Applebee’s encerra atividades em diversas cidades americanas e migra foco para unidades de marca dupla

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Applebees Foto: Applebees - Tada Images/shutterstock.com

A Dine Brands Global, conglomerado responsável pela gestão da marca Applebee’s, confirmou o encerramento das atividades em diversas unidades da rede espalhadas pelos Estados Unidos. A medida integra um plano abrangente de reestruturação operacional que visa eliminar pontos de venda que apresentaram desempenho financeiro inferior às projeções corporativas, respondendo a um cenário econômico desafiador para o setor de refeições casuais. A decisão impacta diretamente comunidades que conviveram com esses estabelecimentos por décadas, alterando a dinâmica local de consumo e emprego nas regiões afetadas.

O movimento de contração da rede ocorre simultaneamente a um plano de otimização que prioriza modelos de negócios mais eficientes e adaptáveis. A empresa busca equilibrar as perdas decorrentes do fechamento de lojas antigas através da abertura de novos formatos, incluindo restaurantes que operam em combinação com outras marcas do grupo no mesmo espaço físico. Essa estratégia tem como objetivo garantir a sustentabilidade financeira da corporação a longo prazo, adequando-se às novas demandas do mercado e ao comportamento do consumidor moderno.

Applebees
Applebees – Instagram/applebees

Impacto histórico nas comunidades locais

Entre as localidades afetadas, destacam-se cidades como Evansville, no estado de Indiana, onde os restaurantes operavam desde as décadas de 1990 e 2000. O fechamento dessas unidades representa não apenas uma mudança na paisagem comercial, mas também o fim de pontos de encontro tradicionais para famílias e residentes da região. A unidade localizada na East Morgan Avenue, por exemplo, cessou as operações após quase trinta anos de serviço contínuo, sendo conhecida por servir pratos clássicos da rede e atrair um público fiel.

Na mesma semana, o restaurante situado na Pearl Drive, também em Evansville, seguiu o mesmo caminho e fechou as portas permanentemente. Inaugurado em 2001, o local contribuía significativamente para o fluxo econômico da área, empregando dezenas de trabalhadores locais que agora buscam recolocação. Com o encerramento, clientes habituais precisam se deslocar para cidades vizinhas, como Henderson, no Kentucky, ou Princeton, em Indiana, para acessar os serviços da marca, o que gera inconveniência e reduz a frequência de visitas.

Outras regiões também sentiram os efeitos da reestruturação, como Glenville, no estado de Nova York, e Columbia, no Missouri. Nestas localidades, o fechamento de unidades que operavam há mais de três décadas gerou a necessidade de remanejar funcionários para outras filiais ou diferentes setores da economia local. A perda dessas opções de lazer acessível impacta diretamente a rotina dos moradores, que expressam preocupação com a redução na oferta de serviços e com o esvaziamento de áreas comerciais tradicionais.

Pressão de custos e fatores econômicos

O aumento progressivo nos custos operacionais é apontado como o fator central por trás da decisão de encerrar as unidades de baixo desempenho. Franqueados enfrentam despesas elevadas com combustível, contas de serviços públicos e preços dos alimentos, o que compromete severamente a lucratividade de lojas com menor fluxo de clientes. A inflação persistente nos últimos anos agravou essas dificuldades, forçando uma revisão completa da presença geográfica da marca para estancar prejuízos.

A concorrência acirrada com opções de entrega e cadeias de fast-food também intensificou a necessidade de ajustes operacionais drásticos. Analistas do setor indicam que a reestruturação corporativa da Dine Brands Global prioriza a eficiência, focando recursos apenas em locais de alto desempenho. Medidas como a redução de custos fixos e a otimização de inventário foram adotadas para mitigar impactos, mas não foram suficientes para evitar os fechamentos em áreas com demanda reduzida ou estagnada.

Estratégia de expansão com modelos híbridos

Apesar dos fechamentos, a empresa planeja a abertura de cerca de 80 restaurantes sob o modelo de marca dupla até o final deste ano. Essa abordagem inovadora combina as operações do Applebee’s com outra marca do grupo no mesmo espaço físico, permitindo o compartilhamento de cozinhas e equipes. A estratégia visa reduzir custos operacionais e estender o horário de funcionamento, maximizando o retorno sobre o investimento imobiliário e atraindo diferentes perfis de consumidores ao longo do dia.

Estes restaurantes duplos oferecem cardápios únicos que misturam elementos de ambas as marcas, atraindo um público diversificado sem aumentar a complexidade operacional. A primeira unidade deste tipo nos Estados Unidos foi inaugurada em Seguin, no Texas, servindo como modelo para futuras expansões. O objetivo da empresa é capturar mercados mal atendidos, com potencial para até 900 locais adicionais na próxima década, consolidando uma presença mais robusta e eficiente.

Modernização e renovação de unidades

Em paralelo aos fechamentos e novas aberturas, diversas unidades existentes estão passando por reformas para modernizar o ambiente e melhorar a experiência do cliente. Em Baldwin, Nova York, uma loja foi reaberta com novos assentos, cabines atualizadas e murais inspirados na comunidade local. O objetivo das renovações é criar um espaço mais confortável que incentive visitas prolongadas e eventos sociais, fortalecendo as conexões com os clientes remanescentes e renovando a imagem da marca.

Outras localidades, como Farmingdale e Lindenhurst, também receberam melhorias significativas, incluindo iluminação contemporânea e design atualizado. Essas mudanças refletem o compromisso da rede em se adaptar às preferências atuais dos consumidores, investindo na qualidade da experiência presencial. As renovações são realizadas de forma a minimizar interrupções no serviço, garantindo que as unidades viáveis continuem a operar com eficiência máxima durante o processo de transição.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.