A montadora chinesa BYD confirmou que a produção integral do SUV Song Pro, em sua versão híbrida flex, terá início no segundo semestre de 2026. O modelo será o primeiro a ser fabricado com todos os processos industriais, incluindo estamparia, solda e pintura, na planta de Camaçari, na Bahia, consolidando um importante avanço na nacionalização das operações da empresa no país.
O anúncio foi realizado por Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da companhia, durante uma visita às instalações. A fábrica, que ocupa o antigo complexo da Ford, recebeu um investimento de R$ 5,5 bilhões para sua modernização e ampliação. A produção plena começará em julho, inicialmente com fases de testes, e também contemplará outros veículos da marca.
Atualmente, a unidade baiana já realiza a montagem de modelos como o Dolphin Mini e o sedã King, porém de forma parcial. A integração total dos processos fabris representa um marco para a indústria automotiva local, aumentando a autonomia da produção e reduzindo a dependência de componentes importados para a montagem final dos veículos.
A estratégia visa fortalecer a presença da BYD no mercado nacional, oferecendo produtos com tecnologia avançada e adaptados às particularidades do consumidor local, como o uso de etanol. A expansão da fábrica deve gerar milhares de empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia da região metropolitana de Salvador.
Detalhes da operação em Camaçari
O complexo industrial de Camaçari está sendo preparado para se tornar a maior operação da BYD fora da China. As obras para a instalação dos novos galpões de pintura, solda e estamparia seguem em ritmo acelerado, cumprindo o cronograma estabelecido pela empresa. Esses setores são fundamentais para que o Song Pro flex e outros modelos sejam considerados integralmente produzidos no território nacional.
Desde o início de suas atividades, a unidade já produziu mais de 25 mil veículos em regime de montagem CKD (Completely Knocked Down), onde os carros chegam desmontados. Com a nova fase, a planta terá capacidade para fabricar a carroceria completa, um passo crucial para aumentar o índice de nacionalização e otimizar os custos de produção, tornando os veículos mais competitivos no mercado.
O sistema híbrido flex pioneiro
A tecnologia empregada no Song Pro flex é uma inovação desenvolvida pela BYD especificamente para o mercado brasileiro. O sistema híbrido plug-in foi calibrado para operar com máxima eficiência tanto com gasolina quanto com etanol, aproveitando o potencial do biocombustível nacional.
O conjunto motriz combina um motor 1.5 aspirado, adaptado para a tecnologia flex, com propulsores elétricos de alto desempenho. Essa configuração permite que o veículo ofereça uma autonomia elétrica expressiva para uso urbano, além de um desempenho robusto em estradas.
Os testes de durabilidade e calibração do sistema estão sendo realizados no país para garantir que o desempenho com etanol seja otimizado. A iniciativa reforça o compromisso da marca em adaptar suas tecnologias globais às necessidades e recursos energéticos locais.
Especificações técnicas e desempenho esperado
O BYD Song Pro híbrido flex se posicionará como uma opção de destaque no competitivo segmento de SUVs médios. O modelo deve entregar uma potência combinada de aproximadamente 223 cavalos e um torque máximo de cerca de 40,8 kgfm, números que garantem agilidade e segurança em ultrapassagens. A bateria, com capacidade de até 18 kWh em algumas versões, permitirá uma autonomia em modo puramente elétrico superior a 100 quilômetros, um diferencial importante para a categoria.
Estratégia de nacionalização e modelos prioritários
A BYD definiu três veículos como pilares para o início da fabricação completa em sua unidade baiana. O Song Pro flex será o carro-chefe dessa nova etapa, simbolizando a união da tecnologia híbrida com a matriz energética brasileira.
Logo em seguida, a linha de produção integral receberá o sedã King, outro híbrido plug-in que compete em um segmento estratégico. A produção local deste modelo visa fortalecer a presença da marca entre os sedãs médios.
O compacto Dolphin Mini, atual carro elétrico de entrada da montadora, também será fabricado integralmente em Camaçari. A nacionalização do modelo é vista como um passo fundamental para torná-lo ainda mais acessível e aumentar seu volume de vendas.
Essa estratégia de produção local permitirá que a empresa atinja metas de volume mais ambiciosas a partir de 2026, com projeções de aumento significativo na capacidade produtiva anual da planta.
Impacto econômico e geração de empregos
A instalação definitiva da BYD está transformando Camaçari em um polo industrial de veículos eletrificados. O projeto é um vetor de desenvolvimento econômico para a Bahia, criando novas oportunidades de trabalho qualificado e estimulando a cadeia de fornecedores locais.
A empresa já conta com a participação de fornecedores nacionais em sua cadeia produtiva e estabeleceu a meta de atingir um índice de nacionalização de 50% até o final do ano, com planos de aumento progressivo nos anos seguintes.
Posicionamento da BYD no mercado nacional
O lançamento do Song Pro com tecnologia flex e produção nacional reforça a liderança da BYD no segmento de veículos híbridos plug-in no país. A versão importada do modelo já se destaca entre os mais vendidos da categoria, e a nova configuração tem potencial para ampliar ainda mais essa vantagem. A compatibilidade com etanol é um atrativo para consumidores que buscam reduzir os custos com combustível e valorizam o uso de uma fonte de energia renovável. Este movimento da BYD pressiona outras montadoras a acelerarem seus próprios planos de eletrificação e nacionalização de tecnologias, intensificando a competição e beneficiando o consumidor com mais opções avançadas. O SUV preenche uma lacuna no portfólio de veículos produzidos localmente, oferecendo uma combinação de tecnologia, eficiência e sustentabilidade.
Projeções de volume e potencial de exportação
Com a fábrica operando em plena capacidade, a BYD planeja elevar sua produção a centenas de milhares de unidades por ano. A localização estratégica do complexo na Bahia também abre portas para a exportação, facilitando a logística para atender a outros mercados da América Latina e consolidando o Brasil como uma plataforma de produção e distribuição para o continente.
