Greve geral em Portugal paralisa transportes e serviços contra reforma trabalhista de Montenegro

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Portugal Bandeira Foto: Portugal Bandeira - 9parusnikov/istockphoto.com

Portugal registrou nesta quinta-feira (11) uma greve geral convocada pelas centrais sindicais CGTP e loose UGT, a primeira conjunta em 12 anos. A paralisação afetou transportes públicos, escolas, hospitais e aeroportos em todo o país. Trabalhadores aderiram à mobilização contra o anteprojeto de reforma da legislação laboral apresentado pelo governo de Luís Montenegro.

A proposta, conhecida como Trabalho XXI, prevê alterações em mais de 100 artigos do Código do Trabalho. Entre as medidas contestadas estão a flexibilização de despedimentos, o alargamento de prazos para contratos temporários e a redução de proteções em áreas como parentalidade. O governo defende que as mudanças visam aumentar a produtividade e adequar a legislação às demandas econômicas atuais.

A adesão à greve interrompeu a circulação de comboios em grande parte da rede nacional. Metropolitano de Lisboa permaneceu fechado durante todo o dia. Centenas de voos foram cancelados nos principais aeroportos, incluindo Lisboa e Porto.

  • Escolas fecharam portas na maioria das regiões;
  • Hospitais operaram apenas com serviços mínimos;
  • Fábricas e setores privados registraram paragens parciais;
  • Recolha de lixo foi afetada em várias cidades.

Impactos nos transportes e mobilidade

A paralisação começou a ser sentida desde as primeiras horas da manhã. Comboios da CP não circularam em linhas essenciais, forçando milhares de pessoas a buscar alternativas. Ferries no Tejo suspenderam operações, exceto em horários mínimos definidos.

No setor aéreo, companhias como TAP e Ryanair cancelaram ou adiaram voos. Aeroporto de Lisboa operou com capacidade reduzida. Passageiros enfrentaram longas filas e incertezas sobre conexões internacionais.

A Carris em Lisboa manteve apenas serviços mínimos em algumas linhas de autocarros. Trânsito aumentou nas principais vias urbanas devido à ausência de opções públicas.

Principais pontos contestados na proposta

Os sindicatos destacam medidas que consideram prejudiciais aos direitos dos trabalhadores. A reforma prevê facilitar despedimentos em pequenas e médias empresas. Permite maior recoursão a outsourcing após despedimentos coletivos.

Outras alterações incluem limite de dois anos para dispensa horária de mães que amamentam. Reduz licenças por luto em casos de aborto espontâneo. Alarga prazos de contratos a termo e banco de horas individual.

  • Facilitação de despedimentos sem justa causa em certos casos;
  • Aumento de períodos experimentais em contratos;
  • Redução de compensações em situações específicas;
  • Ampliação de serviços mínimos em futuras greves.

Manifestações em várias cidades

Milhares de pessoas concentraram-se em Lisboa, com marcha até à Assembleia da República. No Porto, protestos reuniram trabalhadores de diferentes setores. Concentrações ocorreram ainda em Coimbra, Braga e Faro.

Participantes exibiram faixas contra a precarização do emprego. Líderes sindicais discursaram sobre a necessidade de proteger conquistas laborais. A manifestação em Lisboa terminou sem incidentes registados pela polícia.

Posição do governo e perspectivas

O executivo de Luís Montenegro minimizou o impacto da paralisação no setor privado. Afirmou que a maioria dos trabalhadores manteve as atividades normais. Defende que as reformas são necessárias para dinamizar o mercado de trabalho e atrair investimento.

As negociações na Concertação Social continuam em curso. Sindicatos exigem retirada de pontos considerados inaceitáveis. O governo sinaliza abertura a ajustes, mas mantém linhas principais da proposta.

O crescimento econômico de 2,4% em 2025 serve de argumento para as mudanças. Economistas alertam que parte desse desempenho depende de fundos europeus temporários. A greve expôs divisões sobre o modelo laboral a adotar no país.

Adesão e balanços divergentes

Centrais sindicais estimam que mais de três milhões de trabalhadores aderiram à paralisação. Consideram a mobilização uma das maiores desde o período da troika. Patronato relata adesão baixa no setor privado, abaixo de 3% em média.

Hospitais mantiveram atendimentos urgentes. Escolas cancelaram aulas na grande maioria dos estabelecimentos. Setores como banca e comércio funcionaram com equipes reduzidas em algumas regiões.

A greve marcou o primeiro teste significativo à capacidade do governo minoritário. Depende de apoios parlamentares para aprovar a reforma. Partidos de esquerda manifestaram solidariedade com os protestos.

Setores mais afetados pela mobilização

Transportes registraram o maior impacto visível. Comboios parados afetaram deslocações interurbanas. Aeroportos operaram com voos reduzidos em até 50% em alguns casos.

Saúde funcionou em regime de serviços mínimos. Cirurgias não urgentes foram adiadas. Escolas fecharam, afetando famílias com crianças em idade escolar.

Indústria automóvel viu paragens em fábricas como a Autoeuropa. Comércio e serviços mantiveram maior continuidade. Recolha de resíduos acumulou atrasos em municípios.

A paralisação decorreu de forma pacífica em todo o território. Polícia acompanhou manifestações sem registar distúrbios. O dia terminou com retorno gradual à normalidade nos serviços essenciais.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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