De craques a empresários: Cristiano Ronaldo adquire clube espanhol e entra para a elite de astros proprietários

8 min de leitura

Cristiano Ronaldo agitou o cenário do futebol mundial nesta quinta-feira (26) ao confirmar a aquisição de um clube espanhol, consolidando ainda mais sua posição não apenas como um dos maiores atletas da história, mas também como um influente empresário fora dos gramados. A notícia marca um novo capítulo na carreira do craque português, que agora assume um papel de liderança executiva no esporte.

A movimentação de CR7 o coloca em um seleto grupo de grandes nomes do futebol que, após ou durante suas carreiras de sucesso, decidiram investir financeiramente em equipes e ligas, transformando-se em proprietários e gestores. Esse fenômeno reflete uma tendência crescente de atletas buscando expandir seu legado e impacto para além das quatro linhas.

Ao se tornar acionista majoritário ou único dono de uma agremiação, esses ídolos do esporte traçam novos caminhos para o desenvolvimento do futebol, aplicando sua visão e experiência em um nível estratégico. A iniciativa de Cristiano Ronaldo serve de inspiração e reforça o potencial de investimento dos jogadores em seu próprio universo.

O movimento de Cristiano Ronaldo no cenário espanhol

A recente compra anunciada por Cristiano Ronaldo adiciona o atleta a uma lista proeminente de ex-jogadores e ainda ativos que decidem apostar seu capital e visão no gerenciamento de equipes. Embora os detalhes específicos da aquisição, como o nome exato do clube, sejam aguardados, a confirmação indica um movimento estratégico de diversificação em seu portfólio de investimentos. O craque português já demonstrava interesse em negócios fora de campo, com hotéis, academias e linhas de produtos.

Essa transição de jogador para proprietário não é inédita para Ronaldo. O futebolista português já detinha participações em outros empreendimentos ligados ao esporte, mas esta aquisição de um clube completo na Espanha sinaliza uma imersão mais profunda no mundo da gestão esportiva. A expectativa é que sua expertise e influência globais possam trazer um novo impulso para a equipe sob sua tutela.

Lionel Messi e seus passos como investidor

Outro gigante do futebol, Lionel Messi, também figura entre os astros que exploram o universo dos investimentos em clubes. Embora sua participação seja de uma natureza diferente da de Cristiano Ronaldo, o argentino tem forte ligação com o Inter Miami, time que defende atualmente na Major League Soccer (MLS) dos Estados Unidos. A chegada de Messi elevou exponencialmente a visibilidade e o valor da franquia, atraindo milhões de novos fãs e investidores.

O contrato de Messi com o Inter Miami, assinado em 2023, incluiu cláusulas que lhe dão opção de compra de ações da equipe após sua aposentadoria, além de acordos de participação nos lucros da Apple e Adidas, associados à liga. Esta estrutura contratual inovadora o posiciona como um futuro proprietário em potencial, solidificando seu legado nos EUA mesmo antes de pendurar as chuteiras.

A influência de Messi vai além do campo, onde ele é uma peça fundamental para o crescimento da MLS. Sua presença atrai talentos, patrocinadores e uma audiência global sem precedentes, transformando o cenário do futebol norte-americano. Seu modelo de “quase-proprietário” é um testemunho do poder de marca dos grandes atletas.

A ascensão de Vini Jr. como empresário no Brasil

Vini Jr., a estrela brasileira do Real Madrid, também demonstra sua visão empreendedora ao investir em clubes e startups no cenário esportivo nacional. Apesar de sua idade jovem e carreira em pleno auge, o atacante já se posiciona como um investidor ativo, principalmente no Brasil, visando o desenvolvimento e a modernização do futebol de base e profissional.

Em 2023, Vini Jr. adquiriu uma parte do Bauru Basket, clube tradicional do interior de São Paulo que se destaca na modalidade. Sua entrada como sócio-investidor visa aprimorar a estrutura do clube, impulsionar o marketing e fortalecer a base, contribuindo para a sustentabilidade e competitividade da equipe no cenário nacional.

Além do basquete, o jogador também tem investido em projetos inovadores de tecnologia e comunicação esportiva, mostrando um interesse diversificado em como o esporte pode evoluir. Sua participação não se restringe apenas ao capital, mas também à promoção e ao uso de sua imagem para dar visibilidade a esses empreendimentos.

