Ator Ashton Kutcher revela ter sido chamado de gordo e demitido por Tom Ford de campanha da Gucci

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Ashton Kutcher Foto: Ashton Kutcher - Instagram/aplusk

Uma revelação de Ashton Kutcher sobre o início de sua carreira trouxe à tona os rigorosos padrões da indústria da moda nos anos 1990. O ator detalhou, em uma entrevista recente, como foi demitido de uma campanha exclusiva da Gucci após o então diretor criativo, Tom Ford, criticar seu peso. O episódio ocorreu quando Kutcher tinha 19 anos e tentava se firmar como modelo.

O incidente aconteceu na Itália, para onde o jovem modelo viajou especificamente para o trabalho, que incluía um ensaio fotográfico e um desfile. Segundo Kutcher, após experimentar uma sunga rosa, ouviu de Ford que estava “muito gordo” para o trabalho, mesmo pesando cerca de 80 quilos na época. A dispensa foi imediata, interrompendo o que poderia ter sido um grande passo em sua carreira na moda.

Apesar da experiência desanimadora, hoje o ator relembra o ocorrido com bom humor e afirma manter uma relação amigável com o estilista. A história, compartilhada durante a promoção de sua nova série, reacende o debate sobre a pressão estética enfrentada por profissionais no mundo do entretenimento e da moda.

O episódio com Tom Ford em Milão

A oportunidade de estrelar uma campanha para a Gucci representava um momento crucial para o jovem Ashton Kutcher. Ser escolhido para um contrato de exclusividade com uma marca de tanto prestígio, sob a direção de Tom Ford, era um sinal de grande potencial na indústria da moda internacional.

Durante a prova de roupa na Itália, o momento decisivo ocorreu. Ao vestir uma sunga rosa, peça central da campanha, Kutcher foi avaliado pessoalmente por Ford. O veredito do estilista foi direto e resultou no fim do contrato. O ator recorda que seu peso era de 178 libras, aproximadamente 80 quilos, um porte físico que Ford considerou inadequado para a estética que buscava.

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Atualmente, Kutcher encara o episódio como uma anedota de sua trajetória. Ele conta que, quando encontra Tom Ford em eventos, ambos riem da situação. O estilista, segundo o ator, ainda mantém sua opinião sobre o caso, mas o assunto é tratado sem ressentimentos, como uma história curiosa dos bastidores da moda.

A visão de Tom Ford para a Gucci

A passagem de Tom Ford pela Gucci, entre 1994 e 2004, é amplamente reconhecida como um período de renascimento para a marca italiana. O estilista implementou uma estética ousada, sensual e provocadora que transformou a grife em um símbolo de luxo e desejo global. Sua visão criativa era extremamente precisa, e ele exercia controle absoluto sobre todos os aspectos da imagem da marca, incluindo a escolha dos modelos.

As campanhas da era Ford eram famosas por seus corpos esguios e uma atmosfera carregada de glamour, influenciando diretamente as tendências da década. O estilista selecionava pessoalmente os talentos que se alinhassem à sua visão, e decisões rápidas e diretas sobre o elenco eram uma prática comum, refletindo as altas exigências do setor de alta moda. A estética priorizava silhuetas magras, um padrão que dominou as passarelas e editoriais da época.

Os primeiros passos de Kutcher como modelo

Antes de se tornar uma estrela de Hollywood, Ashton Kutcher teve uma breve, mas promissora, carreira como modelo. Ele foi descoberto por um caça-talentos em um shopping em Iowa e incentivado a participar de um concurso de modelos. Kutcher venceu a etapa regional, o que o qualificou para uma competição nacional em Nova York.

Na disputa nacional, ele conquistou o segundo lugar, ficando atrás apenas de outro futuro ator, Josh Duhamel. Mesmo assim, o desempenho abriu portas importantes, garantindo contratos com agências de renome na cidade. Durante esse período, ele realizou trabalhos para marcas de grande visibilidade, como Calvin Klein e Abercrombie & Fitch.

Sua carreira como modelo, no entanto, foi curta. Logo após se estabelecer em Nova York, ele recebeu um convite para uma audição para a série de comédia “That ’70s Show”. O papel de Michael Kelso mudaria sua vida e o lançaria ao estrelato, fazendo com que ele priorizasse a atuação em detrimento das passarelas.

A experiência com a Gucci, portanto, representou um dos últimos e mais marcantes episódios de sua fase como modelo. O contrato de exclusividade sinalizava uma ascensão internacional que foi interrompida pela decisão de Ford, acelerando sua transição para o mundo da atuação.

A pressão por um corpo ideal na moda dos anos 90

A década de 1990 foi marcada pela consolidação de um padrão de beleza que privilegiava a magreza extrema, tanto nas passarelas femininas quanto nas masculinas. O fenômeno, apelidado de “heroin chic” e personificado por modelos como Kate Moss, valorizava corpos excessivamente finos e uma aparência andrógina. Esse ideal estético gerou inúmeras críticas relacionadas à saúde e ao bem-estar dos profissionais da moda. Agências e grifes mantinham medidas corporais rígidas como critério de contratação, e a pressão para manter um peso baixo era constante. Histórias de rejeição por conta do físico, como a vivida por Kutcher, eram rotineiras nos bastidores, embora raramente viessem a público na época. O relato do ator serve como um registro histórico de uma era cujos padrões vêm sendo cada vez mais questionados por movimentos que promovem a diversidade e a inclusão de diferentes tipos de corpos na indústria.

A transição bem-sucedida para Hollywood

O revés na carreira de modelo não impediu o avanço de Ashton Kutcher. Pelo contrário, o redirecionou para o caminho que o consagraria. Pouco tempo após o episódio com a Gucci, ele foi aprovado no teste para “That ’70s Show”, série que estreou em 1998 e permaneceu no ar por oito temporadas, transformando-o em um nome conhecido em todo o mundo.

A partir daí, sua carreira decolou. Ele estrelou comédias de sucesso no cinema, como “Cara, Cadê Meu Carro?”, e se aventurou em papéis dramáticos, como em “Efeito Borboleta”. Mais tarde, retornou à televisão para substituir Charlie Sheen na popular série “Two and a Half Men”, consolidando ainda mais seu status como um dos principais atores de sua geração.

Repercussão da revelação nos dias atuais

A história contada por Kutcher ganha uma nova dimensão no cenário atual, onde as discussões sobre padrões de beleza, assédio moral e saúde mental estão em evidência. A revelação alimenta o debate sobre as pressões estéticas que ainda persistem no universo do entretenimento, mostrando que críticas relacionadas à aparência física afetam a todos, independentemente do nível de sucesso.

O relato surge em um momento estratégico, enquanto o ator promove sua nova produção, que aborda justamente temas ligados à aparência e à percepção social da beleza. Ao compartilhar uma experiência pessoal tão marcante, Kutcher não apenas humaniza sua imagem, mas também reforça a mensagem central de seu novo trabalho, gerando identificação com o público.

Legados consolidados

O episódio de quase 30 anos atrás é hoje apenas uma nota de rodapé nas trajetórias de sucesso de ambos. Tom Ford deixou uma marca indelével na Gucci e construiu sua própria grife homônima de sucesso, além de se tornar um aclamado diretor de cinema. Ashton Kutcher se firmou como um ator de sucesso e um investidor de tecnologia visionário, com participações em empresas como Uber e Airbnb, demonstrando que o caminho para o sucesso tem múltiplas rotas.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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