Danos em estrutura de proteção de Chernobyl comprometem segurança nuclear, diz agência da ONU

5 min de leitura
Usina nuclear de Chernobyl Foto: Usina nuclear de Chernobyl - DimaSid/ Shutterstock.com

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou que a estrutura de proteção em Chernobyl, na Ucrânia, não cumpre mais sua função principal de conter resíduos radioativos. O Novo Confinamento Seguro (NSC), danificado por um ataque com drone em 14 de fevereiro de 2025, perdeu capacidades essenciais de segurança. A inspeção recente da agência, realizada na semana passada, identificou degradação na estrutura de aço instalada em 2019.

Autoridades ucranianas atribuíram o incidente a forças russas, que negaram envolvimento. O impacto provocou um incêndio no revestimento externo, sem elevar níveis de radiação no entorno imediato. A AIEA mantém equipe permanente no local para monitorar a situação durante o conflito.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, enfatizou a necessidade de reparos abrangentes para evitar piora. Níveis de radiação permanecem estáveis, mas a integridade do abrigo exige intervenção urgente. A agência planeja apoiar ações de restauração em 2026.

Avaliação técnica revela falhas no confinamento

A missão da AIEA concluiu que o NSC perdeu sua capacidade de confinamento primária. O drone atingiu o teto, criando uma abertura que compromete o isolamento de partículas radioativas. Reparos temporários foram aplicados, mas não restauram a proteção total.

Estruturas de suporte e sistemas de monitoramento não sofreram danos permanentes. A agência verificou estabilidade em inspeções de novembro de 2025. No entanto, a exposição contínua a elementos externos acelera a corrosão.

O custo estimado para recuperação pode superar 100 milhões de euros, segundo relatórios preliminares. Financiamento viria de doadores internacionais via Fundo de Proteção de Chernobyl. A AIEA recomenda modernização de sensores para detecção precoce de riscos.

Contexto histórico do desastre nuclear

Em 26 de abril de 1986, uma explosão no reator número 4 liberou material radioativo sobre Ucrânia, Belarus e Rússia. Mais de 30 mortes ocorreram imediatamente em Pripyat, cidade vizinha. Exposição afetou milhares, elevando casos de câncer e defeitos congênitos.

A zona de exclusão de 30 km permanece restrita. O sarcófago original, erguido em 1986, foi substituído pelo NSC para durar 100 anos. A estrutura permite desmonte seguro de resíduos, financiada por 45 países com 2,1 bilhões de euros.

O conflito russo-ucraniano, iniciado em 2022, expôs o local a ocupação russa por um mês. Ataques subsequentes destacam vulnerabilidades em instalações nucleares. A AIEA enviou 188 remessas de equipamentos desde então.

ONU
ONU – Foto: JHVEPhoto / Shutterstock.com

Papel do NSC na contenção radioativa

O Novo Confinamento Seguro é a maior estrutura móvel terrestre, com arco de 108 metros de altura. Projetado para ventos de 256 km/h e neve pesada, ele cobre o reator destruído. Sua instalação, concluída em 2019, facilitou operações de limpeza.

  • Isolamento de césio-137 e outros isótopos voláteis.
  • Ventilação controlada para evitar acúmulo de poeira.
  • Monitoramento remoto de integridade estrutural.
  • Acesso para robôs em desmonte de combustível nuclear.

O dano de fevereiro expôs falhas em defesas contra drones. Especialistas da AIEA sugerem reforço com barreiras anti-aéreas. A estrutura agora depende de camadas secundárias para contenção parcial.

Reparos iniciais focaram no teto, usando injeção de água para extinguir incêndios. No entanto, umidade interna ameaça corrosão acelerada. A agência planeja avaliações em maio de 2026 para priorizar intervenções.

Impactos ambientais e de saúde persistentes

A radiação de 1986 contaminou solos e águas por décadas. Estudos da Organização Mundial da Saúde indicam 4 mil casos extras de câncer na Europa. Na Ucrânia, taxas de tireoide maligna subiram 10 vezes em áreas expostas.

Monitoramento contínuo detecta 0,1 a 0,3 microsieverts por hora na zona. O dano recente não alterou esses níveis off-site. No entanto, poeira interna pode dispersar com ventos fortes.

Populações em Belarus reportam 20% mais anomalias genéticas. Programas de descontaminação removidas 99% de resíduos de superfície. A AIEA apoia treinamento para equipes locais em detecção.

A guerra agrava acesso a suprimentos médicos. Doadores internacionais forneceram 35 milhões de euros para resiliência ambiental. Visitas turísticas, permitidas com guias, seguem protocolos rigorosos.

Medidas de restauração em andamento

Técnicos ucranianos aplicaram selantes temporários no local do impacto. A AIEA coordenou envios de materiais em dezembro de 2025. Planos incluem substituição de painéis danificados até o fim de 2026.

O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento alocou fundos extras. Colaboração com 45 nações acelera logística. A agência enfatiza proteção física contra ameaças aéreas.

Inspeções semanais verificam estabilidade. Nenhum colapso estrutural é previsto. A restauração visa estender a vida útil para além de 2129.

Recomendações da AIEA para segurança

A agência propõe atualizações em protocolos de emergência. Treinamentos para 200 funcionários focam em respostas a ataques. Integração de IA em monitoramento prevê degradações.

  • Controle de umidade para prevenir ferrugem.
  • Programa de corrosão com amostragens mensais.
  • Modernização de sensores automáticos.
  • Exercícios simulados de evacuação na zona.

Essas ações fortalecem a resiliência global de sites nucleares. A AIEA busca tratados para proibir ataques a instalações. Cooperação com a ONU avança em resoluções de 2025.

O conflito em Ucrânia danificou subestações elétricas em oito regiões. A AIEA avaliou 10 locais em dezembro, identificando riscos a resfriamento de reatores. Fornecimento ininterrupto de energia é crucial para evitar superaquecimentos.

Em Zaporizhzhia, outro site nuclear, rotação de pessoal foi bloqueada. A agência enviou missões semanais desde 2022. Ataques recentes causaram blecautes, elevando tensões operacionais.

A Ucrânia depende de importações para 30% de sua energia. Danos cumulativos custaram bilhões em reparos. A AIEA recomenda diversificação de fontes para mitigar vulnerabilidades.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

Notícias relacionadas