento inesperado. A aceleração rompe com o padrão histórico de perda gradual de velocidade.

A interação gravitacional com a Lua funciona como freio natural há bilhões de anos. O satélite se afasta 3,82 centímetros por ano e reduz lentamente a rotação terrestre.

Histórico de desaceleração rompido

Registros geológicos indicam que, há 1,4 bilhão de anos, o dia durava cerca de 18 horas. Sedimentos e recifes de coral mostram que, há 600 milhões de anos, a duração era de 21 horas.

A tendência de desaceleração permaneceu dominante até o início do século 21. Desde 2020, porém, os dados revelam inversão clara do processo.

Planeta Terra, Lua
Planeta Terra, Lua – Foto: D-VISIONS/ Shutterstock.com

Movimentos internos do planeta

Pesquisadores apontam diferenças de velocidade entre núcleo e manto como hipótese principal. Essas variações afetam o momento angular total da Terra.

  • Núcleo líquido pode girar em ritmo diferente do manto sólido
  • Derretimento parcial de camadas internas altera distribuição de massa
  • Processos atmosféricos e oceânicos também contribuem em menor escala
  • Combinação de fatores impede previsão exata de longo prazo

Impacto na medição do tempo

Relógios atômicos mantêm o Tempo Atômico Internacional com precisão extrema. Quando a rotação acelera, surge diferença negativa em relação ao tempo solar.

Desde 1972, a solução era adicionar segundos bissextos positivos. Agora, especialistas discutem a possibilidade de subtrair segundos pela primeira vez.

Registros recentes confirmam tendência

O dia 29 de junho de 2022 entrou para a história como o mais curto já medido. A marca de 2024 reforça que a aceleração persiste.

Instituições como o Serviço Internacional de Rotação da Terra monitoram as variações diariamente. Os dados servem para ajustar sistemas de navegação e telecomunicações.

Efeitos práticos permanecem limitados

As mudanças atuais não alteram a percepção humana do tempo. Um milissegundo representa fração imperceptível no cotidiano.

Sistemas de GPS, redes elétricas e servidores de internet exigem sincronização precisa. Qualquer desajuste acumulado pode gerar falhas técnicas ao longo dos anos.

A comunidade científica mantém acompanhamento constante do fenômeno. Novos estudos buscam determinar se a aceleração representa variação temporária ou mudança de longo prazo no comportamento terrestre.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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