Queda abrupta no valor de revenda de carros elétricos atinge marcas chinesas e alerta setor de seminovos
Proprietários de veículos movidos a bateria no Brasil enfrentam um cenário desafiador relacionado à preservação do patrimônio investido. Análises recentes do comportamento do mercado automotivo indicam que a depreciação de determinados modelos elétricos está ocorrendo em um ritmo muito superior à média nacional, gerando preocupação entre consumidores e especialistas do setor de revenda. Enquanto a desvalorização média de usados gira em torno de 15%, alguns utilitários e compactos elétricos registraram quedas que ultrapassam a marca de 37% em apenas doze meses.
Impacto nos modelos da JAC Motors
O levantamento detalhado, que considerou as variações da Tabela Fipe entre meados de 2024 e 2025, aponta que os veículos da montadora chinesa JAC Motors estão entre os mais afetados pela perda de valor residual. O modelo JAC E-JS4, por exemplo, apresentou uma retração de 37,5% no período de um ano, posicionando-se no topo do ranking de desvalorização. O veículo, que chegou a ser comercializado por R$ 254.900, viu seu preço de revenda cair para aproximadamente R$ 159.300.

Essa diferença representa um prejuízo financeiro direto de quase R$ 100.000 para o primeiro proprietário, evidenciando a volatilidade deste segmento específico. Outro veículo da mesma marca, o sedã E-JS7, seguiu uma trajetória similar de desempenho negativo, registrando uma queda de 32,6% em seu valor de mercado. Em termos monetários, a perda estimada para este modelo aproxima-se de R$ 85.000, o que levanta questões sobre a sustentabilidade do investimento a curto prazo para quem adquire o zero quilômetro.
Gargalos de infraestrutura e concorrência
Analistas de mercado apontam que a restrição na rede de carregamento é um fator determinante para a insegurança dos compradores de usados. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico indicam a existência de cerca de 4.200 pontos de recarga públicos no país, número considerado insuficiente para acompanhar o crescimento da frota. Essa limitação logística afeta diretamente a liquidez dos modelos usados, especialmente para motoristas que não possuem carregadores residenciais ou que necessitam realizar viagens frequentes.
Além da questão estrutural, a estratégia comercial das montadoras de reduzir agressivamente os preços dos modelos novos cria um efeito cascata no mercado de seminovos. A constante atualização de valores para baixo nos lançamentos força uma correção imediata nos preços dos usados, gerando um ciclo de desvalorização acentuada. Em contrapartida, modelos híbridos de marcas tradicionais japonesas têm demonstrado maior resiliência, mantendo valores de revenda mais estáveis devido à menor dependência da infraestrutura de recarga externa e à confiança consolidada no pós-venda.
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