Futura linha Ryzen Olympic Ridge deve trazer 24 núcleos e manter suporte para placas mãe atuais

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Ryzen Zen Foto: Ryzen Zen - Mino Surkala/ Shutterstock.com

A Advanced Micro Devices (AMD) avança significativamente no desenvolvimento de sua próxima geração de processadores para desktops, com planos ambiciosos para redefinir o desempenho no segmento mainstream. Informações recentes indicam que a arquitetura Zen 6, conhecida internamente pelo codinome “Olympic Ridge”, trará mudanças estruturais importantes, sendo a mais notável o aumento na contagem de núcleos físicos disponíveis para o consumidor final. A empresa planeja ultrapassar o limite atual de 16 núcleos, estabelecido nas gerações anteriores, oferecendo modelos que podem chegar a até 24 núcleos de processamento.

Esta evolução representa um marco na estratégia da companhia, visando atender à crescente demanda por multitarefa pesada e aplicações profissionais em computadores domésticos. O projeto mantém o compromisso com a longevidade da plataforma, assegurando compatibilidade com o soquete AM5. Isso significa que usuários com placas-mãe atuais poderão, teoricamente, realizar atualizações de processador apenas com updates de BIOS, preservando o investimento feito em memórias DDR5 e na estrutura principal do sistema.

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O foco da AMD com a linha Olympic Ridge parece ser a entrega de uma performance multithread muito superior, posicionando seus produtos de consumo como alternativas viáveis para criadores de conteúdo e profissionais que anteriormente precisariam recorrer a plataformas de estação de trabalho (HEDT), que são consideravelmente mais caras. A estratégia de manter o soquete AM5 enquanto aumenta a densidade de núcleos sugere um trabalho intenso de engenharia para manter a eficiência térmica e energética dentro dos padrões aceitáveis para desktops comuns.

Avanços na litografia e arquitetura de memória

Para viabilizar esse salto de desempenho e contagem de núcleos sem comprometer o consumo de energia, a AMD deve utilizar o processo de fabricação de 2 nanômetros (2nm) da TSMC. Esta transição de litografia é fundamental, pois permite colocar mais transistores em uma área menor, resultando em maior eficiência energética e frequências de operação potencialmente mais altas. A tecnologia de 2nm é vista na indústria como um ponto de inflexão que permitirá saltos geracionais mais expressivos do que as refinações vistas nos últimos anos.

A estrutura interna dos processadores também passará por revisões. O design baseado em chiplets (CCD) continuará sendo a espinha dorsal da arquitetura, mas com capacidades expandidas. Estima-se que cada CCD da arquitetura Zen 6 possa abrigar até 12 núcleos, um aumento em relação ao limite de 8 núcleos por chiplet visto na arquitetura Zen 5. Essa densidade aumentada é o que possibilita a criação de processadores de 24 núcleos utilizando apenas dois chiplets de computação, simplificando o design do encapsulamento.

Além do poder de processamento bruto, o subsistema de memória cache receberá atenção especial. A memória cache L3 por chiplet deve atingir 48 MB, o que, em um modelo topo de linha com dois CCDs, totalizaria 96 MB de cache L3. Esse aumento na memória próxima ao núcleo é crucial para jogos e aplicações sensíveis à latência, reduzindo a necessidade de o processador buscar dados na memória RAM do sistema e, consequentemente, acelerando a execução de tarefas complexas.

Novas configurações de núcleos e segmentação de mercado

A flexibilidade da arquitetura Zen 6 permitirá uma gama variada de produtos, cobrindo desde o segmento de entrada até o entusiasta extremo. No topo da pirâmide, o modelo de 24 núcleos, composto por dois CCDs de 12 núcleos cada, será o carro-chefe, focado em produtividade máxima e criação de conteúdo. Logo abaixo, uma configuração inédita de 20 núcleos (dois CCDs de 10 núcleos) deve preencher a lacuna para workstations leves, oferecendo um equilíbrio interessante entre custo e performance.

O segmento de alto desempenho tradicional continuará sendo atendido por modelos de 16 núcleos, formados por dois CCDs de 8 núcleos. Esta configuração, que hoje representa o topo de linha, passará a ser uma opção intermediária-alta, mantendo a continuidade para usuários que buscam performance sólida em jogos e trabalho. Para o mercado intermediário, a AMD planeja oferecer processadores de 12 núcleos em um único CCD, eliminando latências de comunicação entre chiplets e otimizando o desempenho em jogos.

Completando a linha, haverá opções de 10 núcleos e 8 núcleos, ambas utilizando um único CCD. O modelo de 8 núcleos deve continuar sendo a escolha popular para gamers, oferecendo alto clock e eficiência. Por fim, a opção de entrada com 6 núcleos garantirá acesso à nova arquitetura para orçamentos mais limitados, beneficiando-se da eficiência energética do processo de 2nm. Essa diversificação visa preencher todas as faixas de preço e eliminar “gaps” de desempenho que existiam nas gerações anteriores.

Detalhes técnicos da arquitetura Zen 6

A arquitetura Zen 6 não se resume apenas a adicionar mais núcleos; ela traz um redesenho completo do “frontend” do processador. O objetivo é aumentar as Instruções Por Ciclo (IPC) em comparação com o Zen 5, tornando cada núcleo individualmente mais rápido e eficiente. Melhorias no despachante de instruções e na execução especulativa são esperadas para alimentar os núcleos de forma mais eficaz, evitando gargalos internos.

Outro ponto de destaque é o suporte nativo a instruções AVX-512 com um vetor de 512 bits completo no modo de execução. Isso é particularmente relevante para cargas de trabalho que envolvem inteligência artificial e codificação de vídeo, áreas onde a demanda por processamento vetorial tem crescido exponencialmente. Ao melhorar o suporte a essas instruções, a AMD prepara seus processadores para o futuro das aplicações assistidas por IA diretamente no hardware local.

A plataforma AM5, que servirá de base para esses novos chips, receberá atualizações de firmware para suportar as novas características elétricas e lógicas do Zen 6. A promessa de suporte estendido à plataforma é um diferencial competitivo importante, permitindo que usuários que investiram em placas-mãe de qualidade em 2022 ou 2023 possam utilizar processadores de ponta lançados anos depois, maximizando o ciclo de vida do equipamento.

Previsão de lançamento e tecnologias complementares

O cronograma atual aponta para um lançamento da linha Olympic Ridge na segunda metade de 2026. Embora pareça distante, o ciclo de desenvolvimento de semicondutores exige anos de planejamento. A chegada desses processadores deve coincidir com a maturação do ecossistema de software otimizado para altas contagens de núcleos, justificando o investimento em hardware tão robusto para o consumidor doméstico.

Além dos modelos padrão, a tecnologia 3D V-Cache deve continuar sendo um diferencial estratégico para a AMD. Variantes equipadas com essa memória empilhada verticalmente são esperadas, possivelmente chegando junto com os modelos base ou logo em seguida. O 3D V-Cache tem se mostrado revolucionário para o desempenho em jogos e certas aplicações técnicas, e sua implementação na arquitetura Zen 6 deve elevar ainda mais a performance em cenários onde a latência de memória é o principal limitador.

A introdução de configurações como 10 e 20 núcleos também sugere uma resposta da AMD à arquitetura híbrida dos concorrentes, oferecendo mais threads de alta performance (núcleos completos) em vez de misturar núcleos de performance e eficiência. Isso simplifica o agendamento de tarefas pelo sistema operacional e garante desempenho consistente em todas as cargas de trabalho, consolidando a posição da empresa no mercado de alta performance.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.