Deficiência severa de vitamina D eleva em 33% risco de internação por infecções respiratórias

Produtos contendo vitamina D, alimentos

Produtos contendo vitamina D, alimentos - Tatevosian Yana/shutterstock.com

Pesquisadores das universidades de Surrey, Oxford e Reading analisaram dados de mais de 36 mil adultos no Reino Unido. O trabalho identificou que indivíduos com deficiência severa de vitamina D apresentam risco significativamente maior de hospitalização por infecções no trato respiratório.

A pesquisa, considerada a maior já realizada sobre o tema, mostrou que níveis abaixo de 15 nmol/L no sangue estão associados a um aumento de 33% nas internações. Essas infecções incluem gripe, pneumonia e bronquite, tanto de origem viral quanto bacteriana.

A cada aumento de 10 nmol/L na concentração de vitamina D, a taxa de hospitalizações caiu 4%. Os resultados reforçam a importância da manutenção de níveis adequados dessa substância, especialmente em períodos de menor exposição solar.

Detalhes da pesquisa realizada

O estudo utilizou informações de 27.872 participantes após ajustes finais nos dados. Entre eles, 2.255 foram internados por infecções respiratórias durante o período analisado.

Cientistas destacam que a vitamina D possui propriedades antibacterianas e antivirais reconhecidas. Essas características contribuem para fortalecer a resposta imunológica contra patógenos que afetam as vias respiratórias.

  • Bronquite aguda
  • Pneumonia bacteriana ou viral
  • Gripe sazonal
  • Outras infecções semelhantes
vitamina D, estetoscopio – Dmitry Demidovich/shutterstock.com

Impacto nos níveis de vitamina D

Pessoas com concentração superior a 75 nmol/L apresentaram o menor risco de complicações graves. Já a deficiência severa, definida como valores abaixo de 15 nmol/L, foi o fator de maior influência negativa.

Especialistas observam que o corpo produz vitamina D principalmente por meio da exposição à luz solar. No inverno, essa síntese reduz consideravelmente, o que eleva a prevalência de baixos níveis na população.

Grupos mais vulneráveis identificados

Idosos e indivíduos de meia-idade mostram maior suscetibilidade a hospitalizações por infecções respiratórias. Comunidades de minorias étnicas também enfrentam risco elevado de deficiência devido a fatores como pigmentação da pele e hábitos culturais.

A pesquisa reforça evidências anteriores que associavam baixos níveis de vitamina D a casos graves de Covid-19. Agora, os dados estendem essa relação a outras doenças respiratórias comuns.

Propriedades imunológicas da vitamina D

A substância regula a absorção de cálcio e fosfato, essenciais para saúde óssea e muscular. Além disso, modula a atividade de células do sistema imune, aumentando a produção de peptídeos antimicrobianos.

Estudos complementares indicam que a suplementação pode reduzir a incidência de infecções agudas em populações com deficiência prévia. A manutenção de níveis adequados aparece como medida preventiva acessível.

Fontes para obter vitamina D

Alimentos naturais contribuem para a ingestão diária, embora em quantidades limitadas na maioria dos casos.

  • Salmão e outros peixes oleosos
  • Óleo de fígado de bacalhau
  • Gema de ovo
  • Cogumelos expostos à luz ultravioleta
  • Fígado bovino
  • Sardinha e atum enlatados

Muitos produtos fortificados, como leites e cereais, também fornecem doses adicionais. A combinação de dieta equilibrada com exposição solar moderada ajuda a atingir os patamares recomendados.

Sinais indicativos de deficiência

Baixos níveis de vitamina D manifestam-se de formas variadas no organismo. Fadiga crônica e fraqueza muscular estão entre os sintomas mais relatados por pacientes.

Dores ósseas difusas, especialmente nas costas, surgem com frequência em casos prolongados. Alterações de humor, incluindo episódios depressivos, também podem indicar insuficiência da substância.

Queda excessiva de cabelo e maior suscetibilidade a infecções recorrentes completam o quadro comum. Espasmos musculares involuntários ocorrem em situações mais graves de deficiência.

A dificuldade de cicatrização de ferimentos representa outro alerta importante. Profissionais de saúde orientam exames laboratoriais para confirmação precisa dos níveis séricos.

Medidas de suplementação recomendadas

Autoridades de saúde no Reino Unido indicam 10 microgramas diários durante outono e inverno. Essa dose previne quedas significativas nos níveis populacionais.

No contexto brasileiro, sociedades médicas sugerem avaliação individual antes da suplementação rotineira. Exposição solar de 15 a 20 minutos diários, com braços e pernas descobertos, atende grande parte das necessidades na maioria das regiões.

Casos de risco elevado, como idosos institucionalizados ou pessoas com pouca exposição ao sol, beneficiam-se de reposição orientada. A consulta médica garante dosagem segura e eficaz.

Importância da exposição solar controlada

A síntese cutânea responde por cerca de 80% da vitamina D corporal na maioria das pessoas. Horários entre 10h e 15h oferecem maior eficiência na produção, mesmo em dias nublados.

Protetor solar com fator alto bloqueia parcialmente os raios UVB necessários. Equilíbrio entre proteção contra câncer de pele e síntese da vitamina requer moderação no uso.

Regiões sul do Brasil enfrentam redução significativa na incidência solar durante o inverno. Nesses períodos, estratégias combinadas de dieta e suplementação ganham relevância.

Perspectivas a partir dos novos dados

O estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition consolida evidências sobre o papel protetor da vitamina D. Pesquisadores enfatizam que a suplementação representa intervenção de baixo custo com potencial impacto populacional.

Manter níveis entre 25 e 75 nmol/L aparece como meta realista para a maioria dos adultos. Monitoramento periódico auxilia na prevenção de complicações associadas a infecções respiratórias sazonais.

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