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Bitcoin desvaloriza e recua abaixo de US$ 70.000 em forte onda de vendas institucional

Bitcoin
Foto: Bitcoin - Supercharged/shutterstock.com

O Bitcoin, principal criptomoeda do mercado, registrou uma queda acentuada nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, com seu valor caindo abaixo da marca de US$ 70.000. Este movimento representa a primeira vez que o ativo digital opera nesse patamar desde novembro de 2024, sinalizando um período de instabilidade para investidores. O recuo ocorre em meio a uma onda de vendas mais ampla que afeta diversos ativos de risco globais.

Por volta das 8h09 (horário do leste dos EUA), o Bitcoin estava sendo negociado a aproximadamente US$ 69.552, conforme dados compilados pela CoinMetrics. A desvalorização chegou a levar a criptomoeda a uma mínima de US$ 69.055,46, despertando preocupações sobre a sustentabilidade do preço no curto prazo.

A pressão vendedora é atribuída a uma conjunção de fatores, incluindo liquidações significativas no mercado de criptoativos e uma reversão na demanda por parte de grandes investidores institucionais. Este cenário reflete uma cautela crescente entre os participantes do mercado financeiro global.

Queda Bitcoin
Queda Bitcoin

Desempenho recente da criptomoeda líder

A recente queda do Bitcoin marca um momento de inflexão para o ativo, que vinha oscilando em patamares mais elevados. A perda do suporte de US$ 70.000 levanta questões sobre os próximos movimentos de preço e a confiança dos investidores neste que é o maior ativo digital em capitalização de mercado.

Desde seu pico histórico registrado em outubro, quando atingiu valores acima de US$ 126.000, o Bitcoin já acumula uma desvalorização de cerca de 40%. Essa retração significativa coloca a criptomoeda em um período de ajuste considerável, distinto da euforia observada em momentos anteriores.

Níveis cruciais e projeções de especialistas

Analistas de mercado observam o patamar de US$ 70.000 como um ponto de suporte fundamental, cuja ruptura pode indicar um aprofundamento da queda. A volatilidade atual gera incertezas e a necessidade de reavaliar estratégias de investimento.

James Butterfill, chefe de pesquisa da Coinshares, classificou o nível de US$ 70.000 como um “nível psicológico chave”. Segundo o especialista, a incapacidade de manter essa marca pode abrir caminho para desvalorizações ainda maiores no futuro.

Butterfill projeta que, caso o Bitcoin não consiga se sustentar acima de US$ 70.000, “uma movimentação em direção à faixa de US$ 60.000 a US$ 65.000 se torna bastante provável”. Essa perspectiva reforça a necessidade de monitoramento atento por parte dos investidores e participantes do mercado.

O cenário das liquidações e seus gatilhos

O mercado de criptomoedas tem sido impactado por uma onda de liquidações massivas, onde posições de investidores são automaticamente vendidas ao atingir determinados preços. Nesta semana, mais de US$ 2 bilhões em posições compradas e vendidas em criptomoedas foram liquidadas até a quinta-feira, segundo dados da Coinglass.

Esse volume expressivo de liquidações exerce uma pressão descendente considerável sobre os preços dos ativos digitais. A dinâmica intensifica a volatilidade, criando um ambiente de negociação desafiador para traders e investidores.

A queda do Bitcoin é reflexo de uma venda generalizada que também atingiu as ações de tecnologia nos Estados Unidos na quarta-feira, estendendo-se para o setor cripto. Esse movimento sugere uma correlação crescente entre os mercados de risco tradicionais e o de ativos digitais. Os fatores que contribuem para essa onda incluem:
– Pressão de vendas em ações de tecnologia.
– Liquidações forçadas de posições de criptomoedas.
– Cautela geral com ativos de risco.
– Volatilidade persistente em metais preciosos, como ouro e prata.

Análise da demanda institucional

Historicamente, a participação de grandes investidores institucionais tem sido vista como um pilar de sustentação para o preço do Bitcoin. Contudo, relatórios recentes indicam uma reversão significativa nessa dinâmica, com esses mesmos participantes mostrando sinais de venda. A demanda institucional, que antes impulsionava os preços, agora parece ser um fator de pressão.

Um relatório da CryptoQuant, divulgado na quarta-feira, apontou que os fundos negociados em bolsa (ETFs) dos EUA, que no ano passado adquiriram 46.000 bitcoins no mesmo período, deverão ser vendedores líquidos em 2026. Essa mudança de comportamento dos ETFs sinaliza uma menor injeção de capital novo no mercado e uma possível retirada de investimentos, impactando diretamente a oferta e demanda da criptomoeda.

Contexto histórico e visão de mercado

A atual fase do Bitcoin difere de períodos anteriores impulsionados pelo entusiasmo e pela narrativa. Maja Vujinovic, CEO de ativos digitais da FG Nexus, destacou em entrevista ao programa “Worldwide Exchange” da CNBC que “A alta linear que muita gente esperava ainda não se concretizou. O Bitcoin não está mais sendo negociado com base em hype, a história perdeu um pouco do seu brilho, agora está sendo negociado com base em liquidez pura e fluxos de capital”. Essa análise sugere uma maturidade do mercado, onde fundamentos e fluxos financeiros predominam sobre a especulação desenfreada, marcando uma fase de reavaliação para o ativo.

Indicadores técnicos chave

A CryptoQuant também enfatizou um dado técnico preocupante: o Bitcoin rompeu sua média móvel de 365 dias pela primeira vez desde março de 2022. Essa quebra é tradicionalmente interpretada como um sinal de fraqueza no mercado e pode preceder movimentos de baixa mais duradouros.

Os analistas da empresa alertaram que, após a última quebra dessa média móvel em 2022, o Bitcoin caiu 23% nos 83 dias subsequentes. Tal histórico, combinado com o cenário atual, sugere uma “possível queda para a faixa de US$ 70 mil a US$ 60 mil”, corroborando as projeções de outros especialistas.

Perspectivas de curto prazo

A volatilidade negativa das criptomoedas tende a persistir, com as liquidações e quedas nas ações tradicionais exercendo pressão contínua sobre o setor. O cenário exige cautela e uma análise aprofundada dos fundamentos de mercado por parte dos investidores, à medida que o Bitcoin busca novos patamares de estabilidade.