O Palácio de Buckingham confirmou no dia 30 de outubro de 2025, a remoção dos títulos reais do Príncipe Andrew, irmão do Rei Charles III, em Londres. A decisão, aguardada por muitos, decorre das persistentes associações do Duque de York com o falecido financeiro Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Andrew, de 65 anos, passará a ser conhecido como Andrew Mountbatten-Windsor e deverá desocupar a Royal Lodge, sua residência oficial em Windsor.
A medida formaliza um processo iniciado após as recentes revelações sobre os contatos entre Andrew e Epstein, que se estenderam mesmo após o alegado término da amizade em 2010. O Rei Charles III, após consulta com membros da família e o governo britânico, considerou as ações necessárias para preservar a integridade e a reputação da monarquia diante da opinião pública.
O príncipe nega qualquer irregularidade e, segundo fontes próximas, não se opôs à remoção dos títulos. Analistas da realeza observam que a linguagem do comunicado reflete a pressão pública acumulada desde 2019, quando Andrew se afastou de suas funções reais, e que ganhou novo fôlego com o lançamento póstumo do livro de Virginia Giuffre.
Perda dos títulos e status real
A remoção dos títulos implica na perda do tratamento de “Sua Alteza Real”, juntamente com os títulos de Duque de York, Conde de Inverness e Barão Killyleagh. Andrew também perde honrarias importantes, como a Ordem da Jarreteira e a Ordem Real Vitoriana, concedidas por serviços à Coroa.
A alteração não afeta sua certidão de nascimento, mantendo-o como Andrew Albert Christian Edward, nem possui efeito retroativo sobre documentos ou registros anteriores. O Rei Charles III expedirá ordens reais ao Secretário de Justiça britânico, David Lammy, para oficializar a revogação legalmente, em uma ação rara na história recente da monarquia.
Nova residência em Sandringham
O comunicado oficial do Palácio indica que Andrew deverá se mudar para uma propriedade dentro do complexo de Sandringham, em Norfolk, Inglaterra. Esta é uma das residências privadas da família real, abrangendo aproximadamente 20.000 acres, incluindo 600 acres de jardins. Embora detalhes específicos sobre a nova moradia não tenham sido divulgados, a notificação para a devolução do contrato de arrendamento da Royal Lodge foi emitida em 30 de outubro, sinalizando que a mudança ocorrerá o mais breve possível. Sarah Ferguson, ex-esposa do príncipe, fará arranjos habitacionais independentes.
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Apoio da família real à medida
O Príncipe William, herdeiro direto do trono britânico, expressou seu total acordo com a decisão, conforme relatos de ex-correspondentes reais. A Rainha Consorte Camilla e outros membros sêniores da família real também endossaram a medida, visando evitar distrações em eventos oficiais importantes, como a próxima viagem de William à COP30 no Brasil.
O governo britânico, consultado previamente sobre a situação, manifestou seu apoio às sanções impostas. Um comunicado do palácio reiterou as condolências às vítimas de abuso, reforçando o compromisso da Coroa com os sobreviventes e a seriedade com que o caso foi tratado. Andrew permanece oitavo na linha de sucessão ao trono, mas sem o direito ao tratamento principesco em eventos públicos.
A origem do sobrenome Mountbatten-Windsor
A adoção do sobrenome Mountbatten-Windsor por Andrew reflete uma tradição familiar estabelecida para descendentes da Rainha Elizabeth II e do Príncipe Philip. Este sobrenome combina a linhagem da Casa de Windsor com a do Príncipe Philip, que pertencia à Casa de Mountbatten, simbolizando a união de suas heranças reais.
Ligações de Andrew com Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein, que havia sido condenado em 2008 na Flórida por crimes de prostituição de menores, manteve contatos com o Príncipe Andrew mesmo após sua condenação inicial. Em 2010, Andrew chegou a visitar a mansão de Epstein em Nova York, apesar de o financeiro já estar registrado como agressor sexual. E-mails de 2011, recentemente divulgados, revelam trocas de mensagens entre os dois meses depois que Andrew havia afirmado publicamente ter encerrado a amizade.
Tais revelações reacenderam o escrutínio público sobre a natureza e a duração do relacionamento entre o príncipe e o criminoso, levando a questionamentos sobre a conduta de Andrew. Ghislaine Maxwell, ex-parceira de Epstein, foi condenada em 2021 por seu papel no recrutamento de vítimas para o esquema de tráfico sexual.
Acordo legal de 2022 e novas revelações
O Príncipe Andrew chegou a um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre em fevereiro de 2022, pagando uma quantia milionária para encerrar o processo civil que ela movia em Nova York. Giuffre alegava ter sido abusada sexualmente em três ocasiões no ano de 2001, quando tinha 17 anos, em propriedades de Epstein e Maxwell. O príncipe sempre negou as acusações e sua defesa afirmou não conhecer Giuffre.
O acordo incluía uma cláusula de confidencialidade de um ano, visando evitar interferências nas celebrações do Jubileu de Platina da Rainha Elizabeth II. No entanto, o lançamento póstumo do livro de Giuffre em outubro de 2025, detalhando as alegações, renovou o escrutínio público e a pressão sobre a família real, com seu irmão, Skye Roberts, elogiando a coragem da vítima.
- Principais locais dos supostos incidentes: Londres, Nova York e a ilha particular de Epstein no Caribe.
- Data da morte de Epstein: agosto de 2019, por suicídio em uma prisão federal.
- Valor estimado do acordo: não divulgado oficialmente, mas fontes apontam para mais de 12 milhões de dólares.
- Renúncia inicial de Andrew: 17 de outubro de 2025, a títulos como Duque de York.
Repercussão e questionamentos públicos
A controvérsia em torno do Príncipe Andrew continua a gerar debates significativos no Reino Unido e internacionalmente, afetando a imagem da monarquia. As associações com Jeffrey Epstein abalaram a imagem da monarquia e provocaram uma reavaliação das condutas e responsabilidades dos membros da família real.
O Comitê de Contas Públicas do Parlamento britânico questionou os gastos públicos relacionados ao Príncipe Andrew em uma carta enviada na semana passada. A fiscalização busca transparência sobre como os fundos dos contribuintes foram utilizados em meio aos escândalos.
Grupos anti-monarquia, como a organização Republic, intensificaram suas demandas por uma investigação mais ampla sobre o nível de conhecimento da família real a respeito das atividades de Epstein e das ligações de Andrew. Eles argumentam que a remoção dos títulos é um passo, mas não resolve todas as questões pendentes.
A decisão do Rei Charles III, embora tardia para alguns, é vista como um esforço para proteger a instituição monárquica de futuras críticas e para demonstrar um compromisso com a ética e a responsabilidade pública, em um momento em que a realeza busca modernizar sua imagem.
