A Assembleia de Peritos do Irã começou as deliberações para escolher o novo líder supremo após a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no último sábado (28 de fevereiro de 2026) durante ataque conjunto realizado por Estados Unidos e Israel em Teerã. O órgão, formado por 88 clérigos xiitas, concentra a autoridade constitucional para nomear o sucessor, que exerce poder político e religioso absoluto na República Islâmica. Quatro figuras clericais despontam como principais candidatas: Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder; Alireza Arafi, atual líder interino; Mohammad-Mahdi Mirbagheri, ultraconservador; e Hassan Khomeini, neto do fundador da revolução islâmica. A decisão acontece em contexto de elevada tensão militar e instabilidade interna.
O ataque que matou Khamenei, aos 86 anos, integrou uma operação mais ampla contra alvos estratégicos iranianos. Autoridades confirmaram o óbito horas depois de anúncio feito pelo presidente americano Donald Trump. Um conselho provisório de três membros — o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Ejei e o aiatolá Alireza Arafi — assumiu temporariamente as funções do cargo.
Esta é a primeira sucessão desde 1989, quando Khamenei substituiu Ruhollah Khomeini. O processo segue regras constitucionais estritas, exigindo que o escolhido seja jurista xiita sênior, com profundo conhecimento em jurisprudência islâmica, capacidade política e autoridade moral reconhecida. As sessões da Assembleia ocorrem a portas fechadas e a escolha pode ser anunciada em poucos dias.
Principais nomes na disputa
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, aparece como favorito em análises internas. Filho do ex-líder, ele mantém influência forte nos círculos de poder clerical e laços próximos com comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica. Apesar de ostentar o título de aiatolá, seu nível hierárquico é intermediário. A postura linha-dura e o apoio de alas conservadoras reforçam sua candidatura. A perda de familiares no mesmo ataque — incluindo mãe, esposa e filho pequeno — adiciona dimensão pessoal ao cenário. A tradição xiita, porém, tende a rejeitar sucessões hereditárias diretas.
Alireza Arafi, 67 anos, exerce atualmente a liderança interina como parte do conselho provisório. Proveniente de família clerical, ele ganhou destaque após a ascensão de Khamenei em 1989. Arafi possui o status de mujtahid, o que lhe dá autoridade para interpretar a sharia com base no Alcorão e na Sunnah. Ele é especialista em jurisprudência islâmica, filosofia e tecnologia, além de falar fluentemente árabe e inglês. Desde 2016, comanda todos os seminários religiosos do país. Em 2022, transmitiu mensagem de Khamenei ao Papa Francisco durante encontro no Vaticano.
Ultraconservador e moderado na lista
Mohammad-Mahdi Mirbagheri representa a ala mais rígida do clero iraniano. Ele preside a Academia de Ciências Islâmicas em Qom e critica constantemente o Ocidente em discursos públicos. Sua influência deriva da defesa intransigente dos ideais revolucionários e da oposição a qualquer forma de abertura externa.
Hassan Khomeini, 53 anos, neto de Ruhollah Khomeini, surge como opção moderada. Diferente dos demais, não carrega o título de aiatolá, mas mantém relações com reformistas, incluindo ex-presidentes Mohammad Khatami e Hassan Rouhani. Ele atua como guardião do mausoléu de seu avô em Teerã, sem experiência em cargos executivos. Alguns setores defendem sua nomeação para promover estabilidade e reduzir tensões internas após protestos recentes.
Critérios e contexto da escolha
A Assembleia dos Peritos avalia os candidatos com base em:
- Conhecimento avançado em jurisprudência islâmica (fiqh)
- Capacidade de liderança política e administrativa
- Reconhecimento como autoridade religiosa entre pares
- Alinhamento com princípios da Revolução Islâmica
- Habilidade para manter unidade no establishment clerical
O novo líder assumirá em momento delicado, com o Irã respondendo militarmente a ataques externos e enfrentando desafios internos de coesão. O país decretou 40 dias de luto oficial. A decisão final busca equilibrar tradição religiosa e demandas do sistema atual.
O processo segue normas constitucionais rígidas, com prioridade para qualificações religiosas e políticas. A escolha pode consolidar o poder de alas conservadoras ou abrir espaço para moderação, dependendo do consenso alcançado pelos 88 peritos.