Essas ações de Vini Jr. sinalizam uma nova geração de atletas engajados não apenas com suas carreiras profissionais, mas também com o futuro do esporte como um todo. Ele utiliza sua plataforma global para impulsionar projetos promissores, com um olhar atento para o desenvolvimento de jovens talentos e a inovação tecnológica no Brasil.

Ronaldo Fenômeno: um pioneiro na gestão esportiva

Ronaldo Nazário, o “Fenômeno”, é talvez um dos exemplos mais emblemáticos de jogadores que fizeram a transição bem-sucedida para o papel de proprietário de clubes. Sua jornada começou em 2018 com a aquisição de 51% das ações do Real Valladolid, na Espanha. Sob sua gestão, o clube viveu altos e baixos, com períodos na primeira e segunda divisões, mas sempre com a marca de uma administração profissional e estratégica. Ronaldo trouxe para o Valladolid sua vasta experiência no futebol de elite e sua rede de contatos, buscando modernizar as estruturas e a gestão.

Em 2021, Ronaldo ampliou seus investimentos no futebol ao adquirir a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Cruzeiro, clube onde iniciou sua carreira profissional. A compra, concluída por cerca de R$ 400 milhões, foi um marco no futebol brasileiro, transformando o Cruzeiro em um dos primeiros grandes clubes a adotar o modelo de SAF. Desde então, o Fenômeno tem trabalhado intensamente para reestruturar as finanças e a gestão do clube, que enfrentava grave crise, visando recolocar a equipe entre os protagonistas do cenário nacional e sul-americano.

Beckham e a visão global da MLS

David Beckham, ícone do futebol inglês e mundial, representa outro modelo de transição bem-sucedida para a propriedade de clubes, com uma visão estratégica de expansão global. Após encerrar sua carreira como jogador na Major League Soccer (MLS) dos Estados Unidos, onde atuou pelo LA Galaxy, Beckham exerceu uma opção de compra de franquia por um valor significativamente abaixo do mercado, fruto de um acordo feito em seu contrato como atleta. Esse movimento culminou na fundação do Inter Miami CF, em 2018, clube que estreou na liga em 2020 e que hoje conta com estrelas como Lionel Messi, Sergio Busquets e Jordi Alba em seu elenco. A visão de Beckham para o Inter Miami sempre foi a de construir uma equipe global, atraindo grandes nomes e investindo em infraestrutura de ponta, com o objetivo de elevar o patamar do futebol na Flórida e, por extensão, em toda a MLS. Sua influência transcende o papel de proprietário, atuando como embaixador e catalisador para o crescimento da liga e a atração de talentos internacionais, transformando o cenário do esporte no país e consolidando a Flórida como um polo para o futebol de alto nível.

Outros notáveis investidores no esporte

A lista de atletas que se tornam proprietários de clubes não para por aí, incluindo nomes como Gérard Piqué, que adquiriu o FC Andorra, e o ex-jogador da NBA Michael Jordan, que foi proprietário majoritário do Charlotte Hornets, demonstrando que a paixão e o capital de atletas de elite transcendem as modalidades.

A motivação por trás dos investimentos

A principal motivação para esses investimentos, além da óbvia busca por rentabilidade, reside no desejo de permanecer conectado ao esporte que os consagrou, mas sob uma nova perspectiva. Muitos enxergam a oportunidade de aplicar a experiência adquirida em campo e nos vestiários para construir organizações esportivas mais eficientes e bem-sucedidas.

Esses astros do futebol trazem não apenas capital, mas também uma compreensão profunda da dinâmica do esporte, da mentalidade dos atletas e das expectativas dos torcedores. Essa vivência pode ser um diferencial competitivo importante na gestão de um clube, permitindo a implementação de estratégias mais alinhadas com a realidade do universo esportivo.

O futuro do futebol com gestão de estrelas

A crescente tendência de jogadores se tornarem proprietários de clubes aponta para um futuro onde a gestão esportiva pode ser cada vez mais influenciada por aqueles que, de fato, viveram o esporte em seu mais alto nível. Essa transição não apenas injeta capital fresco nas ligas e equipes, mas também introduz uma nova camada de expertise e paixão. A expectativa é que essa nova geração de “jogador-empresário” possa promover modelos de gestão mais sustentáveis, focados no desenvolvimento de talentos, na inovação tecnológica e na criação de marcas globais, elevando o nível competitivo e a atratividade do futebol em diversas partes do mundo. Ao combinar o conhecimento tático e técnico com a visão estratégica empresarial, esses ex-atletas têm o potencial de revolucionar a maneira como os clubes são administrados e como o esporte interage com seus fãs e o mercado global.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas