O lateral-esquerdo Mario Pineida, de 33 anos, foi morto a tiros na tarde de 17 de dezembro em Guayaquil, Equador. O jogador, que defendia o Barcelona Sporting Club, estava acompanhado de sua companheira, que também faleceu no local, e de sua mãe, que ficou ferida e foi encaminhada para atendimento médico.
O ataque ocorreu no bairro Samanes 4, em frente a um estabelecimento comercial, onde dois indivíduos em motocicletas dispararam contra as vítimas. A polícia equatoriana isolou a área e iniciou investigações para identificar os autores e o motivo do crime.
O Barcelona Sporting Club emitiu um comunicado oficial confirmando o falecimento do atleta após o atentado. O Fluminense, clube pelo qual Pineida atuou em 2022 por empréstimo e conquistou o Campeonato Carioca, também manifestou pesar pela morte do ex-jogador.
O atentado em Guayaquil
O crime aconteceu por volta das 15h53, horário local, enquanto Pineida realizava compras em um açougue. Testemunhas relataram que os atiradores abordaram o grupo de forma direta e efetuaram múltiplos disparos antes de fugir do local.
A companheira do jogador, identificada em alguns relatos como Gisella Fernández, não resistiu aos ferimentos e morreu no local do ataque. A mãe de Pineida sobreviveu, mas precisou de atendimento hospitalar imediato devido aos ferimentos sofridos.
Pistas sobre ameaças e tensões no clube
Horas antes do assassinato, o presidente do Barcelona Sporting Club, Antonio Álvarez, havia divulgado que um jogador do elenco solicitara proteção especial devido a ameaças de morte recebidas. Embora Álvarez não tenha nomeado o atleta na ocasião, a coincidência temporal aponta para Pineida como a pessoa referida.
O elenco do clube equatoriano enfrentava tensões internas, com protestos por atrasos salariais que chegavam a até quatro meses. Essa situação levou à suspensão de treinamentos na manhã do dia do crime, evidenciando um clima de instabilidade no ambiente do clube.
As autoridades, contudo, não ligaram diretamente as questões administrativas e os protestos salariais ao atentado contra o jogador até o momento. A investigação se concentra em desvendar a motivação e os responsáveis pelo ataque.
Carreira de Mario Pineida no futebol
Mario Pineida iniciou sua carreira profissional no Independiente del Valle, onde atuou entre 2010 e 2015, consolidando-se como um defensor promissor. Sua versatilidade em campo, capaz de atuar em ambas as laterais, o destacou no cenário do futebol equatoriano.
Em 2016, transferiu-se para o Barcelona Sporting Club, onde conquistou dois títulos nacionais e disputou mais de 200 partidas ao longo de três períodos distintos. Sua passagem pelo clube de Guayaquil foi marcada por momentos importantes e sua contribuição para as conquistas da equipe.
Durante o ano de 2022, Pineida teve uma experiência no futebol brasileiro, atuando por empréstimo no Fluminense. Pelo tricolor carioca, participou de 24 jogos e integrou o elenco campeão do Campeonato Carioca, deixando sua marca no clube.
Além de sua trajetória em clubes, Pineida também defendeu a seleção equatoriana em nove ocasiões. Ele representou o país em jogos importantes, incluindo partidas válidas pelas eliminatórias para Copas do Mundo, demonstrando seu valor em nível internacional.
Repercussão no esporte equatoriano
O Barcelona Sporting Club anunciou que informará em breve sobre os atos em memória do jogador e pediu orações pela família enlutada. A perda de Pineida gerou uma onda de consternação em todo o futebol equatoriano.
Outros clubes do Equador, como Emelec e Liga Deportiva Universitaria, emitiram notas de condolências, estendendo solidariedade ao Barcelona e aos familiares do atleta. As mensagens destacaram o luto da comunidade esportiva pela violência.
O Fluminense, por sua vez, ressaltou a contribuição de Pineida durante sua passagem pelo clube e expressou apoio aos parentes do jogador. A Federação Equatoriana de Futebol lamentou o ocorrido e condenou veementemente a escalada da violência que afeta o esporte no país.
Cenário de violência no Equador
O assassinato de Mario Pineida representa o quinto caso de jogador profissional vítima de violência armada no Equador apenas em 2025, um dado que acende um alerta sobre a segurança no país. Anteriormente, Maicol Valencia e Leandro Yépez, do Exapromo Costa, foram mortos em setembro, seguidos por Jonathan González, ex-Independiente del Valle e LDU, que também perdeu a vida em circunstâncias violentas. Em novembro, o jovem Miguel Nazareno, de 16 anos, das categorias de base do Independiente del Valle, foi encontrado morto em um incidente brutal. Esses episódios reiteram a crescente preocupação com a criminalidade, especialmente em regiões como Guayaquil, onde a atuação de grupos ligados ao narcotráfico tem contribuído para o aumento significativo dos homicídios e para um ambiente de insegurança generalizada, afetando diversos setores da sociedade, incluindo o esporte.
Desdobramentos da investigação policial
A Polícia Nacional equatoriana está trabalhando com equipes especializadas para esclarecer o crime que vitimou Mario Pineida e sua companheira. O Ministério do Interior confirmou as identidades das vítimas e acompanha de perto as apurações.
Até o momento, não há prisões relacionadas ao caso, e as investigações continuam em curso. As autoridades reforçam as ações contra a criminalidade organizada, que é responsável por uma parte significativa dos homicídios registrados no país.
Legado e impacto no futebol
Pineida era considerado um defensor experiente e versátil, com capacidade de atuar em ambas as laterais, sendo um pilar em suas equipes. Sua carreira foi marcada por importantes conquistas locais e participação em competições internacionais, como a Copa Libertadores.
O jogador deixa três filhos e uma trajetória que serviu de inspiração para muitos jovens aspirantes a atletas no futebol do Equador. Clubes rivais reconheceram sua contribuição ao esporte nacional em mensagens de pesar, demonstrando o respeito que ele angariou ao longo de sua carreira.
