O cometa C/2025 R2 (SWAN) foi fotografado em posição rara ao lado dos Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia (M16), constelação de Serpens. A imagem foi obtida em 17 de outubro de 2025 pelo astrônomo italiano Daniele Gasparri, no deserto do Atacama, Chile. O registro destaca a coma verde intensa do cometa em contraste com as colunas de gás e poeira iluminadas por estrelas jovens.
A proximidade visual ocorreu pouco mais de um mês após o periélio do cometa, em 12 de setembro de 2025, quando ainda mantinha brilho elevado.
Como foi feita a captura da imagem
Daniele Gasparri usou um telescópio newtoniano de 130 mm de abertura. A composição final reuniu 40 exposições de 120 segundos cada, totalizando quase 1h20 de integração.
As condições do céu do Atacama, com baixa turbulência e pouca poluição luminosa, permitiram registrar detalhes finos da cauda iônica e da coma verde do cometa.
Características do cometa C/2025 R2 SWAN
O objeto foi descoberto em 10 de setembro de 2025 pelo astrônomo amador ucraniano Vladimir Bezugly por meio de imagens do instrumento SWAN, a bordo da sonda SOHO. A coloração esverdeada resulta da presença de gás di-carbono (C2) e cianogênio excitados pela radiação solar.
O cometa pertence à família de período longo e possui órbita com inclinação de aproximadamente 90 graus em relação ao plano da eclíptica. Sua próxima passagem pelo interior do Sistema Solar está prevista apenas para daqui a cerca de 1.400 anos.
1/4.☄️Hemos capturado al Cometa C/2025 R2 (SWAN) desde el Observatorio del Teide.
— IAC Astrofísica (@IAC_Astrofisica) November 27, 2025
Este viajero cósmico tiene una órbita de 800 años, ¡su última visita fue en el siglo XIII! 🤯
📷Imagen del 21 de octubre, destacando su extensa y luminosa coma.
Crédito: D. López y A. Rosenberg pic.twitter.com/Y0ukEiq6MU
Os Pilares da Criação no centro da cena
As famosas colunas de gás e poeira da Nebulosa da Águia ganharam fama mundial com a imagem do Telescópio Espacial Hubble em 1995. Recentemente, o Telescópio Espacial James Webb revelou detalhes inéditos em infravermelho da mesma região.
As estruturas têm cerca de 4 a 5 anos-luz de comprimento e abrigam protoestrelas em formação no interior das colunas mais densas. A radiação ultravioleta das estrelas massivas próximas erode lentamente o material, esculpindo os pilares ao longo de milhões de anos.
Observação a olho nu e binóculos
Durante outubro de 2025, o cometa SWAN alcançou magnitude próxima de 7,5, ficando no limite da visibilidade a olho nu em locais muito escuros. Com binóculos 10×50 ou pequenos telescópios, a coma verde era facilmente identificável.
Gasparri relatou que a visão pela ocular do telescópio foi marcante, com o cometa atravessando o campo rico em estrelas da Nebulosa da Águia. O evento atraiu atenção de astrônomos amadores em todo o hemisfério sul.
Trajetória atual do cometa
Após o periélio, o C/2025 R2 SWAN segue em direção ao afélio, localizado na Nuvem de Oort. Atualmente, o cometa já se encontra além da órbita de Marte e continua se afastando do Sol.
Sua velocidade orbital diminui gradualmente à medida que se aproxima da região externa do Sistema Solar. Observações de longo prazo ajudam a refinar os cálculos da órbita e a entender a origem do objeto.
Equipamentos utilizados no registro
O telescópio empregado foi um Astrograph Newtoniano 130/650 mm com corretor de coma. A câmera utilizada foi uma versão monocromática com filtro LRGB para capturar luz visível.
O local exato da observação fica próximo a Copiapó, região reconhecida por possuir alguns dos melhores céus do planeta para astronomia. A altitude média de 2.500 metros contribui para a estabilidade atmosférica e transparência do ar.
