Conflito no Oriente Médio derruba Dow Jones e faz petróleo disparar com ameaça ao Estreito de Ormuz

4 min de leitura
Dow Jones Foto: Dow Jones - Bendix M/ Shutterstock.com

Uma intensa aversão ao risco dominou as negociações em Wall Street nesta terça-feira, provocando uma liquidação generalizada de ativos e perdas expressivas nos principais índices de ações. O catalisador para o movimento negativo foi a escalada das tensões no Oriente Médio, que impulsionou os preços do petróleo e reacendeu temores sobre a estabilidade econômica global. Investidores monitoram com cautela os desdobramentos de um possível conflito prolongado envolvendo potências militares na região.

O cenário de incerteza reverteu o otimismo observado no fechamento anterior, instalando um clima de alerta nas mesas de operação. A possibilidade de danos duradouros à cadeia de suprimentos de energia forçou uma reprecificação imediata de riscos, afetando desde o mercado de renda variável até os títulos soberanos. A volatilidade permanece elevada enquanto o mercado aguarda novos posicionamentos oficiais.

Queda acentuada nos índices americanos

O impacto financeiro foi sentido com força no índice Dow Jones Industrial Average, que registrou uma perda de 840 pontos por volta das 11h30, o equivalente a um recuo de 1,7%. O S&P 500 acompanhou o pessimismo, acumulando uma desvalorização de 1,6% no meio do pregão, após ter chegado a cair 2,5% na abertura. O setor de tecnologia também não escapou da pressão vendedora, com o Nasdaq Composite recuando 1,7%.

Diferente da sessão anterior, onde houve recuperação ao longo do dia, a terça-feira foi marcada pela consistência das ordens de venda. Grandes empresas de tecnologia, que costumam sustentar os índices em momentos de instabilidade, operaram no vermelho, com as ações da Nvidia registrando queda de 1,7%. Cerca de 90% dos papéis listados no S&P 500 operaram em território negativo.

Disparada do petróleo e tensão em Ormuz

O mercado de commodities reagiu instantaneamente às notícias de conflito, com o petróleo tipo Brent, referência internacional, saltando 7,8% para US$ 83,79 o barril. O petróleo bruto WTI seguiu a mesma trajetória, valorizando-se 7,6% e atingindo a cotação de US$ 76,63. A alta agressiva ocorre após relatos de um ataque à embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita e a expansão dos alvos militares na região.

A maior preocupação estratégica concentra-se no Estreito de Ormuz, rota vital por onde passa um quinto do petróleo mundial. O general iraniano Ebrahim Jabbari, conselheiro da Guarda Revolucionária, elevou o tom das ameaças ao declarar o fechamento da passagem e afirmar que embarcações que tentassem atravessar seriam incendiadas. A retórica agressiva adicionou um prêmio de risco significativo ao preço do barril.

Desdobramentos geopolíticos e inflação

A complexidade da situação aumentou após a confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei em um ataque conjunto de forças americanas e israelenses. O presidente Donald Trump, utilizando suas redes sociais, afirmou que guerras podem ser travadas por longo tempo devido ao vasto arsenal de munições dos Estados Unidos. Essa perspectiva de um conflito sem data para terminar mantém os investidores na defensiva.

O encarecimento da energia gera pressão direta sobre a inflação. Dados da associação AAA indicam que o preço médio da gasolina nos EUA subiu 11 centavos, alcançando US$ 3,11 por galão. Esse aumento nos custos operacionais atingiu em cheio o setor aéreo, com as ações da American Airlines caindo 3,1% e as da United Airlines recuando 2,4%.

Repercussão nos mercados internacionais

As bolsas globais sofreram quedas severas, refletindo a vulnerabilidade de economias dependentes da importação de energia. Na Coreia do Sul, o índice Kospi despencou 7,2% em seu retorno de feriado, marcando o pior desempenho em dois anos. No Japão, o Nikkei 225 caiu 3,1%, enquanto na Europa, o índice DAX da Alemanha recuou 3,6% diante da disparada nos preços do gás natural.

No mercado de renda fixa, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos ultrapassaram a barreira de 4,10%, encarecendo o crédito para famílias e empresas. Esse cenário inflacionário impõe um dilema ao Federal Reserve, dificultando os planos de cortes nas taxas de juros previstos para 2026. Curiosamente, o ouro, tradicional refúgio, caiu 3,4% para US$ 5.132,50, interrompendo sua recente trajetória de alta.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas